domingo, 20 de julho de 2025

Capítulo 39

                                                 Adhara – Continente de Andrômeda –128 Depois da Conquista.

                                                                                                   Pov. Edward.

(Arthur 15 anos. Harry 13 anos. Liam 9 anos. Peter, Didyme e Sulpicia 1 ano. Anna e Emma 14 anos.  Jaime 14 anos. Lucien (Luke) 12 anos. Bram 4 anos. Marcus 3 meses. Henry 20 anos. Alice 18 anos. Jasper 14 anos)

Um ano havia se passado desde o nascimento das crianças, elas estavam bem e perfeitas e Isabella completamente recuperada, e para a alegria de todos, principalmente dos guardiões do Fosso, ela havia voltado a montar em Tessarion, que havia deixado de ser agressiva com os outros dragões. Eu havia reclamado com Carlisle cerca de duas vezes sobre a má influência que seu filho Henry tinha sobre Harry e que começava a ter sobre Liam, e uma terceira vez não havia sido necessária, na segunda em questão, o próprio Carlisle havia visto e ordenado o afastamento entre eles, por mais que ele odiasse ter afastar os primos, mas nem ele estava gostando do que o próprio filho mais velho fazia, e com essa ordem, Henry e Harry apenas se viam quando eu, Isabella ou Charlie estávamos por perto, e eram nas pouquíssimas vezes que um jantar era feito e contava com a presença de Carlisle. 

Anna continuava conosco em Adhara, ela havia se adaptado a corte e praticamente vivia grudada para cima e para baixo ora com Arthur, ora com Isabella ajudando a cuidar das crianças, na verdade, ela passava a maior parte do tempo com as crianças. Porém mesmo com a ordem do próprio rei, para que seus filhos ficassem afastados dos meus filhos, não adiantou de nada, e quando Harry foi praticamente correndo na direção dos mantos dourados quando Jasper foi atrás dele, segundo Harry “para lhe arrancar o olho”, e segundo Jasper “era apenas uma brincadeira entre primos”. Eu me vi obrigado a me afastar de novo de Adhara e voltar para Rosby, o que sinceramente havia sido a melhor decisão. As crianças estavam mais calmas, o comportamento de Harry e Liam havia melhorado significativamente e os dragões, principalmente Tessarion não haviam se irritado mais. Pelo visto ninguém aqui gostava dos muros da Fortaleza Vermelha. 

Contudo, no aniversário de um ano dos trigêmeos nós não havíamos conseguido fugir do “do torneio de aniversário” que o meu irmão inventou. Na verdade, eu havia conseguido convencer a Isabella a não ir até chegar um corvo de seu pai avisando que Mike viria de Oldtown, e a última vez que eles tinham se visto foi um pouco antes de deixarmos Adhara após Jéssica ter tentado matar Arthur, e com essa informação eu não pude negar a nossa ida a capital. 

A minha maior surpresa foi Dimitri estar presente, Apus e o restante de Andrômeda nunca foram aliados para ele estar no aniversário de algum príncipe, portanto a resposta dele tinha sido apenas uma: Carlisle havia o convidado apenas por ser meu amigo. E no fundo eu achava isso muito estranho vindo do meu irmão, que a cada dia que passava ficava pior!

Rosalie não havia aparecido e nem Gianna. Contudo, Rose não havia dado noticias sobre a sua ausência e Gianna havia mandado um corvo, o marido ainda estava em Stepstones e ela estava cuidando de Driftmark e da dor de cabeça que o cunhado continuava causando, porém Emma havia vindo, principalmente para visitar a irmã, e havia trazido um presente para as crianças. 

O dragão dos trigêmeos havia se chocado e cresciam tranquilamente, e mesmo de longe eu conseguia ver os seis – meus três filhos e seus três dragões – sentados na grama, sobre um pano azul escuro, junto com os dois filhos mais novos de Ângela, enquanto Isabella e a cunhada estavam de pé ao lado das crianças e conversando. Mike tinha acabado de sair de perto, o que havia feito as duas rirem, e isso me fazia pensar que elas mais uma vez estavam tirando sarro com ele, e o mesmo seguiu para perto de seu pai. Todos ali estavam ignorando Philip e Elisa, eu na verdade, tinha a minha atenção dividida entre minha esposa e filhos e neles, que por mais que não chegassem perto das crianças, olhavam para elas com desdém e algo pior que eu preferia ignorar para que não me irritasse. 

Os filhos de Carlisle também estavam presentes. Alice estava dançando com Arthur e parecia se divertir. Jasper sentado com a mãe e com o tapa olho lhe cobrindo o olho arrancado, porém a fofoca que corria pelo castelo é que ele teria colocado uma safira no lugar. E na verdade, o único que não estava presente era Henry, que provavelmente estava bebendo pelos cantos. Jasper e a mãe olhavam para a festa também com desdém, Jéssica não queria que aquilo estivesse acontecendo e soube que ela havia ficado furiosa quando soube que Isabella havia aceito a festa, desde que não houvessem torneios ou caçada, talvez uma artimanha para que Carlisle desistisse, porém ele havia gostado mais ainda. Ele próprio não tinha mais saúde para algo desse tipo, e mesmo sentado em sua cadeira ele parecia se divertir vendo as crianças brincando, era visível no fundo de seus olhos que ele sentia o fato dos netos não estarem presentes, mas ele estava se divertindo mesmo assim. 

- Vai ficar de canto o dia inteiro? – eu acabei me sobressaltando ao ouvir a voz de Isabella tão perto de mim. 

- Estou vigiando os seus tios! – avisei. – Cadê as crianças? – 

- Peter, Sulpicia e Didyme foram para o quarto com as babás, estavam caindo de sono. Arthur pelo que eu vejo está na dançando com Alice e o Harry e o Liam estavam perturbando o tio! – contou. – E você não precisa se preocupar com os meus tios, eles já entenderam da primeira vez que qualquer besteira que eles falassem você iria arrancar suas línguas! – 

- Mas eu não gosto do jeito que eles estão olhando para os nossos filhos! – 

- Que olhem. Não fazendo nada com eles e ficando bem longe, eu não me importo! – ela passou os braços pelo meu e me puxou para fora da festa. 

- Quer fugir mais uma vez de uma festa dos seus filhos, senhora Hightower? – provoquei e ela riu. 

- Por mais que a ideia seja tentadora, vossa alteza, aqui em Adhara não! – respondeu ao me levar para o jardim do represeiro, onde estava vazio e silencioso. 

- O que foi? – 

- Rose mandou um corvo! Chegou a pouco! – 

- Pela sua expressão não foi desejando felicitações pelo aniversário das crianças. – ela negou. – O que ela quer? – 

- Pediu para fossemos para Dragonstone! – 

- Por quê? – deu de ombros. – O que ela disse? – 

- Apenas isso! Os quatro meninos estão ótimos, o casamento com o Emmett está tranquilo, mas ela quer que nós fossemos para Dragonstone! – 

- Isso não está me cheirando bem, Isabella! Tem quase um ano que ela não manda noticias! Desde que ela disse que estava grávida, e que havia nascido mais um menino praticamente! E agora de repente ela quer que voltemos a Dragonstone?! Gianna falou mais algo sobre Stepstones?  - 

- Não! Apenas que Jacob ainda não havia voltado! Eu penso que ela possa estar querendo juntar forças, para caso algo de ruim aconteça com o Jacob, ou que então caso o Ephraim ainda esteja pensando em tomar o trono de madeira. – ponderou. 

