quarta-feira, 23 de julho de 2025

Capítulo 40

Dragonstone – Continente de Andrômeda –128 Depois da Conquista.

Pov. Edward.

Eu acordei no dia seguinte assustado e sobressaltado. A voz de Isabella berrando o meu nome no meio das chamas havia feito com que eu acordasse suado e nervoso. Bella dormia profundamente ao meu lado, durante o sono ela tinha se virado e agora estava deitada de costas para mim. Passei meu braço pela sua cintura e a puxei para perto de mim, e isso a fez se mexer na cama e virar de barriga para cima. Com a mão ainda tremula do pesadelo recente, tirei os filhos de cabelo de seu rosto e acariciei a sua bochecha.

- Você está bem! – falei em um murmúrio. – Você está bem! – garanti a mim mesmo ao abaixar a coluna e lhe dar um beijo nos lábios. Eu olhei pela janela, ainda estava escuro do lado de fora, era possível ver pequenas partes alaranjadas de o sol começando a nascer, mas ainda estava bem escuro.

Eu provavelmente não iria conseguir dormir de novo, o pesadelo ainda era recente e mesmo após eu me certificar que Isabella estava bem, o meu coração ainda estava acelerado. Voltei a me deitar na cama e puxei Isabella para perto de mim de novo, deixando o seu corpo bem perto do meu. Mais uma vez ela se mexeu na cama, deitando a cabeça contra o meu ombro, entrelaçando sua perna contra a minha e apoiando seu braço em meu peito, e eu abracei o seu corpo, eu sabia que entre os meus braços ela ficaria bem, sã e salva. 

Como eu havia pensado eu não tinha conseguido dormir, o dia havia nascido e como o meu humor, estava nublado, um pouco frio e com uma fina garoa caindo e batendo contra a janela. Havia passado aquele tempo fazendo um cafuné em seus cabelos e uma caricia, leve como uma pluma, em seu braço ou perna. Bella se mexeu, levando a mão apoiada em meu peito até o seu rosto, coçando os seus olhos.

- Bom dia, minha princesa. –

- Bom dia, meu príncipe. – ela levantou a cabeça e uma ruga de confusão surgiu entre as suas sobrancelhas. – O que houve? –

- Nada! – respondi e ela tirou a cabeça do meu peito, apoiando o cotovelo na cama e me encarando.

- Estais com uma expressão de cansaço, pareces que não dormiu nada. 

- Tive um pesadelo. – admiti. – Mas está tudo bem! Você está bem! – comentei e ela percebeu sobre o que o meu pesadelo se tratava.

- Oh meu amor… - ela aproximou a cabeça da minha e me deu um beijo e voltou a deitar a cabeça contra o meu ombro. – Se quiser, trancamos a porta e ficamos aqui, incomunicáveis para todos, menos para as crianças. –

- Não precisa. Tenho muita coisa para resolver, e eu quero me livrar dos problemas alheios. E tenho que te livrar da sua preocupação ou culpa em relação a Anna. – garanti.

- Tem certeza que está bem? – eu assenti. – Posso te fazer se sentir melhor, caso queira! –

- Eu estou bem, mas tenha certeza de que eu nunca vou recusar quando você quiser fazer com que eu me sinta bem! –

Bella sorriu amorosa e carinhosamente para mim ao aproximar a boca da minha. Bella me beijou e eu retribui o beijo, levando a mão que antes estava apoiada em sua cintura até a sua nuca, segurando a sua cabeça contra a minha. A sua mão desceu do meu peito para debaixo dos lençóis e para dentro da minha calça. Ela me masturbou até que meu pau ficasse duro contra a sua mão e interrompeu o beijo.

- Para que essa pressa? – perguntei quando ela se livrou do lençol e abaixou a minha calça. – Eu nem te deixei molhada ainda. –

- Não precisa! Porque eu estava tendo um sonho muito bom com o meu marido… então você meio que já me deixou molhada. – ela soltou um gemido baixo ao encaixar meu pau em sua buceta, e sentar devagar nele, e eu pude confirmar que sim, ela estava bem molhada.

Isabella apoiou as mãos em meu peito e começou a subir e descer contra o meu pau devagar, minhas mãos foram para os seus quadris para ajuda-la a se mexer em meu colo. Nossos gemidos eram baixos, os sons de nossos movimentos eram baixos, não era amor, era um sexo mais calmo, ela queria aliviar o prazer que havia sentido com o sonho e eu amava quando ela fazia isso. Quando acordava excitada e molhada de madrugada e me acordava quase que em desespero para se aliviar, que saudade de quando ela fazia isso.

Me sentei na cama e abri o laço de sua camisola, empurrando-a para o lado para que pudesse expor seus seios. Bella rebolava contra o meu pau e eu me deliciava com os seus seios, beijando-os, chupando-os, intercalando entre os dois, por não querer escolher apenas um por vez. Com um gemido baixo e rouco contra o meu ouvido, ela gozou contra o meu pau e relaxou no meu colo. Eu ainda estava duro e não tirei a boca de seus seios, quando os espasmos de seu orgasmo recente passaram, Bella voltou a mexer o quadril contra o meu.

Ela gemeu baixo um me ajuda, e sem tirar a boca de seus seios, eu abracei a sua cintura a ajudando a se sentar em meu colo, até que me derramar todo dentro dela. Eu tirei a boca dos seus seios quando meus pulmões começaram a doer pela falta de ar, porém mantive meu rosto escondido entre eles, beijando-os.

- Melhor? –

- Muito! – falei contra o seu seio direito e beijando a lateral do mesmo. – Você sempre me faz bem, desde um cafuné ou de um sexo pela manhã. – respondi beijando seu seio de novo.

- O senhor gosta dos meus seios, não é mesmo, vossa alteza? –

- Meu quarto lugar favorito que eu gosto de beijar, senhora Hightower! –

- Quarto? Quais são os outros três? –

- Em terceiro a sua buceta. – respondi tirando a cabeça de seus seios e levando as mãos de sua cintura para o seu rosto. – Em segundo… - eu beijei seus olhos. – E em primeiro… - falei com a voz rouca ao beijar a sua boca.

Sem interromper o nosso beijo, eu nos virei na cama, deitando-a contra o colchão e ficando por cima dela, e deslizando as mãos pelo seu corpo, por baixo da camisola que usava, e sentindo meu pênis, que ainda estava dentro dela, ficando duro de novo.

Eu a havia feito minha mais uma vez, e após chegarmos ao nosso ápice de novo, nós permanecemos na cama por alguns minutos, até que resolvemos que já era tarde e tínhamos muita coisa para resolver. Após um banho e de comermos algo, Bella colocou a sua roupa de montaria e seguimos para o pequeno fosso da ilha, acabamos esbarrando em Emmett, que queria terminar de resolver os problemas de ontem, mas eu disse que ficaria para depois, tínhamos coisas um pouco mais urgentes para resolver no momento e avisei que antes de anoitecer já deveríamos estar de volta.

- Eu estou surpresa pela visita de vocês! – Gianna falou sentada no trono de madeira de seu marido, Emma estava de pé ao seu lado, e evitava olhar para Isabella. – Principalmente porque minha neta voltou a morar com vocês ontem! –

- É sobre isso mesmo que queremos falar com você. – avisei.

- Algum problema? –

- Da nossa parte nenhum, mas pensamos que possa haver problema da parte de vocês. –

- Da nossa? – ela perguntou confusa e seguiu o olhar de Isabella, que olhava para Emma. – Está tudo bem, querida? – perguntou a neta.

- Sim, se importa caso eu me retire? – Gianna apenas assentiu. – Com licença. –

- Eu não queria separar as duas, Gianna. – Bella disse sem jeito, quando a porta foi fechada.

