sábado, 11 de novembro de 2017

The Soldier - Capitulo Único

Pov. Bella
——— Arlington — Virginia ———

Era difícil viver com um soldado, já que ele passava mais tempo fora do que dentro de casa, mas eu não me arrependia disso, eu podia me arrepender de varias coisas em minha vida, menos disso. Eu amo demais o meu soldado, mesmo ele estando longe há quase um ano e quase não me mandava mais cartas, será que eu deveria ter ouvido a minha mãe quando ela disse para eu não me envolver com um militar?

O despertador tocou, eu não precisava levantar cedo hoje, é feriado, mas eu também não queria ficar na cama, pensando em cada coisa horrível que poderia ter acontecido a ele, portanto eu me levantei e desci. Como eu sempre fazia durante todos esses meses que ele estava fora, eu coloquei o meu robe e fui até o quintal, na caixa de correios, ver se tinha alguma coisa para mim, e sempre tinha, mas não o que eu queria.

- Nenhuma carta dele ainda? – me assustei ao ouvir a voz da filha da vizinha ao meu lado.

- Não, Alice, nada. – suspirei triste e a encarando, o sol nem havia nascido direito e ela já estava com suas roupas típicas de academia para correr no parque, uma coisa que ela faz sempre, desde que eu me mudei para cá há dez anos.

Alice era um amor de pessoa, talvez um pouco intrometida, mas mesmo assim um amor de pessoa, ela cursava o último ano do ensino médio e pretendia ir para a faculdade de veterinária aqui perto mesmo e mesmo nem tendo começado a faculdade ela já pediu um emprego na minha veterinária, e a verdade era que ela já trabalhava para mim desde que eu a conheci.

- Não se preocupe Bella, logo você recebe uma, você sabe que as cartas demoram muito de lá do fim do mundo. – brincou ela. Ela sempre se referia aos países em guerra como “o fim do mundo” ou “inferno”.

- Eu sei, mas já tem quase um ano e eu não sei se aconteceu alguma coisa e é isso o que me preocupa. – suspirei de novo.

- Não se preocupa com isso. – disse sorrindo e ela olhou para a minha casa. – Ah, Bella, não se esqueceu de nada não? – perguntei confusa e ela apontou para a minha casa e eu a encarei.

Não, eu acho que não havia me esquecido de nada. A casa cor de creme se erguia a nossa frente, com os seus dois andares e o pequeno sótão, com todas as janelas fechadas, eu ainda não havia as abertos, nem mesmo as do primeiro andar, e a porta azul marinho estava fechada.


- Não, não me esqueci de nada, por quê? –

- Tem certeza? – assenti. – Bella, dá uma olhada nas casas em volta e me diz que dia é hoje. – mesmo sem entender o que ela queria dizer eu olhei em volta, as casas estavam iguais as minhas, com as janelas fechadas e escuras, era feriado e muita gente aproveitaria para dormir até tarde a não ser por...

- Mas que merda. – dei uma batidinha na minha testa, como eu poderia ter me esquecido disso. – Eu me esqueci de colocar a bandeira ontem. – Deus, como eu pude me esquecer de que hoje era o dia dos veteranos e todos colocavam uma bandeira na varanda de casa? Ai se meu pai visse isso. Era quase que inadmissível, eu, uma mulher que cresceu dentro de uma casa com dois militares do exercito, meu pai um coronel e meu irmão um primeiro-tenente, e ser casada com um tenente-comandante da marinha, me esquecer de hastear a bandeira justo hoje, no dia dos veteranos. – Eu me esqueci de completamente, mas que merda. – Alice riu. – Eu vou fazer isso logo, antes que a senhora Stanley venha me encher a paciência, e se eu não estou enganada, ela está nos olhando da janela de sua sala. – Alice riu mais ainda. – Vai correr, vá. – eu praticamente a empurrei na direção que ela estava indo quando chegou para eu entrar correr e procurar a bandeira, até porque eu não me lembrava de onde eu havia guardado só me lembrava de que a ultima vez que usei foi no dia da independência.