- É uma possibilidade. –

- E na verdade seria até bom! Teria pessoas para cuidar dos dragões sem que com isso precisemos leva-los para caçar e com isso acabar acontecendo o mesmo incidente de quando o Harry levou o Vermax e ele acabou matando todo o rebanho de um fazendeiro próximo! As crianças teriam contado com outras crianças parecidas com elas, no caso, de ter dragões, e que dessa vez não são péssimas influencias como os seus sobrinhos! E Anna ficaria mais perto da irmã e da avó, e como em Dragonstone os dragões podem ficar soltos, a Moondancer voltaria a crescer! E bom, saberíamos de imediato os próximos passos de Rosalie e isso nos deixaria a um passo a frente para o caso de algo ruim for acontecer! – 

- Eu já te avisei que caso ocorra alguma guerra de sucessão após a morte de Carlisle, eu vou tirar você e as crianças daqui sem pensar duas vezes e sem me importar para a sua opinião! – 

- Eu sei, Edward, e eu concordo! No caso tirar eu, as crianças, e você daqui! E meu pai se for possível… e ainda estou pensando na possibilidade do meu irmão! – ironizou o final da frase e isso a fez rir e eu a acompanhei. 

- Se você quiser ir para Dragonstone é só pedir! – 

- Eu estava conversando com o pai sobre isso a pouco. Ele acha que ao mesmo tempo que é bom, é ruim. – 

- Por quê? – 

- Ele acha bom pelo fato de as crianças terem contato com a família, no caso ele se refere aos filhos de Rosalie que praticamente estão presos e trancados em Dragonstone desde antes de voltarmos. E acha ruim porque caso você vá, será praticamente um anuncio que você está do lado de Rosalie caso uma guerra pela sucessão aconteça. Na minha opinião é algo que já está completamente anunciado, todos sabem que não estávamos do lado da Jéssica ou de Henry. Porém ele acha que isso pode acabar separando mais ainda o reino, e o seu irmão é o único que ainda não reparou nisso e nem no que alguns lordes chamam de facção verde ou preta. Os espiões do meu pai disseram que tem apostas na baixada das pulgas sobre qual cor ganha, e pelo que chegou aos ouvidos dele, caso você se junte a causa é praticamente vitória a Rosalie. Os verdes podem ter a Vaghar, mas os pretos teriam três dos dragões mais rápidos! Caraxes, Meleys e Syrax. – suspirou. – Eu agradeço imensamente pelo povo da Baixada das Pulgas não colocar nem a mim e nem a Tessarion nesse meio. – 

- Mais o que? – ela me encarou. – Tem mais algo que você não está me falando. O que é? – 

- Eu estava pensando esses tempos… - ela respirou fundo antes de falar. – Do jeito que a Rosalie está agindo, não sei se ela serviria para ser rainha. Ela está tão estranha desde que voltamos de Walano. Não parece a mesma. Eu sei que a maternidade e tudo isso que ela tem passado muda as pessoas, mas ela não demonstrou nenhuma emoção com a morte da Jane, sequer fingiu luto pela morte do Alec. Parece que todos somos apenas peças descartáveis para ela, e que quando não servirmos mais o fim que ela quer, ela irá fazer conosco o que fez com o Alec. – 

- Ele está vivo. – falei baixo para que ninguém ouvisse. 

- Quem nos garante isso? Quem nos garante que Rosalie não tinha outro plano com o tal do Carl? Edward, eles iriam para Mensa, por mais que a cidade seja grande, ela sabe que Jacob e seus vassalos estão sempre na cidade, corria o risco de vê-lo sem que ele percebesse. Ele podia se arrepender e querer voltar, sem falar que o próprio Carl poderia voltar e tentar suborna-la. Quem garante que ele não vai fazer isso? Ou então quem garante que ele não está fazendo isso e por isso ela quer tanto que você vá para Dragonstone? – 

- Ela tem o Emmett e… - 

- E todo mundo conhece a sua índole, ninguém sabe do que você é capaz, Edward, nem eu e as vezes nem você. você costuma fazer as coisas sem pensar, o Emmett não tem culhão para isso! Ele ainda está em uma disputa interna com o irmão que é mestre dos sussurros de Jéssica, sobre o direito ao título. Você não se importa com isso, pareceu nunca se importar e você é o príncipe! – ela passou a mão pelo rosto para tirar os fios de cabelo que o vento trouxe para frente. – Contudo, não acho também que Henry seria um bom rei! – 

- E então? Quem acha que seria? – 

- Não conheço ninguém. Só sinto que no final nenhum dos dois sentarão no trono e quem sentar vai lidar com um reino destruído! – 

- Quanto a esse final eu concordo! Quando Carlisle morrer nós teremos uma guerra e ninguém vai conseguir evitar isso! E caso se torne uma guerra de dragões… - eu suspirei. – Toda Andrômeda irá queimar! – ela suspirou passando a mão pelo rosto. – Mas esse não é momento disso! – falei me aproximando dela e passando os braços pela sua cintura. – É aniversário dos nossos filhos, um dia feliz e não um dia para ficar pensando sobre esse futuro mórbido. – eu beijei sua testa. – Carlisle ainda está vivo, deixemos para pensar sobre isso quando ele morrer! – 

Eu fiquei mais um tempinho ali com Isabella até que Liam veio correndo para perto de nós e, como sempre, para o colo da mãe. 

A ideia de nos mudarmos para Dragonstone foi sendo amadurecida com o passar dos dias, para a minha incrível surpresa eu havia comentado sobre isso com Carlisle, e aumentando mais ainda a minha surpresa ele concordou com a mudança, alegando que seria bom eu ficar de olho na filha dele, mas nós dois sabíamos que nem ele estava gostado do comportamento de seus filhos para com os meus, e assim, um pouco depois de Charlie completar mais um ano de vida, e tendo os netos presentes, de ambos os filhos, Mike partiu para Oldtown e nós para Dragonstone. 

A ilha estava caótica, parecia que Rosalie não conseguia administrar a pequena ilha e respirou aliviada quando me viu ali e mal me deixou chegar direito e começou a reclamar de um milhão de problemas que ela tinha. A ilha era minúscula, os únicos moradores eram a sua própria família, os criados do pequeno castelo e os guardiões do Fosso de Dragonstone, que quando não tinha nenhum dragão com cavaleiro, cuidava dos dragões de meus avós, e mesmo assim ela estava tendo problema para cuidar da ilha… imagine quando ela, e caso ela, subisse ao trono e tivesse que cuidar de toda Andrômeda. 

Após uma semana que nós chegamos na ilha, eu já havia pego toda a responsabilidade da ilha e Isabella praticamente cuidava das crianças, tanto das nossas quanto dos filhos de Rosalie, que pelo pouco que eu ouvi dos criados, viam a mãe apenas durante as refeições e as vezes nem em todas. 