- Você não as separou. Não se preocupe. – ela se levantou do trono. – Qual é o problema? –

- Anna chegou mal ontem em Dragonstone, disse que discutiu com a irmã. –

- Eu sei! – suspirou. – E imagino o motivo. –

- Se fosse só pelo dragão… Tessarion colocou novas ninhadas, tem vários ovos nas incubadoras e… -

- Ela não quer tentar mais, Isabella. – Gianna interrompeu a minha esposa. – Eu mesma já devo ter dado a ela nesses quatro anos vários ovos das ninhadas anteriores de Meleys e nenhum chocou, ela decidiu que não quer mais tentar. –

- Tem dragões em Dragonstone, prima, sem falar que tem em Adhara. Eu sei que os dragões que estão em Dragonstone, são… enormes… Vermithor e Silverwing eram de nossos avós, mas ela pode se ligar a eles… Ela não precisa de um ovo. –

- Eu falei isso com ela, não gostaria que ela se ligasse aos dragões de nossos avós, eles eram dragões de batalha, sabe disso, não a queria envolvida nessas coisas, mas é praticamente toda a sina de qualquer montador de dragão, não é? – suspirou. – Porém, primo, devo confessar que eu vejo medo nos olhos dela, quando ela vê um dragão, Meleys, Moondancer, e vi o mesmo medo hoje ao ver Tessarion ou Caraxes. –

- Acha que esse medo pode ter sido pela forma como a Jane… faleceu? – Bella perguntou sem jeito.

- Sim! Acredito que sim! Estou tentando aproxima-la aos poucos de um dragão adulto, e eu não quero que os primeiros que ela tente sejam logo Vermithor ou Silverwing. Tinha que ver o medo estampando nos olhos dela quando o dragão a rejeitou… –

- Um dos ovos da Tessarion se chocou sozinho na incubadora no último ano, pensamos por um momento que iria se unir a um dos trigêmeos, mas não, os ovos que os irmãos escolheram para eles todos se chocaram… Caso queira… Qual é o nome que os meninos colocaram? – Bella me perguntou.

- Morning, se eu não me engano. É um dragão rosado, ele é lindo. Tem no momento o tamanho que Tessarion tinha quando se ligou a Isabella, um pouco maior que um cão. –

- Por ser pequeno ainda eu ficaria muito tentada em tentar, caso Emma queira. Agradeço aos dois! Principalmente a você, Isabella, já que é da ninhada do seu dragão. Porém, não vieram até aqui para isso! O que houve? –

- Eu talvez tenha feito algo que você possa não gostar… -

- O que? –

- Quando a Jane morreu e a Anna tinha medo que vocês… a senhora sabe, eu disse que caso ela, elas na verdade, quisessem, poderiam ficar conosco. – ela assentiu, ela sabia dessa história. – E bom, quando a Anna foi morar conosco em Adhara, eu me vi nela… sabe que eu cresci sem a minha mãe, e isso é horrível. Então, eu disse que caso ela precisasse de uma mãe, era só falar comigo. –

- Eu sei disso, Bella. Você ajudou muito a Anna nesses quatro anos, por que eu não gostaria disso? –

- Ela quer a minha permissão para que ela possa me chamar de mãe! – contou e por um momento Gianna ficou estática. – Por isso ela e a Emma brigaram. Emma acha que eu quero substituir a Jane, e que Anna esteja substituindo a Jane. E eu não quero, quero deixar isso bem claro! –

- Entendo a Emma, mas eu também entendo a Anna. E eu não acho que você estaria tentando substituir a Jane, como você mesmo disse, você sabe o que é perder a mãe, e sabe que caso o seu pai se casasse de novo, por mais que você gostasse da nova esposa, ela jamais assumiria o lugar da sua mãe. -  ela sorriu. – Eu gosto de você Bella, te acho encantadora, e sempre disse isso. Admiro a forma que cria os seus filhos, são as crianças mais bem educadas que eu conheço, principalmente levando em consideração quem é o pai! – brincou. – Eu não me importo caso Anna queira te chamar de mãe, eu sei que cuida dela, desde que a conheceu como se realmente fosse. Sei que… - suspirou. – Sei que a Jane não escolheria outra pessoa melhor. E eu vou conversar com isso com a Emma, não precisa se preocupar. Se o que te afligia era a minha reação, fique calma. Sei que criara ela muito bem! –

- Eu fico realmente muito mais calma, noite passada eu mal consegui dormir com essa preocupação. -

- Prima, agora eu quero pedir a sua permissão. –

- Quer ser chamado de pai também? Não vou me opor, odeio o maldito que elas tinham como pai! –

- Não é isso! – eu me aproximei um pouco mais dela, para que os guardas não nos ouvissem. – Sabe da situação de Carlisle? – ela assentiu. – Já tem um tempo que eu e a Isabella, e até mesmo Charlie, percebemos que quando ele morrer, vai haver uma guerra civil. –

- Todos já perceberam isso, Edward! Espero que não chegue a um nível de se tornar uma guerra de dragões, mas sei que é quase impossível. –

- Pois bem, ontem eu ensinei o Liam a montar, eu sei que ele é pequeno, mas eu tenho um motivo, e quero, assim que a Moondancer aguentar, eu quero ensinar a Anna a montar. Como expliquei para a Isabella ontem a noite, se a guerra explodir eu quero que o máximo possível de pessoas, que não vão participar dessa guerra, e que saibam montar, estejam prontas para fugir para um lugar seguro! Anna ainda quer continuar treinando com os garotos, se for a sua vontade, eu continuo com o treinamento, mas por mim quando a merda explodir, eu os quero longe daqui! –

- Eu já mandei fazer a sela dela, ficará pronta nas próximas luas. Assim que ficar pronta eu envio até Dragonstone. E sim, tens a minha permissão para continuar o treinamento caso ela queira, e a ensina-la a montar assim que possível. Como ela quer morar com vocês, fique à vontade. Sei que não preciso pedir por noticias, porque Isabella me mandava um corvo a cada virada de lua. –

- E o lorde Black, como está? –

- Vivo e bem. Seu pai tem mandado homens e provisões e eu mando o que eu posso. Espero que essa guerra acabe de uma vez. Se a situação aqui já não fosse critica, eu pedia para que você fosse até lá ajudar. –

- Gianna, agora que eu percebi. Disse que vistes medo nos olhos de Emma quando o dragão a rejeitou. A qual dragão se referiu? Não é apenas Meleys que está em Driftmark? –

- Seasmoke. – respondeu.

- Boatos que ele tinha sumido depois da morte de Alec. – comentei.

- Ele voltou de repente uns meses depois, divide a caverna com a Meleys. – explicou. – Mais algo que os preocupe? – nós dois negamos. – Ótimo! Isabella eu posso falar com você, em particular? –

- Claro. –

- Eu te espero lá fora! – avisei e ela assentiu. – Foi um prazer revê-la, prima. –

Eu saí do salão do pequeno castelo e fui para o lado de fora, mal cruzei a porta e vi Emma parada no parapeito de pedra olhando para os dois dragões na praia, eu percebi que a sua mão tremia, e não sabia ao certo se era pelo medo que Gianna comentou, ou se pelo vento frio e clima ainda chuvoso que pairava sobre a ilha.

- Você não precisa ter medo deles. – ela se sobressaltou ao ouvir a minha voz.

- Eu não tenho medo deles! – disse erguendo o nariz.

- Não ter um dragão, não te faz menos filha da sua mãe do que a Anna. – comentei. – Sei que não quer mais tentar com ovos, e sei que fracassou com Seasmoke. Estava dizendo a sua avó, temos dragões em Dragonstone, temos um… filhote ainda, um pouco maior que um cachorro. Meus filhos o batizaram de Morning, um dragão rosa com os espinhos pretos… linda. Caso ainda queira ter um dragão, peça a sua avó para que lhe leve até Dragonstone e eu vou com você para que veja o dragão. –

- Por que está fazendo isso? –

- E por que não faria? – rebati. – Eu sei que brigou com a sua irmã por causa de minha esposa. Isabella não quer tirar o lugar da Jane de vocês. Isabella sabe pelo que vocês passam, ela perdeu a mãe muito cedo, seis anos se eu não me engano. Ela sabe o que é crescer sem uma figura materna, por isso ela disse que podia ser essa figura para vocês, caso queiram. Isso não apaga quem foi a Jane! Isso não apaga a Jane da vida de vocês. A sua irmã aceitou essa figura materna, Gianna permitiu, caso queira… será bem vinda em Dragonstone, e como a Bella disse, será muito bem vinda como a nossa oitava filha. – ela não falou nada. – Eu poderia te levar para perto deles, para que veja que não deva teme-los… - torci o nariz. – Mas Tessarion é temperamental igual a montadora, não consigo controla-la, nenhuma das duas alias. – ela riu. – Vai lá com a sua avó ver a Morning, ou outro ovo caso queira. Quando eu era pequeno eu era igual a você… vários ovos petrificaram em minha mão, falaram que eu tinha a mão amaldiçoada e que nenhum ovo vingaria em minhas mãos… talvez eles estivessem certos, e de certa forma foi bom isso, caso um deles tivessem se vingado eu jamais montaria em Caraxes. Talvez o seu destino não esteja em um ovo, Emma, talvez esteja em um dragão vivo! –

- Atrapalho? – eu me virei e vi que Bella passava pela porta de madeira da entrada do castelo.