- Eu já vou... E ah, minha mãe disse que vai passar para lhe buscar na hora da parada. –

- Tudo bem. – ela colocou os fones de ouvidos e saiu correndo e eu bati a portinhola da caixa de correios com força e entrei rápido, antes mesmo que eu pudesse abrir a porta eu vi que a senhora Stanley já estava na sua porta, me chamando e eu entrei em casa como se não houvesse a ouvido.

Por Deus, nem são sete horas ainda, não venha me encher a paciência tão cedo. Jessica Stanley era já uma senhora de idade, talvez um pouco mais velha que a minha mãe, que adora mandar nas pessoas, e ela se sente como a síndica da rua, se algo der errado, é ela quem “resolve”, No final do mês passado mesmo, ela veio me dar um sermão por eu estar chegando a casa, tarde da noite, acompanhada por um homem, que não era o meu marido. E sim, eu concordava que ele não era o meu marido, mas era o meu irmão. E com certeza ela agora viria resmungar comigo porque eu ainda não havia hasteado a bandeira e que isso era uma falta de respeito com os veteranos e com os nossos soldados em guerra. Falta de respeito é ela se intrometer aonde não fora chamada.

Mas antes mesmo que eu pudesse pensar em procurar pela bandeira, eu tinha outras coisas mais importantes para fazer. Para começar eu tinha que trocar de roupa, não ficaria o dia inteiro de camisola e de robe. Subi para o meu quarto e tomei um banho rápido, ao terminar o banho e de lavar os meus cabelos e de me secar, eu segui para o meu quarto, que era todo azul claro, com detalhes em rosa bebê.

As paredes, o dossel da cama, preso na parede, a poltrona no canto, e a cadeira do outro lado do quarto e até mesmo a cabeceira da cama eram azuis claras, tendo as cortinas do dossel, as almofadas e a manta da cama em rosa bebê, a única coisa que se sobressaia no quarto era as duas mesas de cabeceira ao lado da cama, que eram pesadas, antigas e negras. Eu segui até o armário e coloquei uma calça jeans e uma blusa cinza de alças, junto com um casaco de moletom, também cinza e tênis brancos, ao penteie e sequei o meu cabelo e por fim segui para a cozinha.


Que estava se iluminando com os raios do sol que entravam pela janela e pela porta de vidro que dava para o quintal dos fundos. Os armários eram brancos, tanto os que estavam pendurados como os de baixo, tanto a bancada de mármore, que se parecia muito com madeira e no meio uma pequena bancada de madeira branca e mais ao lado uma mesa de seis lugares de madeira branca, com cadeiras de madeira também branca. E comecei a fazer o café da manhã.


- Mamãe. – eu estava terminando de colocar a mesa do café da manhã quando ouvi uma voz baixinha vinda da porta da cozinha.

- Oi meu amor. – caminhei até ele. Anthony estava parado na porta da cozinha com o irmãozinho no colo, ambos ainda com seus pijamas. – Bom dia, meus anjos. – tirei Adam do colo de Anthony, que deitou a cabecinha no meu ombro e com a mão livre peguei Tony no colo e dei um beijo na bochecha dos dois.

- Bom dia mamãe. –

- Mama... –

- Oi meu príncipe. Bom dia. – disse dando um beijo estalado em sua bochecha e o fazendo sorrir. – Tão gostosinho, o meu bebê. – falei com a voz fina e beijando o seu pescoço.  - Vamos tomar café? – Anthony assentiu e eu o coloquei na cadeira e Adam na cadeirinha.