- Eu estou feliz que você está aqui, de verdade. – Emmett falou enquanto descíamos as escadas para o pequeno fosso da ilha. 

- Claro que está, eu e Isabella tiramos todas as responsabilidades de vocês dois! – reclamei. – Eu deveria ter imaginado o motivo de ela querer que eu viesse para cá. – 

- Não, nada disso, você não está tirando nenhuma responsabilidade minha, até porque Rosalie nunca permitiu que eu assumisse nenhuma. – reclamou. – Não queria que eu desse uma ordem por cima da dela, porque não queria que ninguém se esquecesse que a herdeira é ela! Ela não permitia que eu trocasse dois guardas de lugar sem ela permitir antes! Ela nem deixa que eu treine os nossos… Os filhos dela! – 

- Nós a colocamos nesse pedestal e agora temos que atura-la. – 

- Eu não entendo a sua sobrinha, de verdade, cismou agora que quer uma filha de qualquer jeito! Praticamente rejeitou o último menino alegando que já tinha o herdeiro que precisava, já tinha até mesmo três, e agora quer uma menina, porque na cabeça dela, se Jéssica teve uma filha, e agora a sua esposa teve duas, ela também tem que ter! – 

- Está reclamando de dormir com a sua própria esposa? Já dormia com ela antes enquanto ela era esposa de outro. – 

- Não! Eu não estou reclamando disso! Eu estou comentando a minha desconfiança de que ela possa estar se deitando com outra pessoa além de mim, e isso complementa mais ainda a outra desconfiança que eu tenho de que meu irmão possa ter colocado alguém infiltrado aqui a mando de Jéssica. Ela acha que aqui está intocável, que aqui ninguém em Adhara ou em toda Andrômeda não irá saber o que ela faz… - 

- Volta e meia Jéssica ou Henry soltam uma piadinha de que ela estaria ocupada demais entretendo os guardas para não ter tempo de ir no aniversário dos filhos da melhor amiga. – 

- Exatamente, e como você acha que essa suposição surgiu? – 

- Se você acha que tem alguém aqui… - 

- Ela não me escuta! – reclamou me fazendo parar e olhar para ele. – Ela não me deixa abrir a boca, eu praticamente sirvo apenas para dormir com ela e nada mais! – 

- Ela te colocou na posição de “mulher” da relação? – ironizei e ele me olhou com raiva. – Eu investigo! Mas eu já disse a ela quando Alec morreu e eu irei dizer de novo. Eu não vou limpar mais nenhuma merda dela! Se você desconfia que tem alguém aqui infiltrado a mando de Jéssica, eu o encontro e vocês resolvem o problema. Eu estou aqui a uma semana, e por mim eu tinha ido embora no mesmo dia! E eu espero que a sua esposa não esqueça que a minha esposa tem que cuidar dos nossos filhos e não dos de vocês! – 

- Não duvido nada que Marcus comece a falar daqui a pouco e chame a Isabella de mãe, como eu disse, Rosalie praticamente o rejeita desde que nasceu! Eles mal veem as mães, e os três mais velhos só veem porque tem pernas para ir atrás dela. – 

- Sinceramente, Emmett, ela não está conseguindo cuidar dessa ilha minúscula e quer cuidar de Andrômeda? – 

Eu o deixei falando sozinho e terminei de descer as escadas até o fosso, os guardiões queriam falar sobre os dragões, os nossos dragões, que tinham vindo conosco do continente e que estavam se dando bem com os dragões de Rosalie e com os dos filhos de Rosalie, e eles iam tentando aos poucos aproxima-los de Vermithor e Silverwing, os dragões que não tinham montadores desde a morte de minha avó e avô.

Ao voltar ao castelo, o sol já tinha se posto, e segundo os criados a minha esposa e os meus filhos estavam no salão de jantar, ao chegar lá eu percebi que as crianças estavam jantando com os filhos de Rosalie, e Isabella estava absorta em pensamentos com um livro em mãos e nenhum prato a sua frente. Liam foi o primeiro a me ver, e levando um dedo aos lábios pedi para que ele não falasse nada enquanto eu me aproximava quase que em silencio de Isabella. 

- Posso saber com o que a senhora está distraída? – perguntei em seu ouvido e ela se sobressaltou na cadeira e suas bochechas ficaram completamente vermelhas. – Acho que eu sei com o que. – ela riu e isso comprovou o meu pensando e que ela estava se lembrando das vezes em que ficamos sozinhos em Dragonstone, como ela mesmo dizia “se essas paredes falassem…” 

- Onde estava? – 

- Fui até o fosso, os guardiões queriam falar comigo, pensei por um momento que os dragões deles estivessem criando confusão, mas aparentemente está tudo bem, estão se adaptando. – expliquei. – Por que não está jantando? –

- Estava te esperando! – respondeu colocando o livro na mesa e se levantando. – Vem cá… - ela me levou para longe da mesa. 

- O que foi? – 

- Que merda deu na sua sobrinha? Ela ignora os filhos! – 

- Estamos aqui há uma semana, percebeu apenas hoje?! – 

- Eu já tinha percebido…, mas ouvir os três falando isso é demais! Eles a tratam mais como futura rainha do que como mãe, e não foi desse jeito que ela foi criada! E ainda tive que ouvir que para mim foi fácil cuidar das crianças, porque eu não tenho as responsabilidades que ela tem, e que eu fugi das responsabilidades que o seu titulo me obrigava a ter! – 

- Ignore a Rosalie, Isabella! Ela não é a mesma de quando deixamos Andrômeda da última vez… e eu percebi isso quando a reencontramos no enterro da Jane. – ela cruzou os braços, estava indignada com a mudança de Rosalie e com o jeito de tratar os filhos. – Hey… - eu apoiei as mãos em seu rosto. – Nós dois praticamente não temos um tempo só nosso desde que os três últimos nasceram e eles já fizeram um ano… por que não aproveitamos que não estamos em Adhara, que as crianças estão protegidas, longe de más influencias e que, principalmente, não conseguem sair da ilha, e vamos ter um tempinho só nosso?! – 

- Enlouqueceu? Tem gente demais na ilha! – 

- Por mais que tenha sido completamente divertido eu ter comido a minha esposa contra cada parede e mesa desse castelo, e nas areias dessa ilha quando viemos aqui depois de eu voltar da guerra e depois de que Arthur nasceu, eu me referia a ficarmos dentro de um quarto mesmo! – ela sorriu e olhou por sobre o meu ombro para a mesa. – Claro, que apenas se esses pestinhas não tenham lhe cansado. – 

- Claro que não! Nossos filhos não são nenhum pestinhas. E os filhos da Rosalie são uns amores. Eu não estou cansada e acredite que eu não tenha vontade de dormir com você, tenho… e muita alias… - suspirou. – Mas sigo indignada com o que vejo referente a mulher que eu achava que conhecia. – ela desviou os olhos da mesa e voltou a olhar para mim, e se aproximou apoiando as mãos em meus ombros. – Mas você é ótimo em fazer com que eu me esqueça dos meus problemas, mesmo que por algumas horas, então eu aceito a sua proposta, e saiba que quando colocares a cabeça no meio das minhas pernas eu não vou lembrar sequer do meu nome, quem dirá dos problemas deste lugar! – 

- Ótimo! – 

- Mãe… - a voz de Arthur chegou no mesmo momento em que eu ia beijar a minha esposa. 