- Claro que não! Pronta para voltar? – assentiu e vi que Gianna estava logo atras de Isabella. – Disse a ela sobre a Morning, leve-a lá. –

- Caso ela queira. Façam uma boa viagem. –

Nós nos despedimos das duas e seguimos o caminho que levaria até a praia onde nossos dragões estavam nos esperando, enquanto andávamos eu sentia um par de olhos queimando em mim, e ao virar a cabeça eu vi que era Isabella.

- O que foi? –

- Dissestes-me que jamais pegou um ovo de dragão, por que disse que vários empedraram em suas mãos? –

- Porque eu não quero que ela se sinta mal. Eu não menti quando disse que o destino dela pode estar em um dragão já chocado. Deixe-a pensar que eu tentei com vários ovos igual a ela e que no final achei o meu dragão perfeito, ela precisa saber que o que ocorre com ela é normal. –

- E é? –

- Eu não sei, mas deixe-a pensar que é! Sei que Gianna não irá me desmentir caso ela pergunte. E o que Gianna queria falar em particular com você? –

- Tem algum lugar que podemos conversar, sem ser aqui ou em Dragonstone? –

- Me segue. – pedi.

Nós montamos em nossos dragões e alçamos voo, porem, ao invés de seguirmos para Dragonstone, eu guiei Caraxes até o continente, estava frio e ventando, mas era o que mais perto que tínhamos.

- Onde estamos? –

- Em algum pântano de Crackclaw Point. É seguro. O que ela queria? –

- Ela veio falar que apesar de tudo, ela continua gostando de mim e sabe que eu jamais faria ou compactuaria com algo desse tipo. –

- Do que ela está falando? –

- Ela tem certeza de que a Rosalie armou a morte do Alec! Por isso ela evita ir até Dragonstone, não quer ficar perto de Rosalie. – Bella engoliu em seco. – E quanto a você… e quanto a você ela está dividida. Ela sabe que Rosalie não agiu sozinha, mas ela acha, ou melhor, espera, que, por estarmos casados, ela espera que você não a tenha ajudado… Mesmo depois de os criados terem dito a ela, que ouviram Rosalie falando com você que teria sido melhor se você tivesse se casado com ela e não comigo, e para que você a tomasse como esposa no dia do enterro da Jane. – ela falou entre os dentes e com os olhos marejados. – Por que não me falou isso? –

- Eu não queria que você se decepcionasse com a sua amiga. –

- Amiga? – repetiu entre os dentes. – Se ela fosse a minha amiga ela jamais pensaria nisso! Ela sabe de tudo o que eu fiz para ficar com você e no final, pede para que você se case com ela para que a vida dela fique mais fácil? – perguntou e eu vi lagrimas escorrendo de seus olhos, tudo o que quis evitar há quatro anos, estava acontecendo na minha frente e eu não sabia o que fazer. – Por isso você ficou nervoso quando eu disse que ela tinha me contado do plano de se livrar do Alec, você achou que ela tinha dito que era sobre esse casamento. –

- Eu não casei com ela, Isabella, jamais me casaria. Não me olhe como se eu tivesse feito isso as escondidas. – pedi. – Eu deixei bem claro para ela que jamais faria isso com você, por nenhum motivo que fosse. – disse levando as minhas mãos para o seu rosto.

- Por que não me contou? – perguntou com os olhos cobertos pelo choro.

- Você tinha acabado de perder a Jane, e eu sabia que você iria ficar com raiva da Rosalie, não queria que ficasse sem amigas no momento difícil que estava passando. Eu… - eu limpei seus olhos, mas quanto eu mais limpava, mas ela chorava. – Eu sei que está com raiva de mim e… -

- Eu não estou com raiva de você… estou com raiva dela! Estou decepcionada com ela! Depois de tudo, depois de todos esses anos, depois de ela tanto falar que nos apoiava, que eu era a melhor amiga dela… é assim que ela age comigo? Por isso ela queria que a gente voltasse de Walano, nas duas vezes, por isso ela queria que voltássemos para Dragonstone, ela quer ficar perto de você… -

- Rosalie não gosta de mim desse jeito, Isabella, ela não me ama, se é isso que está se passando pela sua cabeça. Ela só queria se casar comigo para que os seus filhos fossem legítimos, para que a sua subida ao trono não fosse contestada. Ela não me ama! E se amasse, eu não a amo! Eu amo você. Eu fiz tudo o que eu fiz por você, tudo! Eu renunciei ao trono por você, eu não fui para Stepstones agora por você, eu deixei Andrômeda duas vezes e deixarei mais quantas forem necessárias, por você! Eu limpei as merdas da Rosalie por você, porque eu sei que você ficava mal pelos problemas que ela passava. Tudo o que eu fiz desde que eu me vi apaixonado aos seus doze anos, foi por você! Então, se ela sente algo por mim, que sinta! Eu não sinto nada! Se ela ainda pensa em se casar comigo, que pense. Olha para mim. – eu levantei a sua cabeça obrigando-a a me olhar. – Eu jamais tomarei outra esposa sem ser você. Jamais! – eu comecei a sentir os meus olhos lacrimejando ao olhar para os olhos de Isabella, ela estava com o coração despedaçado, e isso era visível mesmo por cima do mar de lágrimas. – Eu mataria e morreria por você, Isabella, você sabe disso. – ela tirou as minhas mãos de meu rosto e me abraçou forte, escondendo o rosto contra o meu peito.

Junto com o choro forte de Isabella conta o meu peito, a chuva, que outrora era fraca sobre as nossas cabeças, se intensificou, estava forte, forte e fria, parecia como pequenas lâminas de gelo batendo contra a nossa pele, e em poucos segundos estávamos enxarcados.

- Vamos sair dessa chuva. –

Eu conhecia bem pouco a região, mas sabia que mesmo sendo pântano, era formado por enormes cavernas e não foi difícil encontrar uma. Sem eu precisar ordenar, Caraxes ateou fogo em um tronco velho e caído que estava dentro da caverna. A mesma era extensa, porém não muito comprida e com os dragões entrando junto não foi muito confortável. Nós acabamos ficando entre os dois, Tessarion mais atrás e Caraxes cobrindo a entrada da caverna, e com o fogo que queimava a nossa frente, o bafo e o calor que vinha dos dragões, não demorou muito e logo estávamos completamente secos e havíamos parado de tremer de frio.

Bella continuou chorando e chorou até dormir em meu colo, e por um momento parecia que estávamos há vinte anos, quando Esme havia falecido e nós fugíamos a noite para ficar fora da Fortaleza Vermelha e passávamos a noite nas cavernas do Vallis ou de Dragonstone.

Na manhã seguinte quando Bella acordou, ela estava um pouco rouca, e eu sabia que era mais pela chuva do que pelo choro, e esperava que ela não ficasse doente, eu precisava dela bem e inteira. Ela não estava pronta para voltar para Dragonstone, ou então ela simplesmente não queria, sugeri que ela voltasse a Adhara ou a Rosby e eu ficaria encarregado de buscar as crianças, mas ela não aceitou. Não achava justo que os meninos ficassem toda hora mudando de casa toda hora, queria que eles tivessem um lar, mesmo sabendo que esse lugar não seria em Dragonstone.

- Está mais calma? – perguntei quando pousamos na ilha, a chuva tinha parado de cair, mas nuvens fortes e carregadas continuam a cobrir toda a baía da água negra, não demoraria muito e logo choveria de novo, e tão forte quanto da última vez.

- Não! Mas durante uma boa parte da minha vida eu precisei fingir que estava bem ou calma quando não estava, não precisa se preocupar. –

- “Não precisa se preocupar”, obvio que eu preciso, eu não quero que você finja estar calma, se está com raiva coloque a raiva para fora, não deixe que isso fique te corroendo. –

- Vocês voltaram! – a voz de Rosalie surgiu saindo do castelo e os olhos de Isabella marejaram de novo. – Falaram que voltariam ontem, onde passaram a noite? – nós não respondemos e Bella sustentava o meu olhar, mesmo eu vendo que ela se esforçava para não chorar, suas pálpebras tremiam como se ela quisesse desabar igual noite passada de novo.