Anthony começou a comer o que eu havia feito quieto na dele, já Adam levou a mão diretamente para a minha camisa. Com cuidado tirei o moletom, colocando nas costas da cadeira, tirei a chupeta de sua boquinha e abaixei a alça da minha blusa e de meu sutiã. Adam já tinha um ano e meio, mas eu ainda tinha leite e então a pediatra disse que eu podia continuar dando, seja no peito ou na mamadeira mesmo.

Enquanto ele mamava eu ficava fazendo carinho em sua cabecinha, em seus cabelinhos acobreados iguais ao do pai. Anthony e Adam eram a copia fiel de meu marido, com o mesmo tom estranho de ruivo, igual a uma moeda de um centavo, olhos verdes, as coisas mais lindas do mundo, parecia que eu não tive nada haver com eles. Adam parou de mamar e eu me ajeitei, e o sentei em sua cadeirinha.

Adam ainda tinha um pouco de fome e eu dei um pouco de banana cortada em rodelas, ele já podia comer sozinho e enquanto os dois comiam, eu também tomava o meu café. Quando os dois acabaram, eu limpei a cozinha rapidamente.

- Mamãe, o que vamos fazer hoje? –

- Nós vamos à parada daqui a pouco, meu amor. – falei secando os pratos usados.

- Eeeee. – ele disse rindo e pulando da cadeira.

- Por que você não sobe e troca de roupa e me ajuda a pendurar a bandeira para que daqui a pouco possamos ir para a parada? –

- E o Adam? –

- Eu já vou subir com ele, pode indo na frente. –

- Tudo bem mamãe. – ele desceu da cadeira e subiu para o quarto.

Eu terminei rapidamente na cozinha e peguei meu bebezinho no colo, subindo até o banheiro e tirando o seu pijama e dando banho em sua banheira, a qual estava presa junto a minha banheira. Depois de dar banho, caminhei até o seu quarto azul com o tema da marinha, igual ao do Anthony. Com uma âncora pequena e um timão preso na parede, com um berço próximo a janela, e uma poltrona ao lado e seu trocador próximo à porta. Coloquei uma fralda limpa e uma calça preta larguinha e uma blusa de moletom de mangas curtas e o peguei no colo para ver se como Tony estava.


Adam tinha um ano e meio e Anthony tinha quarto, mesmo ele tendo passado três anos e meio da vida com o pai do lado, já tinha alguns meses que ele não perguntava mais por ele, talvez cansado de me ouvir inventar um monte de desculpas esfarrapadas, até porque eu também não sabia onde ele estava. E se Tony não perguntava mais sobre o pai, não será Adam que nunca viu o pai, já que ele fora convocado para a Síria quando eu estava grávida de cinco meses, vai perguntar. 

- Filho está pronto? – perguntei entrando no quarto e ajeitando Adam em meu braço, ele estava ficando muito pesado para ficar direto em meu colo. – Anthony. – chamei sua atenção ao ver que ele estava deitado na cama bagunçada, brincando com um aviãozinho, sem nem ao menos ter tomado um banho. – Já para o banho se quiser ir à parada. – ele sem falar nada, largou o brinquedo na cama e correu para o banheiro. – Deus, se eu tiver mais algum filho, por Deus, que seja uma menina. – resmunguei colocando Adam no chão, em cima do tapete, junto aos brinquedos de Anthony.

Esse quarto estava uma bagunça, e eu havia o arrumado ontem de manhã enquanto ele estava na aula, também não poderia culpa-lo pela bagunça, ontem choveu a tarde inteira e ele ficou o dia todo brincando no quarto e ele era bem criativo. Ajeitei a cama dele, que era em formato de barco e guardei todos os seus brinquedos nas caixas e abri as cortinas para entrar um pouco de claridade. Estava terminando de ajeitar os brinquedos de Anthony quando senti um jato de água nas minhas costas e duas risadas, uma era de Adam que estava ao meu lado, virei-me e vi que Anthony, estava todo molhado, molhando chão, pelado e com a maldita arma d’água de brinquedo que meu irmão deu para ele há alguns meses.