- Fala. – 

- O Bram dormiu. – falou e eu me virei para a mesa, a tempo de ver o filho mais novo, de quatro anos de Rosalie, o que havia nascido poucas semanas antes de Alec sumir, com a cabeça contra a mesa e a colher na mão.

- Ele está exausto! – Bella suspirou ao me responder. – Ele e os irmãos, Rosalie pega pesado com eles! O menino mal completou quatro anos e ela o força a saber ler, do mesmo jeito que está forçando aos dois mais velhos a serem fluentes em cariano custe o que custar! – reclamou se afastando de mim. Bella se aproximou do menino adormecido e tirou a colher da sua mão. – Shiiu, quietinho, vem com a titia e pode continuar dormindo. – falou ao pega-lo no colo. – Hey, vocês dois… Jaime, já acabou de comer? – ela perguntou ao mais velho de quatorze anos, que apenas assentiu. – E você Lucien? – o de doze. 

- Sim, tia! – respondeu coçando os olhos. 

- Então vão os dois para o quarto, se troquem e vão dormir, eu vou colocar o irmão de vocês na cama e vou ver como o Marcus está! – ela avisou e enquanto eles se levantavam e iam quase se arrastando para fora da sala, ela se virou para mim. – Coloca eles na cama, amor? – eu, que tinha os braços apoiados na cadeira que ela estava sentada ao pouco, apenas assenti. – Eu vou ao quarto de vocês antes de dormirem, não se preocupem! – e dito isso ela saiu da sala, com o menino dormindo no colo. 

- Pai, por que a mamãe, não está dando atenção para gente? – Liam perguntou olhando para a porta que sua mãe havia acabado de sair. 

- De onde você tirou isso? – 

- Desde que chegamos ela está dando mais atenção para os filhos da tia Rosalie, ela mal coloca a gente na cama… - 

- Você já tem nove anos, Liam, já pode dormir sem o beijo de boa noite da mamãe. – Harry reclamou, mas era audível em sua voz, que ele tinha o mesmo questionamento do irmão. 

- A mãe de vocês não está deixando nenhum de vocês seis de lado Liam, ela só está ajudando com os filhos da Rosalie, porque… - 

- Porque a tia Rosalie não está nem aí para os filhos dela! – 

- Arthur! – o repreendi. 

- A mamãe mesmo disse isso, papai. – eu apenas suspirei. 

- Se os dois acabaram de comer, vão para o quarto se trocar e cama, daqui a pouco a mãe de vocês vai lá. E você fica, eu quero falar com você. – avisei ao Arthur e os outros dois fizeram o que eu pedi. – O que você sabe sobre isso? Da Rosalie e dos filhos dela? –

- Eu ouvi mais cedo a mamãe e a tia Rosalie discutindo por causa disso, pai! – contou, mexendo no resto de torta que comida com a colher. – O senhor estava com o senhor Emmett e a mamãe foi nos tirar da aula de cariano, tanto nós três quanto aos filhos da tia Rosalie, estávamos todos brincando na praia quando uma criada veio falar que a tia Rose havia ordenado que os três voltassem para as aulas, não estávamos ali nem cinco minutos, e quando o Bram ouviu que teriam que voltar para as aulas ele começou a chorar e o Luke disse que já estavam acostumados porque a tia Rose não se importava com eles. Ai a mamãe se irritou e foi tirar satisfação, e as duas brigaram, sei apenas disso! – eu apenas suspirei. – Pai, o que está havendo? – 

- Quer saber mesmo? – ele apenas assentiu. – Há quinze anos eu e a sua mãe ajudamos a Rosalie a consolidar o trono dela para quando o meu irmão morrer, só que desde que voltamos de Walano, desde que a reencontramos desde a morte da Jane, que nós vemos que ela não vai servir para esse papel. Eu não sei sobre a sua mãe, mas eu estou começando a me arrepender. E sinto que meu irmão não vai durar mais muito tempo, e que com isso grandes problemas vão chegar… Eu definitivamente não queria isso, mas eu vou ter que intensificar as suas aulas de batalha e a do seu irmão também, porque uma guerra está se aproximando. Não, eu não quero que vocês lutem, mas eu provavelmente foi me envolver e eu quero que vocês protejam a mãe e os irmãos de vocês… - suspirei e baguncei os seus cabelos loiros e curtos. – Vai dormir, amanhã eu vou pegar vocês para treinar! – 

- Boa noite, pai. – 

- Boa noite, Arthur. – 

As criadas vieram recolher a louça suja assim que Arthur deixou o salão, a chefe das criadas havia comentado que Isabella estava esperando por mim para jantar, e se eu queria que trouxessem a nossa comida para cá ou para o quarto, e eu pedi para que levassem para o nosso quarto, e me levantei seguindo o mesmo caminho que meus filhos tinham feito. 

Ao chegar ao corredor onde ficava o quarto das crianças, a porta do quarto do Bram, que dividia o cômodo com o irmão mais novo, estava aberta. O menino de quatro anos dormia profundamente na cama, e Isabella estava perto do berço, em silencio ela saiu do quarto e acabou se sobressaltando ao me ver parado ali e se limitou apenas a afagar a minha bochecha ao fechar a porta do quarto. 

- Dormindo? – 

- Os quatro estão tão cansados que mal deitaram na cama e apagaram, o que mais demorou foi o Marcus… pensei que Rosalie pelo menos fosse vir vier o filho… cadê os nossos filhos? – ela mudou de assunto. 

- Mandei-os vir na frente para se trocarem! – avisei. – Alias, Liam acha que você não está dando atenção a eles… Harry também, mesmo não admitindo. – 

- Como assim? – ela parou no meio do corredor escuro. 