- Coloca a raiva para fora! – mandei.

- Amiga? Tudo bem? – a dor visível nos olhos de Isabella se tornaram em pura raiva ao ouvir Rosalie a chamar de amiga.

- Colocar para fora? Tudo bem! – engoliu o choro e passou as mãos pelo rosto se afastando de mim.

- Amiga o que houve? –

- Nunca mais fale comigo na sua vida! – e sem falar mais nada ela passou pela Rosalie.

- Mamãe… - Didyme que estava com a babá perto da porta, disse feliz ao ver a mãe, que sem falar mais nada, pegou a filha no colo e seguiu para dentro do castelo.

- O que houve? –

- Ela já sabe! – disse simplesmente me livrando das minhas luvas e me aproximando dela.

- Do que? –

- Da sua indecente proposta de quatro anos atrás! De querer se casar comigo! –

- Como ela sabe disso? Por que contou? –

- Eu não contei! Gianna contou! Alguém ouviu e contou para ela. E ela tem certeza de que você armou a morte do filho dela. Com licença, eu estou exausto! – passei por ela. – E avise ao seu marido que a noite iremos todos nos sentar e conversar, estou cansado de limpar a sua sujeira! E não, eu não vou limpar essa sujeira! Se ela não quiser voltar a falar com você, não sou eu quem vai tentar convencê-la do contrário! –

Eu entrei no castelo e segui o caminho para o meu quarto, eu precisava de um banho e de descansar, eu havia passado uma boa parte da noite em claro, Emmett ao me ver tentou falar comigo e eu apenas neguei com a cabeça e segui andando, não queria resolver problemas dos outros agora.

- O que houve mamãe? –

- Nada, minha princesa. – ouvi a voz de Isabella falando com a nossa filha ao entrar no quarto. – A mamãe só estava com saudades de você, meu amor. – ainda com os olhos marejados, ela beijou a cabeça da filha.

- Papai… -

- Oi princesinha… - eu me aproximei e lhe beijei a testa e beijei a testa de Bella, que respirava fundo para se acalmar. – Cadê os seus irmãos? –

- Não sei. O Peter e a Sulpicia dormiram depois do almoço, e como eu não quis dormir, a Maggy ia me levar até a praia. –

- Quer ir a praia, amor? – Bella perguntou.

- Não, eu quero ficar com a mamãe. – respondeu se agarrando ao braço da mãe.

- E comigo? – perguntei e ela riu.

- E com o papai também. – ela me puxou para mais perto dela.

- Me dá ela, Bella, vai se trocar… - ela negou.

- Vai primeiro, deixa eu me acalmar. –

Uma batida soou pela porta e eu permiti a entrada, as criadas chegaram com água quente e comida quente e ao deixar tudo, foram embora. Eu me limpei e me troquei primeiro e ao voltar ao quarto, Bella já estava um pouco mais calma, ou então estava fingindo. Ela me entregou a nossa filha e foi se limpar e trocar, e ao voltar quis ir direto para cama, e só comeu por que eu praticamente a tinha obrigado, e após comer, pouco, ela pegou a menina de novo e deitou na cama com ela.

Quando a noite caiu eu resolvi que era a hora de resolver de vez as questões, eu queria paz, não queria resolver problemas dos outros, nós nos reunimos na sala da mesa pintada após as crianças dormirem, Bella se sentou bem longe de Rosalie, e evitava olhar para ela, e Emmett havia percebido que havia uma rusga ali entre elas.

- Muito bem, eu resolvi nos reunir aqui, porque eu estou cansado de limpar a merda dos outros! Então, vamos resolver essas coisas de uma vez por todas! –

- Por que eu estou aqui? –

- Porque te envolve! – respondi simplesmente.

- Isabella, me escuta. –

- Eu não quero te ouvir, eu não quero saber! –

- Isabella, naquele momento eu só pensei que… -

- Você não deveria ter pensando em nada. Se dizia que era a minha amiga, e pelas minhas costas vai falar com o meu marido para se casar com você? – Isabella gritou para ela e Emmett me encarou sem entender nada. – Eu não quero ouvir os seus motivos, nenhum motivo é forte o suficiente para você pensar nessa ideia! –

- Diz isso porque não está no meu lugar, senão… -

- Eu jamais pediria para o marido da minha melhor amiga se casar comigo. Independente da situação em que eu me encontrasse. Estando no seu lugar ou não. Eu tenho princípios! E jamais trairia a minha amiga dessa forma, igual você me traiu! Eu não estou com raiva, eu estou decepcionada, o que é muito pior. Raiva passa, decepção não! – ela se voltou para mim. – Acaba logo com isso, quero ir embora! –

- Dá para alguém me explicar o que está havendo? – Emmett questionou.

- Há quatro anos, no enterro da Jane, a Rosalie veio falar para mim que a vida dela seria mais fácil caso fossemos casados, e que eu deveria toma-la como esposa para que ninguém contestasse a sua subida ao trono! – expliquei. – E eu não preciso dizer que eu deixei bem claro, duas vezes, que eu jamais faria isso! –

- E está com raiva pela forma que ela está reagindo? – Emmett questionou olhando para a esposa. – Ela está até calma! –

- Muito bem. Vamos resolver isso logo! A questão é a seguinte, Rosalie. Você é a futura rainha e todo mundo aqui já entendeu isso, não precisa falar isso para ninguém. Porém, servindo como copeira do seu pai, você percebeu que ele não reina sozinho, ele tem os seus mestres, ele tem a sua Mão, justamente para que ele não se sobrecarregue. Dito isso, você vai passar a dividir as suas cargas, a decisão final é sua, mas você vai dividir, principalmente com ele. – apontei para Emmett. – Ele é seu marido, seu futuro rei consorte, se você não confia nele, o que faz com ele ainda?! Pois bem, Emmett suspeitava de algum infiltrado aqui… -

- E já descobri, eram dois. Um da cozinha e um dos quartos, estão presos esperando saber o que faremos com eles. –

- Viu? Já tinha sido resolvido a tempos se tivesse o deixado fazer o trabalho dele. – debochei. – Eu vou me encarregar de treinar os garotos, não quero pensar que eles possam entrar em alguma guerra futura, mas quero que saibam se defender. Anna também quer se defender e irei treina-la também, e ficarei encarregado da segurança externa. Isabella caso queira irá cuidar de seus filhos, acredito que ela não se importe. –

- Nem um pouco! –

- Isabella nasceu para mãe, todos nós sabemos disso! – debochei e eu vi que ela não tinha gostado do meu comentário. – Emmett ficará encarregado da segurança interna, ninguém entra nesse castelo para trabalhar, independentemente da área, sem passar por ele. – falei firme.

- E eu? –

- Você supervisiona! É praticamente o que o seu pai sempre fez! – debochei de novo. – Gianna deverá vir nos próximos dias com Emma, oferecia a ela Morning, caso ela queira tentar com um dragão já vivo, e isso é apenas um aviso, porque o dragão vem da ninhada da minha esposa e isso não lhe diz respeito. Alguma contestação? –

- O que significa exatamente que Isabella irá cuidar dos meus filhos? –

- Significa o que a palavra cuidar realmente significa. Eles continuarão a ter as suas aulas, mas eles não viverão dentro delas, terão tempo para serem… meninos. E é isso a que eu me refiro. E sejamos sinceros Rosalie, nunca ouvi sair da sua boca você perguntar para alguma das criadas se os seus filhos já tinham comido ou se estavam dormindo, e dela eu já ouvi diversas vezes. Então é isso o que ela vai fazer. Não gostou? Não quer? Aja como mãe! Pelo que vejo da Isabella fazendo, não é difícil! E não venha nos falar dos seus problemas… todos eles foram arrumados por sua irresponsabilidade, os meninos não tem nada haver com isso. –

- Mais algo? – Isabella questionou me encarando e eu olhei para os dois na minha frente esperando que fossem falar algo.

- Não, acho que acabamos! –

- Boa noite. – ela se levantou e saiu da sala, e eu fui logo atrás.