- Anthony. – disse firme caminhando até ele, que saiu correndo rindo, molhando todo o corredor e eu fui atrás dele. – Para de correr molhado pela casa e quantas vezes eu já falei para não usar esse brinquedo dentro de casa? – antes mesmo que pudesse falar algo ou esperar sua resposta ouvi um barulho de algo caindo e de vidro quebrando e em menos de dois segundos Anthony chorando. – Merda. – corri até lá, seguindo as pegadas molhadas dele pelo chão, ele estava sentado no chão, com a mão na cabeça, perto da escada, o aparador pequeno com um vaso de flores que costumava ficar entre o meu quarto e o de Adam estava no chão com o vidro quebrando. – Mais que merda. – caminhei até ele e vi que tinha um corte em sua testa e que tinha um pouco de sangue em alguns cacos no chão. – O que aconteceu? –

- O vaso caiu na minha cabeça. – disse chorando.

- Eu já não falei para não correr pela casa? Principalmente molhado? – resmunguei o pegando no colo e o levei para o seu quarto, sentando-o na ponta de sua cama. – Adam tira isso da boca. – disse firme quando vi que ele levava um lego a boca. – Deixa a mamãe ver. – tirei a mão dele da testa e vi que era um corte um pouco profundo. – Vai precisar de pontos. Não se mexe. – ordenei firme e caminhei até Adam tirando todos os legos de perto dele, já que insistia em coloca-los a boca e peguei uma peça de roupa na gaveta de Anthony e uma toalha. Com todo o cuidado do mundo, o sequei e o vesti, com uma calça jeans e uma camisa larga no pescoço e tênis e dei um pano limpo para estancar o sangue. – Não solta. – mandei e ele assentiu. – Olha o seu irmão enquanto vou trocar de blusa. – me levantei e corri para o meu quarto tirando a blusa de moletom molhada e substituindo por outra e pegando as chaves do carro e os documentos e voltei para o quarto de Anthony. – Vem, vamos ao hospital. –

- Mas mamãe, e a parada? –

- Pensasse nela antes de sair correndo pelado e molhado pela casa. – ralhei e respirei fundo. – A parada é ao anoitecer, vai dar tempo de irmos. – disse pegando Adam no colo e Anthony. – Meu Deus, vocês estão pesados. – reclamei enquanto descia com cuidado as escadas e saia de casa. Com toda a dificuldade do mundo, abri a porta e dei de cara com Jessica Stanley, era só o que me faltava.

- Isabella. – disse quando sai de casa.

- Olá senhora Stanley. – disse colocando Adam no chão e trancando a porta e pegando ele de novo. – O que deseja? Estou com presa. –

- Notei que não hasteou a bandeira ainda. – apontou.

- Não tive tempo. –

- Isso é uma vergonha sabia. – reclamou e eu revirei os olhos enquanto caminhava para a garagem. – Seu pai é militar, seu irmão é militar e seu marido é militar, isso se ele estiver vivo ainda, mas de qualquer maneira, deveria dar o exemplo e ser a primeira a hastear a bandeira. – ela ia me seguindo enquanto eu caminhava para o meu carro.

- Sim, tem razão. –

- Que bom que admitiu. – abriu a porta de trás do carro e coloquei os dois na cadeirinha. – Já que admitiu, vá logo colocar a bandeira. – ordenou e eu fechei a porta a encarando.

- Eu concordo com o fato de meu pai, meu irmão e meu marido, que está vivo. – ou assim eu esperava. – São militares, e a senhora é uma fofoqueira, mal amada que não tem mais o que fazer da vida. – ela me olhou sobressaltada. – Se não percebeu, meu filho está machucado, pouco me importa a bandeira agora, eu vou leva-lo ao hospital e quando eu voltar, se eu tiver tempo, eu a hasteio. Agora, por que a senhora não vai arrumar o que fazer? Arruma um homem, esse seu mau humor deve ser falta de sexo. –

- Não preciso de homem. –

- Então precisa de um vibrador? – questionei. – Eu tenho um no meu quarto, como sabe meu marido está fora há meses e eu sou mulher, e um vibrador não é considerado traição. Se quiser eu pego ele para a senhora agora, bem rapidinho. Aceita? –

- Me respeite. – rosnou.