- Liam disse que você está dando mais atenção aos filhos da Rose do que aos nossos filhos! – 

- Não, eu não estou! Estou dividindo igualmente o meu tempo entre eles, sem falar que passo mais tempo com os nossos filhos. De onde ele tirou um absurdo desses? – 

- Isabella… Ele está com ciúmes! E só você não reparou isso! – 

- Ciúmes de que? –

- Ele não é mais o seu bebê! – apontei. – Durante sete anos ele foi o seu bebê, até poucos meses atrás ainda dormia no seu colo ou queria que você o pegasse no colo… Ele está com ciúmes desde que os trigêmeos nasceram, melhor desde que o Peter nasceu, e está com mais ciúmes agora com você cuidando do Bram e do Marcus! – 

- Eu vou conversar com esse menino, não é possível! – 

- Ele sabe que você está cuidando dos filhos da Rosalie porque ela os ignora, alias, o Arthur disse isso com todas as letras, e segundo ele, tais palavras saíram da sua boca, além do fato de você ter discutido com a Rosalie. – 

- Eu menti? – 

- Não! Não mentiu! Emmett já admitiu isso! Mas queria que não falasse essas coisas na frente das crianças, elas falam sem pensar, ou sem se importar com quem possa ouvir! – 

- Está preocupado com quem? Todos nesse castelo sabem disso, escuto as criadas repetirem isso todos os dias. Não quer que Rosalie escute a verdade na cara dela? – 

- Não é isso. Não quero que ninguém fora desse castelo saiba dos problemas daqui de dentro! Apenas isso! E por que discutiu com a Rosalie? – 

- Estava defendendo os filhos dela, mas parece que entra por um ouvido e saí pelo outro! – 

- Não, Isabella, o que você falou não entrou por um ouvido meu e saiu pelo outro. – nós dois fomos surpreendidos pela voz de Rosalie saindo da escuridão da escadaria, ela subia as escadas para os seus aposentos, pensava eu. – É só que… Você não entende… - 

- O que? Que você ignora os seus filhos e exige que eles te tratem como futura rainha e não como mãe? Eu entendo perfeitamente, Rosalie! E vou repetir o que eu disse mais cedo, continua, você só está afastando os seus filhos de você! Mas vai em frente, enquanto você brinca de reinar, eu brinco de criar os seus filhos, não é nenhum problema para mim! – ela se virou para me olhar. – Já coloquei os quatro na cama, agora irei colocar os nossos seis e depois eu te encontro no quarto. – eu apenas assenti e ela deu dois passos para frente no corredor. – Alias, a Anna mandou um corvo, a nossa… espera… - ela fingiu contar nos dedos. – A nossa sétima de onze filhos volta em dois dias! Talvez a irmã venha junto, e aí de onze passaremos a ter doze filhos, mas eu não me importo! – e sem falar mais nada, ela seguiu pelo corredor escuro. 

- Edward… - eu apenas ergui a mão para Rosalie se calasse. 

- Você está cobrando respeito e obediência das pessoas erradas! – avisei. – Eles são seus filhos e o Emmett é o seu marido, se eles não te respeitam como mãe e esposa, eles nunca vão te respeitar como rainha. Então antes de querer esse respeito, conquiste o respeito familiar primeiro! E outra… Você afastando Emmett das responsabilidades de um consorte só irá te deixar sobrecarregada e você nunca conseguirá dormir em paz, sem saber se o seu próprio marido irá lhe trair, e eu em refiro em trair a rainha, e não a mulher com quem ele se casou! Boa noite, Rosalie. – eu dei dois passos na mesma direção que Isabella foi, mas logo parei e me virei de volta para ela. – E a partir de amanhã eu vou interrogar todos os trabalhadores deste castelo, você querendo ou não, e se eu descobrir que alguém aqui está infiltrado, eu vou manda-lo embora ou mata-lo. E a partir de amanhã eu vou treinar os seus filhos junto com os meus, e o Emmett vai me ajudar. Você me chamou aqui para colocar ordem nas coisas que você não consegue e não quer dar espaço para o Emmett, portanto se afaste e me deixe resolver isso. Então fique de sobreaviso, e fique de sobreaviso também que os seus filhos ainda são crianças, então eles não irão ficar o dia inteiro presos dentro de uma sala de aula, se a Isabella quiser tirar eles de lá para que eles possam ser o que eles são, e eles são crianças, antes de serem príncipes, ela vai tirar, e você não vai manda-los voltar. – 

- Eu sou a mãe deles! – 

- Então se comporta como mãe e não como uma ditadora! – eu não esperei por sua resposta e virei as costas seguindo pelo corredor. 

- Eu não quero ouvir de novo que você pensa que eu não estou dando atenção a você ou aos seus irmãos! – eu ouvi a voz de Isabella ao me aproximar do quarto dos meninos. – Eu amo você e eu nunca vou deixar de lhes dar atenção, mas você precisa entender que tem quatro outras crianças que também precisam, e eu tenho atenção, amor e carinho de sobra para todos vocês. – ela estava sentada na beirada da cama do Liam e conversava com ele enquanto mexia em seus cabelos loiros. – Ta bom? – 

- Tá mamãe. – ela abaixou a coluna e beijou a testa do menino. – Papai… - Liam abriu os braços ao me ver na porta, eu me aproximei e apoiei o joelho na cama. 

- Boa noite, meu filho. – eu lhe dei um beijo na testa. – Vão dormir, amanhã nós vamos treinar e se a mãe de vocês permitirem nós vamos dar uma volta com os dragões. – falei me pondo de pé ao lado de Isabella, que dava um beijo em Harry. – E se a sua mãe permitir, eu levo você junto. – falei para Liam. 

- Nem pensar! –

- Ele não vai montar em Arrax, acha que eu sou maluco? - da cama de Harry, ela apenas olhou para mim com a sobrancelha arqueada. – Não responde. – pedi e eu ouvi as crianças rindo. – Mas se a sua mãe permitir, e se o Caraxes te aceitar, nós vamos dar uma volta amanhã. – 

- Mãe… falta eu. – Arthur abriu os braços de sua cama. 

- Não tinha sido você que disse mais cedo que já era quase um homem e não precisava mais de um beijo de boa noite? – perguntou ao se aproximar da cama do nosso primogênito. 

- Era brincadeira. – ele riu, e ela o acompanhou. 

- Meu bebê. – ela beijou o rosto do menino. – Vocês todos são os meus bebês e sempre vão ser! Agora vão dormir! – 

- Boa noite meninos. – eu saí do quarto fechando a porta logo atrás de Isabella. – E os mais novos? – 

- Dormindo profundamente! – respondeu. 

- Conversei com a Rosalie, melhor, avisei a ela, que a partir de amanhã eu vou interrogar todos os que moram aqui, e que a partir de amanhã os filhos dela não vão ficar o dia inteiro presos em aulas, eles vão ser crianças. Ela não gostou, mas eu não me importo. – avisei quando entramos em nosso quarto, e eu percebi que a bandeja com comida já estava em cima da mesa, com um pano a cobrindo. 

- Por que interrogar as pessoas que moram aqui? – ela perguntou se sentando no baú da frente da cama, para se livrar de seus sapatos. 

- Emmett desconfia que o irmão colocou alguém infiltrado aqui e Rosalie não permite que ele investigue. – avisei tirando o pano de cima da bandeja e pegando uma uva do pote. – Se ela deixasse ele fazer o papel de marido e futuro rei consorte, ela não estaria tão sobrecarregada assim. Ela está assumindo funções que não são delas, sem falar que o próprio Emmett desconfia que ela está dormindo com outros homens. Segundo o próprio ela está desesperada querendo ter uma menina. – 

- Ela comentou comigo… sobre o fato de querer uma filha, não se está traindo o marido dela. E sinceramente… - ela se levantou descalça do baú. – Eu não quero saber. Saber dos problemas da Rosalie me deixa com dor de cabeça, depois ela vem querendo que resolvemos e eu não quero mais resolver nenhum problema que ela arruma. E também não quero que você resolva mais nenhum, entendeu? – eu apenas assenti, sentando na minha cadeira. – Então, caso ela peça para matar alguém de novo, pois indiretamente ela já pediu duas vezes, eu não quero que você mate ou finja ou instigue a matar. – 

- Se eu precisar matar alguém, eu peço permissão para você antes! – brinquei. 