Demorou uns bons dias para que Isabella se acalmasse de vez, não havia voltado a falar com Rosalie e a evitava o máximo possível. As chuvas demoraram para passar e devido a isso ficou difícil de treinar os meninos do jeito que eu queria, mas finalmente, depois de quase três semanas interruptas, o sol voltou a brilhar e eu podia leva-los para o lado de fora. Hoje não seria luta com espadas, seria com arco e flecha, mesmo eu não gostando muito, admitia que era útil e que deveriam saber.

- Você está sendo apressado, Jaime. Solte a flecha com a respiração presa. Quando soltar a flecha, solte a respiração. – avisei andando atrás deles. – Relaxa e abaixa os ombros Anna. –

- Edward. – Bella me chamou entrando no pequeno e improvisado campo de batalha. – Chegou um corvo do meu pai. –

- E o que ele quer? – ela aproximou a cabeça da minha.

- Jéssica casou o Henry com a Alice. – falou em meu ouvido.

- Hipócrita! – disse simplesmente. – Não era ela quem reclamava quando falávamos de “pureza de sangue”, e ela faz o mesmo? – olhei para as crianças. – Braços na altura do ombro Luke. – voltei para Isabella. – Sabe o que ela está tentando fazer, não sabe? –

- Eu sei! –

- Senhor… - uma guarda correu para a nossa direção. – Senhora… - ele respirou fundo. – Tem um navio com as bandeiras de Driftmark se aproximando do porto. –

- Sinal de dragão? – ele negou. – Deve ser Emma, deve ter vindo ver Morning. Volte ao seu posto. – mandei. – Surpreso por Gianna não ter vindo! –

- Ela não quer ficar perto de Rosalie, e nem eu! – respondeu olhando por cima dos meus ombros.

- Muito bem, Luke. – Rose disse ao filho quando ele acertou a milímetros do alvo.

- Eu vou esperar pela Emma no porto. Quando formos até o fosso eu lhe chamo. – eu apenas assenti e ela se afastou ao mesmo tempo que Rosalie se aproximou de mim.

- Charlie mando um corvo. Jéssica casou Henry com Alice. –

- Hipócrita! – cuspiu.

- Tente de novo, Luke. – me afastei de Rosalie e me aproximei de seu filho. – Braços na altura do ombro, puxe a flecha até sentir as penas encostarem na sua bochecha. Mantenha o foco no circulo azul, respire fundo, prenda a respiração, e solte a flecha. – ele respirou fundo algumas vezes e repetiu o passo a passo que eu tinha passado, e dessa vez ele acertou o alvo bem no centro dele. – Boa garoto! – eu baguncei seus cabelos curtos e pretos e ele riu, e me aproximei de Anna, que tinha cinco flechas cravadas no centro do alvo, e mal eu parei atrás dela, ela cravou a sexta. – Está com raiva de alguém? – ela negou rindo. – Muito bem! – eu beijei sua cabeça. – Já que todo mundo acertou o alvo, vamos dificultar um pouco… Pode subir! – mandei e os guardas puxaram um dos alvos e o afastaram. – Um a um, quero ver quem vai acertar o alvo em outro angulo, a distancia e em movimento! – avisei. – Quem acertar, eu levo para caçar comigo da próxima vez que for ao continente… - mal terminei de falar e ouvi uma flecha rasgando o ar e ao me virar eu vi que tinha sido Anna quem tentou e que acertou em cheio mais uma vez.

- Parabéns Anna. –

- Anna… - a voz de Bella foi ouvida ao se aproximar. – Surpresa para você. – ela se virou e viu que Emma estava ao lado de Isabella. Ela fez menção de ir, mas parou me encarando.

- Vai logo garota. – rindo, ela soltou o arco no chão e correu para abraçar a irmã, quase a derrubando.

- Quem acertou? – Bella questionou ao parar ao meu lado e vendo o alvo no boneco erguido.

- Ela! De primeira. –

- Ela é boa! –

- Ótima. Eu nunca tinha acertado! – admiti e Bella riu.

- Andem, guardem os arcos e recolham as flechas, para dentro e lavem as mãos para comerem. –

- Quem disse que o treino acabou? –

- Eu! – Isabella respondeu simplesmente.

- A sua sorte é que eu deixo você mandar! – ela sorriu ao se aproximar e me dar um beijo. – Olá Emma. – disse quando ela se aproximou abraçada na irmã, pelo visto tinham se entendido.

- Oi. –

- Depois do almoço, caso queira, vamos ver o dragão. – ela apenas assentiu animada.

- Bora, as duas para dentro se limparem para comer. – Bella mandou e Anna puxou a irmã para dentro do castelo.

- A noite quero falar com você. –

- Sobre? –

- Resolvi aquela questão. –

- Qual? –

- A do lugar seguro! Vou marcar um dia para te levar até lá, e depois vou fazer o trajeto com os garotos! –

- Tudo bem. Venha, vamos comer e sair desse sol! –

x.x.x

- Pronta? – perguntei a Emma quando ela se encontrou comigo da escadaria que levava ao fosso.

- Confesso que estou nervosa. –

- Não precisa se preocupar, a Morning ainda é muito pequena, caso ela te rejeite, ela só vai chiar e se virar, não vai te atacar igual aos dragões mais crescidos. –

- Posso fazer uma pergunta? – eu assenti. – Minha avó disse para eu tentar apenas com a Morning… tem mais algum dragão sem montador aqui? –

- Tem. – admiti. – Tem Vermithor e Silverwing. Eram os dragões dos meus avós. Meu avô, Marcus, montou em Vermithor, e minha avó Didyme, montou em Silverwing, porém ambos são dragões adultos, e muito grandes, acredita-se que Vermithor tenha cem anos, Silverwing não deve estar longe. São dragões ferozes e que estão há muitos anos sem montador e com pouquíssima presença humana, portanto, tentaremos apenas com a Morning. – ela assentiu e eu apontei para a porta que levava até a passarela do fosso, onde um guardião tinha o pequeno dragão, que agora estava um pouco maior do que um cachorro, parado ao seu lado.

- Ela é linda! – exclamou. – O que eu faço? –

- Nada. deixe-a que ela te cheire, caso ela te aceite, ela irá… prestar uma reverência ou pular em seu colo. – o pequeno dragão cor-de-rosa se aproximou e Emma se abaixou, ela tentou fazer carinho na cabeça do animal, e imediatamente a minha mente viajou para quando Rosalie deu Tessarion a Isabella, ela também tinha se agachado e tentado fazer carinho no dragão, porém Tessarion aceitou o carinho, Morning não, ela chiou e tentou morder a mão de Emma, e simplesmente se virou e voou para dentro do fosso.

- Pelo visto estou predestinada a não ter nenhum dragão. – suspirou.

- Não diga isso! – eu tentei consola-la. – Eu já lhe disse, pode não ser Morning, e pode ser outro dragão crescido. Pode mesmo ser os outros dois dragões que estão lá embaixo, e tem vários outros em Adhara. – mesmo assim, ela continuava cabisbaixa. – Acha que consegue trazer Vermithor ou Silverwing? – questionei ao guardião que torceu o nariz.

- Acho melhor ir com calma, alteza, eles não se aproximam de humanos a muitos anos, e as vezes ainda estranham os que vão alimenta-lo. Mas caso queira, eu posso ir, com calma, preparando-os para se aproximar de humanos e então, podemos tentar. –

- Quando você tem que voltar? –

- Minha avó falou que quando eu quiser é só mandar um corvo a ela. –

- Muito bem. Ele vai preparando os dragões e quando estiverem prontos nós vamos tentar. – ela assentiu um pouco mais animada. – Vamos voltar. –

Eu só voltei a ver Isabella a noite, ao voltar para o quarto, ela pelo visto tinha voltado a pouco tempo, pois estava sentada na ponta da cama, se livrando de seus sapatos.

- E então? – eu apenas neguei.

- Pedi para os guardiões preparem Vermithor e Silverwing, vai que… -

- Edward, eles são enormes e estão a muito tempo sem montadores. –

- Eu sei! – respondi tirando o cinto de armas da minha cintura, e pendurando-o contra o encosto da cadeira. – Mas antes mesmo que ela possa chegar perto deles, eu vou conferir se é seguro. –

- O que queria falar comigo sobre o local seguro? –

- Você não vai gostar! – ela apenas ficou me encarando. – Eu lembrei recentemente que quando me casei com a Nettie, o pai dela havia nos dado uma casa para morar nos primeiros anos de casamento. Ela não deixou o palácio da família e eu não deixei Adhara, lembra quando eu disse que ia sair e que voltaria até o final do dia? – ela assentiu. – Fui até essa casa, ela está abandonada. –

- Os Royce te odeiam, Edward. Alias, e o tio de Nettie? –

- Morto, eu acho. Eu não faço ideia e também não me importo com isso. Não ligo para saber quem está a frente dos Royce. Mas Jenny é prima de Rosalie, quer dizer, era prima de Esme, acredito que ela não permitiria que os Royce tentassem algo. E esse é um dos lugares, eu tenho outros em mentes, fora de Andrômeda, alias. –

- Quais você pensou? – perguntou quando eu me sentei ao seu lado.

- Além desse perto de Runestone, tem Mensa, Apus, por enquanto. Em Apus, os Volturi não vão se intrometer em uma guerra, a menos que os envolva, mas aceita receber vocês e o seu irmão caso seja necessário. Dimitri e Mike se deram bem! Mensa infelizmente não teria ninguém, mas seria apenas o tempo necessário para arrumar um barco para Walano. Eu vou pensar em outros lugares. –

- Relaxa, não se cobre tanto por isso. – ela aproximou a cabeça da minha e me deu um beijo.

- Por mim eu tirava vocês daqui agora, com Carlisle ainda vivo! – falei quando ela sentou em meu colo.

- Apenas se você fosse junto, e eu sinto que você não iria. – rebateu apoiando a testa contra a minha.

- Pede que eu vou! – respondi e ela abriu a boca, mas não foi dela que saiu o som.

Um som alto e forte de um rugido soou por todo o castelo, isso se não soou por toda a ilha, e um pequeno tremor passou pelos nossos pés, sendo seguido por gritos de desespero. Bella se levantou do meu colo e eu me levantei da cama, e pela janela víamos que do pequeno fosso saia labaredas, algum dos dragões estava nervoso, mas pelo rugido não era nem Caraxes, Tessarion ou Syrax, mas era um dragão adulto…

- Merda!! – exclamei.

Eu saí do quarto e praticamente fui correndo na direção do fosso. Pelos deuses, que Emma não tinha sido tão idiota ao ponto de chamar por Vermithor sozinha. Eu cheguei a entrada do fosso ao mesmo tempo em uma chama dourada atingir em cheio a parede de pedra, e quando a chama passou, uma pessoa saiu correndo da passarela com chamas por todo o seu corpo.

- Por que ele está assim? – Bella perguntou atrás de mim, e eu apenas a encarei. – Não! –

- Fica aqui. –

- O que você vai fazer? – questionou quando eu me aproximei da entrada do fosso. – Edward, não seja maluco, chame os guardiões. –

- Acha que esse corpo queimando ao meu lado é quem? – questionei um pouco mais ríspido do que eu queria. – Fique aqui. – mandei de novo. O enorme dragão, cor de bronze, estava com a cabeça pairando por cima da passarela, ele estava nervoso e irritado e cuspia fogo para todos os lados. Eu vi que Emma estava escondida na escada que ia para o fundo do fosso. – Você está bem? – ela assentiu com o rosto cheio de fuligem. – Vai com a Isabella. – mandei quando o dragão rugiu de novo. – Vermithor! – eu o chamei com a voz firme e falando em Cariano e ele rugiu de novo, tão alto, que fez o chão sobre os meus pés tremerem. – Se acalma! – eu ia falando com firmeza para ele enquanto me aproximava. – Vai logo com a Isabella, Emma! – mandei sem desviar os olhos do animal. – Me obedece! – ordenei quando ele abriu a boca para cuspir fogo de novo. – Me obedece! – falei de novo e ele fechou a boca. – Acalme-se! Acalme-se! – ele fechou completamente a boca e o rugido sumiu em seu peito. Devagar, eu passei a mão pelo seu focinho, como uma prova que ninguém machucaria ele ou lhe faria algo. – Calma! – pedi mais uma vez. – Volte para o fosso! – ele não me obedeceu. – Desça para o fosso. – mandei de novo e dessa vez ele me obedeceu e sumiu na escuridão do fosso.

Assim que ele sumiu e eu não ouvi sequer os seus passos, eu voltei para o castelo, os guardiões e os guardas já se aproximavam para ver o que tinha acontecido, e começaram a tirar o guardião que tinha sido queimado e estava morto no chão.

- Quem? – o chefe dos guardiões perguntou ao me ver.

- Vermithor! – respondi simplesmente e fui atrás de Emma. Ela estava sentada na escada e tremia descontroladamente. – Você enlouqueceu? – eu gritei fazendo com que Isabella se assustasse mais do que a próxima Emma. – Você podia ter morrido, tem noção disso? Tem noção de que no mínimo uma pessoa foi morta pela sua irresponsabilidade? –

- A… - ela tremia tanto que mal conseguia falar. – A tia Rosalie disse que não tinha problemas. –

- É o que? – questionei incrédulo.

- Depois do jantar ela veio conversar comigo, disse que soube que Morning havia me rejeitado, e eu contei que iriam preparar Vermithor e a Silverwing para que eu pudesse chegar perto, ela disse que isso era palhaçada, não precisava disso. Ela me trouxe até aqui e o chamou. –

- E cadê ela? –

- Ela me deixou sozinha, disse que não podia fazer mais nada, que era o dragão que iria falar, ou me escolheria ou iria embora. –

- Não, Emma, ele não iria te escolher ou ir embora, ele iria te escolher ou te matar! – gritei de novo. – Leve-a até o meistre para ver se ela está bem. –

- O que vai fazer? –

- Tirar satisfação com a Rosalie! – eu não esperei que nenhuma das duas falassem nada e fui até o quarto de minha sobrinha, e ao chegar na mesma, eu não bati, eu a esmurrei, algumas vezes, até terem atendido.

- O que houve? – Emmett questionou, ele não dividia o quarto com Rosalie, e estava sem camisa, o que significava que ele tinha vindo aqui para que Rosalie tentasse mais uma vez engravidar de uma menina.

- Qual é a porra do seu problema? – perguntei a Rosalie que estava sentada em sua cama. – Tem noção do que você fez? –

- O que eu fiz? Eu apenas dei um empurrãozinho para a Emma. –

- Empurrãozinho? – questionei entre os dentes. – Você praticamente entregou a garota em uma bandeja para o Vermithor. – gritei. – Ela quase foi morta! No mínimo um dos guardiões foi morto graças ao seu “empurrãozinho”. Aquele dragão não chega perto de um humano desde que o meu avô morreu, tem vinte e oito anos que aquele dragão não chega perto de uma pessoa e você acha uma palhaçada prepara-lo antes de mandar a garota para a possível morte?! Você está passando de todos os limites, pare de achar que as pessoas são descartáveis e que você pode fazer com a vida delas o que você bem entender! –

Eu não esperei que ela falasse nada e saí do quarto, falar com a Rosalie ou não falar nada não estava mais fazendo diferença. Ela fazia o que queria, ela jogava com a vida das pessoas como se não fosse nada. Ao chegar em meu quarto, ele estava vazio, Isabella ainda não tinha voltado e eu passei a andar de um lado para o outro respirando fundo para me acalmar.

- Como ela está? – já tinha um bom tempo em que eu estava ali sozinho, estava parado perto da janela, vendo que o fosso agora estava no completo breu, e com um cálice de vinho em mãos.

- Vai sobreviver! Se ela não tinha medo de dragões, ela agora tem! –

- Agradeça a sua amiga, ou melhor, ex amiga. –

- Ela machucou o tornozelo ao fugir e está com alguns arranhões, e o dragão queimou um pouco do cabelo, sobrancelha e cílios do lado esquerdo, o meistre não sabe dizer se vai nascer de novo, mas ela vai sobreviver. – ela se aproximou de mim e apoiou as mãos em meu ombro. – Mais calmo? – eu neguei.

- A irresponsabilidade da Rosalie é algo descomunal. – reclamei bebendo um gole do meu vinho. – Teve a audácia de falar que achou que não seria nada de mais dar um “empurrãozinho”. –

- Vem amor. A Emma está bem, está com a irmã, que está lhe dando um esporro, achei melhor não falar nada, mas eu vou falar o que aconteceu para a Gianna, isso não pode ficar assim, sem explicação. Ela nos entrega a filha perfeita, e nós a devolvemos machucada. Vem, vem descansar. –

- Se fosse os nossos filhos fazendo algo desse tipo, eu o matava. –

- Teria ajuda minha! – brincou e eu virei o restante do vinho em meu copo. – Vem dormir. – ela tentou se afastar e eu a puxei para perto de mim.