- Idiota! – 

- Vem… - eu a puxei pelo punho para que ela se sentasse em meu colo. – Vamos comer alguma coisa e se você não estiver cansada, eu gostaria de comer a minha esposa! Ou fazer amor, o que ela preferir… - 

- Eu prefiro… uma massagem seria bom… - 

- Uma massagem e fazer amor, eu posso fazer isso! – ela negou. 

- Eu quero uma massagem e sexo! Com força! -

Na manhã seguinte eu comecei a colocar as coisas em ordem, sem em importar com a opinião de Rosalie, ou com o fato de se ela ou mais alguém estavam achando que eu estava tomando a sua autoridade. Era algo muito simples de resolver, ela não estava conseguindo controlar a sua minúscula ilha, eu faria isso. Isabella havia assumido as responsabilidades pelas crianças e eu pelo castelo e a primeira coisa que eu fiz ao deixar o quarto foi encontrar com ele, eu queria que ele me passasse todos os nomes registrados dos trabalhadores do castelo e todos eles um a um, eles seriam interrogados.

Emmett seria o futuro rei, consorte, mas um rei, e era o atual senhor do castelo, ele deveria estar a par e principalmente a frente de tudo e com os nomes dos criados, nós fomos os separando em grupos, pelas suas funções, criados da cozinha, criados dos quartos, dos salões e etc… Emmett escolheu os que ele iria investigar e eu os que eu iria.

- Qual é o seu nome? – perguntei para a jovem que havia acabado de se sentar a minha frente, ela era nova, tanto no castelo quanto em idade. 

- Melara, senhor. – 

- Por que está aqui? – 

- Minha tia, Maggy, trabalha no castelo a muitos anos senhor, e ela me trouxe para cá a pouco tempo. – 

- De onde você é? –

- Claw Isle. – 

- Nunca saiu de lá? – negou. – Nunca? – 

- Nasci e morei lá por quatorze anos senhor, assim que eu completei o decimo quarto aniversário a minha tia me trouxe para cá, e eu já estou aqui a um ano. – 

- E seus pais? – 

- Meu pai é pescador, senhor, ele fornece os peixes para cá. – 

- O que faz aqui? – 

- A maior parte do tempo eu cuido do príncipe do Marcus. – respondeu e uma batida soou na porta. 

- Entre. – 

- Amor, o Arthur está te procurando. – eu ouvi a voz da Bella entrando na sala. – Melara o que faz aqui? Achei que tivesse lhe deixado com o Marcus. – 

- Eu a chamei. –

- O príncipe Marcus ficou com a babá do príncipe Bram, vossa alteza. – ela respondeu. 

- Lembra que eu disse que como iriamos morar aqui agora eu queria conhecer todo mundo que trabalha aqui e que teriam contato com os nossos filhos? – Isabella me olhou confusa. – Te falei noite passada. – 

- Oh lembrei. Que cabeça a minha. – mentiu. – Bom, já acabou? Você prometeu levar seus filhos para voar, e eles estão me enlouquecendo. – 

- Sim, eu já terminei. Você está dispensada e peço para que não comente nada com os outros criados. - 

- Não se preocupe senhor. Com licença. – ela se levantou e deixou a sala. 

- Não pode estar falando sério ao desconfiar da menina. Ela tem quinze anos, não teria essa maldade. – 

- É por ela não ter essa maldade que ela seria facilmente manipulada por alguém. O pai é pescador e fornecedor de peixe para a ilha, um morador de Claw Isle, acredito que não teria como o irmão de Emmett ou Jéssica chegar até ele, porém a tia… Ela disse que a tia trabalha aqui anos! – 

- Sim, Edward, é a Maggy, está aqui desde que viemos para cá a primeira vez, digo, quando fugimos para cá! Já conversei com ela diversas vezes, cuidou de Arthur quando era bebê e agora está cuidando dos trigêmeos. – 

- Não é só porque ela está aqui a anos, e porque você gosta dela, que ela não seria comprada por alguém. – 

- Você tem noção de que ao pedir para não falarem nada, é aí mesmo que eles falam? – 

- É a intenção… A pessoa que está infiltrada aqui, caso ela exista, ela vai ficar nervosa e querer fugir, e nos guardas eu confio. – expliquei. – Anna já chegou? – 

- Ainda não! Estou de olho no porto e nos céus, não sei se ela virá por barco ou se Gianna a trará com a Meleys. Até a noite ela deve chegar. – 

- Me diga, você que tem mais contato com os filhos da Rosalie, os dragões deles são montáveis? – 

- Jaime disse que sim, já tem sela e tudo mais, porém até o momento, Rosalie não os ensinou a montar! – 

- E onde eles estão? – 

- Quem? Os meninos ou os dragões deles? – 

- Os garotos, Bella. – 

- Oh, na praia com os nossos filhos. – 

- Tem certeza de que não quer vir, tem tempo que montas em Tessarion. – 

- Eu sei… - suspirou. – Recentemente eu tenho montado mais em outra coisa. – apontou e isso me fez rir. – Gosto bastante dessa outra coisa alias, e não reclamaria caso essa noite eu montasse de novo. – 

- Sempre que quiser. – ela me acompanhou na risada. 

- Mas deixa para a próxima. Segundo os guardiões a Tessarion colocou outra ninhada e nós sabemos que quando isso acontece ela não quer voar.  Vai com os meninos, se comportem, tente não matar os nossos filhos e da próxima vez eu vou junto. – eu segurei o seu queixo e lhe dei um beijo nos lábios antes de sair da sala. 

Bella foi ficar com os trigêmeos, segundo ela, e eu deixei o castelo. Passei por um dos guardas do fosso e pedi para soltarem tanto Caraxes, quanto os dragões dos meninos, Tyraxes, Vermax e Arrax e pedi para soltarem os dragões de Jaime e Luke, e de lá segui para a praia. 

- Eu vou falar a mesma coisa que eu falo todas as vezes, porque parece que vocês não aprendem, parem de quicar só porque vão montar! – mandei ao ver as crianças animadas. – Isabella disse que vocês dois nunca voaram? – eles negaram. – Por quê se os dragões já salão selados? – 

- A mamãe sempre fala que dá próxima vez nos ensina, mas essa próxima vez nunca chegou! – 

- Pois chegou agora, caso queiram. – avisei. – Os dois já sabem montar, e eu vou tentar ensinar esse aqui… - 

- A mamãe sabe disso? – 

- Depois eu vou me entender com a sua mãe, Arthur. – avisei e avistei os dragões menores no céu, ao mesmo tempo em que Caraxes pousou na praia atrás de mim. – Muito bem, sabem chama-los, pelo menos? – assentiu. – Chame-os. Liam, chame o seu dragão e vocês dois também, alias, os dois já podem montar e voar, com cuidado e seguindo os passos que eu ensinei. – avisei dando uns passos para trás para lhes dar espaço. Arthur e Harry chamaram por Tyraxes e Vermax primeiro, e repetindo o passo a passo que eu havia ensinado, eles montaram e alçaram voo. – Muito bem, os três, prestem atenção. Qual é o nome dos dragões de vocês? – 

- O meu é o Mirae. – Jaime apontou para o dragão vermelho vivo, mais vermelho do que o próprio Caraxes e Meleys, som os espinhos alaranjados como se fossem fogo. – 

- E o meu é Gelaes. – Luke respondeu para o dragão branco, com nuances azuladas como a neve e o gelo. – E o do Bram é a Erin e o do Marcus é a Stromcloud. – respondeu. 

- O meu é o Arrax. – Liam respondeu para os primos e isso fez com que os três rissem, como se fosse uma conversa normal de qualquer garoto. 

- Eu vou ensinar a vocês do mesmo jeito que eu fui ensinado e do jeito que eu ensinei aqueles dois. – disse apontando para os dois que sobrevoavam a baía da água negra. – E como podem ver, voam muito bem. – mal eu terminei de falar e vi que Harry deu uma balançada com o seu dragão. – Estão aprendendo ainda. – eles riram. – Vamos lá. – 

Do mesmo jeito que eu tinha ensinado aos dois mais velhos no último ano, eu ensinei a Liam e aos dois filhos de Rosalie e eles pegaram muito bem, e sem o menor problema estavam voando, principalmente Liam, baixo para o caso de caírem, não se machucarem… tanto. 

Como os dragões ainda eram inexperientes e novos, eles não ficaram voando muito tempo, os mesmos não aguentavam o peso de seus montadores por muito tempo, e logo eles voltaram para dentro do castelo e os dragões para o fosso. Mal o último menino pousou e um guarda se aproximou, anunciando que um navio, sobre a bandeira de Driftmark se aproximava, e que um dragão pequeno aparentava voar junto. Era Anna, eu só não sabia se Emma estava junto. Mandei as crianças entrarem, e permaneci na praia, o navio estava perto, e pelo que pude perceber ele não iria ancorar no porto, o mesmo parou em alto mar e Anna veio em um pequeno barco de madeira até a praia. 

- Que cara é essa? – perguntei quando ela desembarcou emburrada e com os braços cruzados. 

- Não é nada. Cadê a minha mãe? – 

- Quem? – perguntei sem ter certeza se tinha ouvido direito. 

- Quer dizer… - suas bochechas ficaram vermelhas. – Cadê a tia Bella? – 

- Está lá dentro! Os garotos acabaram de entrar, estavam montando nos dragões, alias ensinei Liam, Jaime e Luke a montarem. – avisei ao mesmo tempo em que Moondancer pousou atrás da montadora. – Só ela crescer mais um pouco e você aprende a voar também. – ela sorriu, mas seus olhos continuam tristes e emburrados. 

- Vovó disse que já mandou preparar a sela. – contou. 

- Venha, vamos entrar, o jantar já deve estar sendo servido. – avisei vendo que o navio que a havia trazido, se preparava para voltar a Driftmark. - Cadê a sua irmã? – 

- Eu não quero falar dela. – respondeu fazendo o sorriso sumir e praticamente marchou para dentro do castelo e eu fui seguindo atrás. 

Eu não sabia o que tinha acontecido entre as duas, para que elas estivessem assim, mas pelo visto tinha sido algo sério, e caso ela não comentasse nada com Isabella, não duvidava nada de que um corvo de Gianna chegaria explicando o ocorrido, isso é claro se ela soubesse. 

- Edward. Que história é essa que você ensinou o Liam a montar? – quando eu dei por mim, estar sendo interrogado pela minha esposa, no salão de jantar e eu olhei diretamente para o menino. 

- Eu não falei que não era para você falar nada até eu conversar com a sua mãe? – 

- Desculpe. – disse envergonhado. 

- Eu posso explicar, mas antes… -

- Anna. – ela viu a menina entrando na sala. – Que cara é essa, meu bem? – 

- Não é nada! – respondeu emburrada ao abraçar Isabella. 

- Cadê a sua irmã? – 

- Em Driftmark, eu não quero falar sobre ela. – 

- Tudo bem, depois nós vamos conversar. Pelo visto eu tenho que conversar com muita gente. – falou séria e olhando para mim. – Vamos jantar. –

Depois do jantar, Liam partiu para o quarto quase que em disparada, provavelmente com medo de que eu acabasse brigando com ele por ter contado a sua mãe o que eu havia pedido para que não contasse, e logo atrás dele, todos foram para os seus quartos e Emmett chegou, querendo conversar, ao mesmo tempo que Bella disse que iria conversar com Anna. 

Emmett estava empenhado a descobrir se o seu irmão tinha um espião aqui dentro ou não, tanto que ele já tinha terminado de interrogar os grupos que ele havia assumido e havia me dado os nomes de alguns que ele havia ficado desconfiado, que haviam dado desculpas tortas ou sem sentido, além de os guardas terem dito a ele que duas pessoas haviam tentado deixar a ilha sem falar nada, e que ambas foram presas até que conversássemos com elas, e eu pedi para deixar aquilo para amanhã, eu estava cansado e ainda precisava arrumar um jeito de não brigar com a Isabella sobre o fato de eu ter deixado Liam montar, mesmo após ela ter dito que não!

Deixei Emmett no salão de jantar e segui para o meu quarto, ainda estava vazio, provavelmente Isabella ainda estivesse com Anna e enquanto eu a esperava chegar, eu fui tomar um banho, eu estava realmente cansado. 

- Voltou! – eu me surpreendi com Isabella no quarto, ao sair da tina. – Descobriu porque a Anna está de mal humor? – ela apenas assentiu. 

- Brigou com a irmã. – 

- Por qual motivo? – 

- Anna acha que a Emma está com ciúmes dela, porque o ovo da Anna chocou e o da Emma não. Ela já perdeu as contas de quantos ovos congelaram nas mãos da menina, e ninguém sabe o porque, ninguém sabe o que fazer. Alguém ainda debochou perguntando se tinha certeza de que ela era realmente gêmea da Anna e se era realmente filha da Jane. – 

- Quem fez isso? – ela deu de ombros. 

- Aparentemente Gianna se encarregou de descobrir isso! – 

- Mas o que? – 

- Emma está com raiva porque Anna está me tratando como se eu fosse a mãe dela! – respondeu virando os olhos na minha direção. 

- Quando chegou, Anna perguntou onde a mãe dela estava. – Bella suspirou de novo. 

- Eu sei que eu tinha dito que ela podia me tratar como mãe, mas eu não esperava que ela fosse me chamar assim, ou que realmente fosse me tratar assim! – 

- Ela já havia te chamado de mãe antes? – Bella negou quando eu coloquei a minha calça.