- Me desculpa. – pedi. – Não devia ter gritado e nem sido ríspido com você. –

- Está tudo bem, meu amor, você estava nervoso! – ela afagou a minha bochecha e me deu um beijo. – Por um momento me lembrou a sua versão antes de nos casarmos! Na verdade, a vossa versão de quando eu tinha doze anos. –

- E eu estou há quase vinte anos lutando para essa versão não voltar, e uma merda desse tipo da Rosalie, traz isso à tona em poucos minutos. –

- Talvez se você trouxer essa versão de volta, pelo menos fora do quarto, com as pessoas lá fora, talvez as coisas fluíssem um pouco mais! As pessoas tem medo de você, e talvez possam pensar que o casamento e as crianças te amoleceram, esse lugar não vai para a frente com Rosalie e Emmett, infelizmente, então trás, lá para fora, para os outros, não para a família, trás o Edward sádico de novo e vamos acabar logo com isso! –

- Se é o que quer! –

- Não, não é o que eu quero! Mas é o que a situação pede! –

- Para eu trazer esse Edward de volta, eu teria que executar os espiões que o Emmett pegou. – avisei.

- Tem provas? –

- Ele disse que sim, mas eu iria comprovar antes. –

- Faça! Me avisei para deixar as crianças aqui dentro. Mas faça o que for preciso! – ela se aproximou de mim e me deu um beijo. – O Edward sádico é fora do quarto, é com os outros, não com as crianças, não com os nossos filhos, com a Anna ou Emma, com os filhos da Rosalie… -

- Eu sei! –

Bella me puxou para a cama, eu estava nervoso e sabia que teria dificuldade para dormir, mas com a Bella as coisas eram mais fáceis. Ela me abraçou e eu a abracei forte, escondendo a cabeça em seus seios e ela começou a fazer um cafuné e quando ela fazia tudo, tudo ficava bem.

No dia seguinte eu proibi que os garotos saíssem, se Isabella achava que o Edward sádico de volta seria a melhor coisa para essa situação, então que ele viesse. Chamei por Emmett, eu queria as provas que ele tinha encontrado, eram dois bilhetes que seriam enviados, talvez por corvos, para Adhara, tendo como destino Harvin McCarty, o único irmão de Emmett que ainda estava vivo, mestre dos sussurros particular de Jéssica. E o que continua nos papeis eram os últimos acontecimentos no castelo. Que Anna tinha voltado para cá, que Isabella e Rosalie estavam se estranho, que Rosalie estava se estranhando com o Emmett e afastada dos filhos, e outro era praticamente a prova concreta que precisávamos, uma mensagem de Harvin, exigindo saber noticias do que acontecia na ilha.

Com aquilo em mãos eu reuni todos do lado de fora do castelo, no caso, os criados e Rosalie. Isabella estaria do outro lado do castelo com as crianças e o que quer que fosse acontecer aqui, ninguém iria ouvir algo. Os dois espiões estavam no meio do circulo que havia sido feito pelos empregados, que eram impedidos de voltarem para dentro devido ao circulo de guardas que estava em volta deles, cobrindo todas as passagens.

- O que está havendo aqui? – Rosalie foi a última a chegar, Emmett estava com os papeis em mãos e eu andava de um lado para o outro com a espada fora da bainha, com a lâmina fina e altamente cortante de Dark Sister apoiada contra os meus ombros enquanto andava em frente aos dois espiões, que estavam de joelhos, com duas pedras a sua frente.

- Como eu havia dito várias vezes, de que eu suspeitava de espiões aqui dentro… encontramos isso. – ele entregou os dois pergaminhos a esposa. – Quando souberam que os criados estavam sendo interrogados eles fugiram, os guardas os pegaram e ao revirarmos seus bolsos e quartos, isso foi encontrado. –

Eu não queria admitir, mas o animal que vivia dentro de mim e que estava adormecido desde a guerra de Stepstones há quatorze anos começava a revirar dentro de mim, ele queria sair, por muito tempo eu havia conseguido controla-lo e mantê-lo adormecido, e havia sido praticamente o pedido de minha esposa que havia feito com que ele acordasse, e agora com a possível decapitação a frente, ele estava quase que tomando conta de todo o meu corpo.

- Inacreditável! – disse ao ler o papel. – Nós os recebemos aqui de braços abertos, pagamos mais do que receberiam na capital ou em qualquer outra casa e é dessa forma que somos recompensados? –

- O que faremos? – Emmett questionou e eu continuei andando de um lado para o outro, minhas mãos coçavam para que eu empunhasse logo a espada, meu âmago coçava de antecipação.

- Bom, todos aqui sabem como uma prova de traição deve ser resolvida… - com um simples movimento de cabeça para o guarda, eu mandei que ele debruçasse o homem contra a pedra, e assim ele o fez, mantendo apoiada na mesma apenas de seus ombros para baixo. – A morte é a consequência para traição, ainda mais desse nível, porém acredito que não é algo que será necessário e… - sem esperar que ela falasse mais algo, eu tirei a espada dos meus ombros e a girando no ar uma vez, segurei com as duas mãos no punho e desci a lâmina fina, cortando tanto o ar quanto o pescoço de um dos homens em um único golpe.

- Não existe um, “porém acredito que não é algo que será necessário”. – falei sério para ela que me olhava assombrado, pelo visto nem ela e nem Emmett esperavam que eu faria aquilo. – Eles eram espiões, entregando informações suas para os seus inimigos, que assim que o seu pai morrer, vão lhe dar um golpe e lhe tomar o trono. – com um simples aceno com a mão o guarda colocou o outro contra a pedra. – É desse jeito que você responde a quem lhe espiona, é assim que você diz a todos o que acontece com quem lhe trair! – sem falar mais nada, eu desferi outro único golpe, lhe cortando a cabeça e com a lâmina da espada suja de sangue vermelho vivo eu me virei para o restante dos criados. – É assim que será daqui para frente de quem for descoberto vendendo segredos deste castelo para alguém em Adhara ou em qualquer canto de Andrômeda, e quem não estiver feliz com a nova administração desse castelo, o porto fica logo ali... – eu apontei com a espada que ainda pingava sangue para o porto de Dragonstone. – Não? Então, voltem aos seus afazeres! – mandei e os guardas desbloquearam a passagem.

- Senhor. O que faremos? – um dos guardas se aproximou de mim quando eu puxei da minha cintura um pedaço de pano para limpar a lâmina.

- Se não tiverem família na ilha, joguem os aos abutres, quanto as cabeças… - com a espada limpa eu me aproximei de Rosalie e estendi a mão. – Me dá os papeis. Os papeis enviados pelo pé torto. – ela me entregou e eu voltei para perto do guarda. – Coloque-os nas bocas, e enviem-nas para Harvin McCarty. –

- Sim senhor. –

- Isabella sabe disso? – Rosalie perguntou ainda estática.

- Foi ela quem disse para que eu trouxesse esse Edward de volta. – eu guardei a espada de volta na bainha. – Então, sim, ela sabe! –

x.x.x

Passaram-se mais alguns dias, os guardiões haviam preparado Silverwing para um contato humano, e Emma quis tentar com o dragão e dessa vez ela não foi sozinha. O dragão que havia pertencido a minha avó era muito mais calma do que o dragão que pertencia ao meu avô, portanto quando ela rejeitou Anna como a sua montadora, ela apenas rosnou e voltou para a escuridão da caverna, e foi visível o suspiro de alivio que Emma deu. Eu só não sabia se ela estava aliviada pelo dragão não ter escolhido ela, ou por não ter tentado mata-la, igual Vermithor havia tentado fazer.

Quando ela resolveu que era hora de voltar a Driftmark, Isabella resolveu ir junto, queria explicar o incidente pessoalmente a Gianna, achava melhor do que por apenas um corvo e optou por ir sozinha, de navio, o que a manteria fora de Dragonstone por quase três dias, e eu tinha para mim que ela só fazia isso para se afastar um pouco de Rosalie, que continuava insistindo em conversar e querendo reatar a amizade, alegando que o que ela tinha feito não era nada demais e que Isabella não deveria colocar aquilo acima de uma vida de amizades. Ela havia tentado usar os seus filhos, e os nossos filhos, para aproximar as duas, mas mesmo sem saber o que estava acontecendo, eles optaram por não se meter.

Isabella voltou na noite do terceiro dia após a sua partida, o castelo já estava praticamente adormecido e ela tinha vindo se encontrar comigo na praia, onde eu estava.

- O que faz acordado a essa hora? – perguntou ao se sentar ao meu lado e ajeitar a capa sobre o corpo.

- Não gosto de dormir sozinho. – respondi levando o meu cantil a boca.

- Desde quando? –

- Desde a primeira vez que dormi sentindo o calor do seu corpo junto ao meu. Em um dos quartos deste castelo, caso não se lembre. –

- Eu me lembro! Foi logo depois de termos fugido! – ela estendeu a mão para o cantil.

- E Gianna? –

- Está puta! – ela bebeu um gole do vinho que tinha no cantil. – Ela não gostou nem um pouco do que a Rosalie fez ao colocar Emma para encarar o Vermithor sozinha. Não quer ver a sua sobrinha frente a frente tão cedo! E disse que caso nós dois não estivéssemos aqui, ela levaria a neta dela de volta para Driftmark. –

- Não a culparia! – ela bebeu outro gole do vinho. – Está cansada? – negou. – Quer ver a casa? –

- Qual casa? –

- A casa em Runestone que eu falei. Se formos agora chegaremos lá ao amanhecer. –

- As crianças vão ficar sozinhas até voltarmos? –

- Eles sabem cuidar de si e os mais velhos cuidam dos mais novos, será por pouco tempo. E sabes muito bem que Rosalie não irá fazer nada com eles. Ela já sabe que o velho Edward está de volta, e ele não costuma pensar antes de agir! –

- Tudo bem, vou trocar de roupa, não dá para montar com um vestido! –

- O único que você montar de vestido sou eu! – provoquei e ela riu.

- Idiota! – ela deu um tapa em meu braço. – Me espere no fosso. – pediu e eu apenas assenti.

Bella se levantou e seguiu para dentro do castelo e eu fiquei mais um tempo ali, eu sabia que até ela chegar ao nosso quarto e se trocar demoraria um pouco. Depois de um tempo eu me levantei e segui para dentro do castelo indo na direção do fosso, depois do incidente com a Emma, eu havia ordenado que sempre ficasse dois guardas e dois guardiões cuidando do local e que nenhum dos mais novos tinham autorização de entrar ali sem que eu estivesse presente.

- Senhor? –

- Chame por Caraxes e Tessarion, eu e a minha esposa vão sair, devemos voltar amanhã a noite. –

- Sim senhor. –

Ao mesmo tempo em que trouxeram Caraxes eu ouvi passos atrás de mim e ao olhar por cima de meu ombro vi Isabella entrando no fosso. Pedi que ao montar em Tessarion que ela me seguisse, estava de noite e era fácil se perder, principalmente Tessarion com a sua cor azul escura, a noite era quase impossível vê-la. Montei em Caraxes e deixei o fosso para que ela viesse logo atrás ao montar em Tessarion.

O caminho até Runestone era um pouco longo, mesmo para quem ia de dragão, teríamos que passar por toda Crackelaw Point, pela baia dos caranguejos e cruzar uma boa parte do Vallis até chegarmos a Runestone. A região era um pouco diferente do restante do Vallis, ficava em uma península na costa do Mar Estreito, ao norte da cidade de Gulltown e a leste do Ninho, a sede do poder da região do Vallis. A região combina com terrenos montanhosos suaves e pradarias, onde a maior parte da renda da família Royce vinha da agricultura e da criação de ovelhas.

O sol tinha acabado de nascer quando pousamos na pequena pradaria perto da casa. Ao ver casa abandonada eu me lembrei imediatamente do que o pai de Nettie havia dito ao meu avô quando nos deu a casa de presente de casamento. Era uma construção sólida, com pedras calcárias locais, paredes espessas com vestígios de runas gravadas, fazendo referencia ao legado dos Primeiros Homens e ao prestígio ancestral de Runestone. A casa de dois andares era feita de pedra cinza escura, com paredes espessas e janelas retangulares distribuídas simetricamente. O telhado feito de telhas de ardósia envelhecidas, firmemente assentadas, indicava que a construção ainda estava estruturalmente sólida, mas eu desconfiava que talvez houvesse algumas goteiras, mas não seria nada de mais. A porta era de madeira bem grossa, escurecida pelo tempo e com um arco de pedra sobre ela. A madeira parecia maciça, levemente empenada, mas ainda cumpria a sua função de abrir e fechar. As janelas tinham os vidros inteiros ainda, porém bem escurecidos, e os quadros de madeira estavam levemente apodrecidos. As paredes de pedra estavam completamente cobertas por heras verdes, que subiam dos alicerces da casa até o topo do telhado.

Em frente a casa tinha um caminho estreito e sinuoso de terra batida que serpenteava pela grama bem alta até a porta da casa, devido ao pouco uso, a grama já invadia as suas margens. Todo o entorno da casa estava coberto por um gramado bem alto e salpicado de flores silvestres e flores campestres que brotavam entre os tufos esverdeados. O pomar que tinha na casa, próximo a um pequeno lago, ainda estavam ali, e as árvores estavam carregadas de maçãs e peras. O lago que ficava perto do pomar a direita da casa, estava com a sua borda coberta pela grama espessa e com algumas vitorias regias sobre ele. Era possível ouvir o barulho de grilos e até mesmo alguns sapos vindo da direção do lago. Ao fundo da casa, tinha uma floresta densa, composta por árvores fechadas e altas, com as copas verdes-escuros, que se fundiam em um bloco sólido de vegetação, onde havia dito que Nettie iria adorar caçar durante o seu tempo livre.

- O que acha? É bem escondido na floresta. –

- Eu, com certeza, moraria aqui! – respondeu simplesmente.

- Disso eu tenho certeza. –

- Eu gostei do lugar, é escondido e um pouco de difícil acesso devido a floresta que a cerca, é um bom lugar para ser usado como ponto de reencontro caso algo aconteça. Porém, caso, venhamos para cá, os Royce não irão mesmo se importar? –

- Tecnicamente a casa é minha. – respondi. – E de qualquer forma, pelo estado em que ela está é visível que eles não veem aqui, provável que sequer se lembrem dela. E como eu disse, não iremos nos mudar para cá, e só para o fato de que caso Adhara ou Dragonstone caia, teremos um lugar para nos reencontrar e darmos o fora de Andrômeda. –

- Tem um porto perto? –

- O mais perto seria o de Runestone, porém poderíamos seguir até o de Gulltown, Old Anchor, ou tentar em Cetus. – sugeri. – Mas de qualquer forma eu quero deixar sempre um navio pronto para Mensa ou para Apus. O problema é que seguir por Apus passasse perto de Adhara. – suspirei. – Caso concorde, irei passar a fazer rotas para cá com todos que voam. – ela apenas assentiu. – O que houve? Está muito calada? –

- Aconteceu alguma coisa enquanto estive fora? -  neguei. – Certeza? –

- Absoluta! Não confia em mim? – ela não respondeu.

- Confio, sabe que eu confio. Mas enquanto ia para o quarto eu ouvi fofocas das criadas. Estão com medo de você… depois que você decapitou a cabeça dos dois espiões, eles estão com medo de você. –

- Não era isso o que queríamos? – Bella se aproximou de mim.

- A fala da criada era que você era assustadoramente bonito! –

- Quer que eu corte a cabeça dela? – eu segurei o seu queixo entre o meu indicador e o meu polegar. – Eu sou seu, mulher! – ela sorriu e eu lhe dei um beijo.

- Eu sei disso. Isso não me preocupou, mas pensei que mais alguém tivesse perdido a cabeça enquanto estive fora. – ela apoiou a testa contra a minha. – A verdade, mesmo, é que eu estou bem cansada. Eu preciso dormir, não imaginava de Dragonstone para cá era tão longe. –

- Nós estamos mais perto de Old Anchor do que de Gulltown. Vamos voar até lá e procurar uma hospedagem para você descansar. A casa deve estar imunda, caso contrário descansaríamos aqui. – ela assentiu.

- Vamos, eu preciso dormir um pouco. -