- Não, mas pediu para chamar a partir agora. E eu não sei se devo deixar. Eu não quero que a Emma ou a Gianna, Jacob pensem que eu quero tirar o lugar da Jane na vida da menina. – 

- Você não estará tirando, Bella. Só que as pessoas precisam entender e aceitar que a Jane faleceu, já tem quatro anos, as meninas precisam de uma figura materna, e a Anna te escolheu, não vejo nada de errado na decisão dela. E se a Emma tivesse o mesmo convívio que a irmã tem com você, ela também iria te tratar assim! – 

- Eu sei disso, mas mesmo assim… - 

- Se vai te deixar mais calma ou… não sei, menos culpada, mande um corvo para Gianna, ou podemos pegar os dragões e ir lá bem rápido e conversar diretamente com ela sobre o que a Anna pediu. – 

- Caso a Gianna e a Emma não se importasse eu realmente me sentiria menos culpada! – 

- Então amanhã, assim que amanhecer, nós vamos a Driftmark resolver isso! Pronto! – ela assentiu coçando a testa. 

- Por que você mentiu para mim? Você disse que não iria colocar o Liam para voar, ele é muito novo! – 

- Eu tive os meus motivos! – 

- Ah teve? Então me diga, por favor, quais foram? Alias, gostaria de pedir para ser avisada com antecedência quando tais motivos surgirem! – 

- Lembra do que conversamos no aniversário de um ano das crianças? – perguntei ao me sentar ao seu lado e ela me olhou confusa. – De que quando Carlisle morrer, uma guerra vai acontecer e uma possível guerra de dragões? – 

- Espero que não esteja pensando em colocar o meu filho nisso? – neguei. – Então? – 

- Não sabemos quando ele vai morrer, não sabemos quando essa guerra vai implodir. Por isso que eu descumpri a promessa que tinha te feito e ensinei o Liam a montar com nove anos. – 

- Não entendi. – 

- Se a merda explodir, Isabella, e ela vai, só não sabemos quando, e caso algo aconteça, seria uma criança a menos para nos preocupar, pois ele poderia pegar o próprio dragão e voar para longe, para um lugar seguro, só teríamos que nos preocupar com os três pequenos, e assim que eles tiverem a idade do Liam e seus dragões sejam grandes o suficiente, se ainda ocorrer esse perigo de uma guerra eminente eu vou ensina-los a montar cedo. Do mesmo jeito que eu vou pedir para deixarem Moondancer solta e que a alimentem bem, para que ela cresça logo, para que Anna possa montar nela. – 

- Que lugar seguro seria esse? – 

- Eu ainda não sei. Ainda não pensei. Esses dias eu vou colocar o castelo cem por cento em ordem e entregar tudo nas mãos da Rosalie e do Emmett, ela vai precisar entender que ela não consegue sozinha e vai ter que dividir as responsabilidades com o marido, tanto de Dragonstone, quanto de Andrômeda, quanto dos filhos. Depois que essa parte for resolvida, eu vou criar planos de fuga e procurar por lugares seguros para quando a guerra chegar. – expliquei. – Perdoe-me por não ter falado nada, eu iria falar com você, mas o linguarudo do seu filho falou primeiro. – tentei brincar e ela se limitou a sorrir. 

- O motivo é plausível e infelizmente você tem razão. – ela suspirou. – Queria que tivesse um jeito para essa guerra não acontecer. – 

- Só existe um! Rosalie ou os filhos da Jéssica teriam que morrer. Dessa forma o caminho ficaria livre para o outro lado e não haveria guerra nenhuma. – 

- E caso não existisse Henry ou Jasper? O povo aceitaria Rosalie como rainha? Ou iriam atrás de outro? – 

- Não teria outro herdeiro. Levando em consideração que não aceitariam Rosalie por ser mulher, também não aceitariam a Gianna, sendo assim sobraria apenas eu, que renunciei. Talvez tentassem com o Arthur… ou então iriam atrás dos milhares de bastardos que tem na capital. – 

- Que bastardos? – 

- Meu amor, tenha certeza que noventa por cento das pessoas com os cabelos loiros, quase platinados, que vivem na baixada das pulgas, são bastardos da minha família. Há boatos que o meu próprio pai teve uns três ou quatro! – dei de ombros. 

- Não tendo nenhum seu… - 

- Não que eu saiba! – admiti e ela me bateu com o travesseiro. – Sabe muito bem qual era a vida que eu tinha antes de nos casarmos e se eu for sincero, fico surpreso por não ter nenhum além dos nossos. – brinquei e ela me bateu de novo com um pouco mais força. – Estou brincando, amor. – eu a puxei para mais perto de mim. – Quer dizer, eu realmente não sei, provavelmente não, mas caso tenha, qual diferença faz? Você é a minha esposa, e as crianças que estão dormindo espalhadas pelo corredor são os meus filhos, fim da história. – eu lhe beijei a bochecha e ela suspirou. – O que houve? – 

- Estou cansada e com dor de cabeça. – admitiu. – É muita coisa… - suspirou. – Quando você estava voando com os meninos, Rosalie veio falar comigo, melhor, brigar, não estava gostando de nós dois estarmos passando por cima da autoridade dela de mãe. Eu… eu não sei porque, mas cada dia que passa eu tenho uma sensação horrível que a nossa paz está acabando, cada pequena coisa que acontece nesse castelo me lembra disso, que uma guerra está se aproximando, e agora essa questão com a Anna. – ela suspirou de novo e colocou a cabeça contra o meu ombro. 

- Podemos pegar as crianças, seu pai, se quiser o seu irmão e vamos todos para Walano e deixemos Andrômeda queimar! – ela negou. – Por que não? – 

- Não vou ter paz deixando os filhos da Rosalie aqui do jeito que estão! Sei que não são minhas responsabilidades, mas o meu lado materno não permite que eu simplesmente os ignore ou algo desse tipo! – 

- Isso porque você é simplesmente a melhor pessoa que já pisou nessa terra! – falei mexendo em seus cabelos. – Vamos, vai tomar um banho para relaxar. Ignore, Rosalie, já falei que irei resolver essa questão nos próximos dias, e quanto a questão da Anna, nós vamos resolver isso amanhã com a Gianna sem falta… E infelizmente quanto ao anuncio da guerra, eu não posso fazer nada, além do que eu já faço de te distrair o máximo possível, enquanto tento encontrar um jeito de deixar você e as crianças longe disso tudo! – eu beijei o seu ombro. – Mas caso queira eu posso te engravidar de novo e assim você se concentra apenas na gravidez… - brinquei e rindo ela me deu uma cotovelada. 

- Já falei, não vou parir mais filho nenhum!  - e o seu sorriso morreu. - Além do fato que jamais conseguiria colocar uma criança no mundo com uma guerra em nossos horizontes! – ela se levantou. – Eu vou tomar um banho e já volto. –

Bella seguiu para o banheiro e eu me levantei da cama e comecei a diminuir as luzes do quarto, deixando-o pouco iluminado e tirando alguns dos travesseiros da cama, que eu não sabia o motivo de as criadas colocarem tantos assim. Mal eu me deitei na cama, e ela voltou para o quarto e sem falar mais nada, subiu na cama, me dando um beijo e deitando a cabeça contra o meu peito, e eu comecei a acariciar os seus cabelos, até que ela pegou no sono. 


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