- Se de o respeito e não se meta na vida alheia. – retruquei e abri a porta do motorista. – E diz mais uma vez que o meu marido está morto e você vai ver o que eu faço com a senhora. – ameacei e entrei, batendo a porta com força e ligando imediatamente o carro.

O caminho de minha casa até o hospital fora bem rápido, até porque eu dirigi rápido e em pouco tempo estava parada no estacionamento e pegando meus filhos no banco de trás. Senhor eu iria ficar sem braço de tanto carregar essas crianças para cima e para baixo. Entrei na emergência e em pouco tempo tinham limpado o ferimento de Anthony e batido um raios-X só por precaução e eu agora estava encostada na maca com Anthony, já com os pontos na testa e um curativo, e Adam sentados dela, esperando apenas o medico ver e dizer que a pancada não era algo mais serio. Estava tudo silencioso, Tony estava quieto, até porque estava machucado e deveria estar doendo um pouco e eu não conseguia tirar da cabeça a maldita frase de Jessica... Seu marido é militar, isso se ele estiver vivo ainda. Seu marido é militar, isso se ele estiver vivo ainda. Isso se ele estiver vivo ainda. Estiver vivo ainda. Vivo ainda. Vivo. Essas malditas palavras rolavam pelo meu cérebro.

Não, ele não havia morrido, se ele tivesse morrido, ou se machucado ou algo do tipo, eu saberia, seu superior me avisaria, mas ele nunca ficara tanto tempo longe de casa, nunca. E nunca ficou sem mandar cartas eu não entendia porque esse silêncio todo. Passei a mão pelo rosto, subindo-a para os meus cabelos e enfiando-as nele e puxando com força. Ele tinha que estar vivo. Ele TEM que estar vivo.

- Mamãe. – Anthony gritou e eu dei um pulo no lugar, saindo dos meus pensamentos e dando de cara com Carlisle. – Mamãe, o vovô está te chamando a um tempão. – apontou.

- Desculpe, estava distraída. Oi Carlisle. -

- Você está bem? – perguntou simplesmente e eu neguei sentindo as lágrimas subindo pelo meu peito. – Anthony cuida do Adam e não saiam daí. –

- Tá vovô. – Tony disse e Carlisle me puxou para a porta, onde eles não nos ouviriam.

- O que houve? –

- Estou surtando. – disse simplesmente sentindo algumas lágrimas escorrerem pelo meu rosto. – Carlisle já tem um ano e ele ainda não deu notícias. – ele suspirou, ele e a esposa também estavam preocupados.

- Eu sei. Eu tentei entrar em contato com a base. – o encarei, engolindo o choro e limpando os olhos.

- Ele está bem? –

- Não disseram, quando eu pedi para falar com Joseph. – contou se referindo ao superior de meu marido que era um grande amigo de Carlisle. - Ele disse apenas que ele estava em uma missão Black Op e não poderiam dar nenhuma informação até a missão acabar. E que ele não podia falar mais nada, ele não podia nem falar da missão. –

- Deus... Carlisle, eles não podem fazer isso comigo. – disse sentindo as lágrimas descendo de novo. – Eu não aguento mais não saber onde meu marido está e nem como ele está. –

- Bella, ele está bem e vivo. – disse segurando-me pelos ombros. – Se ele não estivesse Joseph teria me dito. –

- Eu vou surtar sem notícias dele. – apontei.

- Olha, eu prometo, que vou tentar ligar para Joseph de novo e tentar sondar mais um pouco, mas você precisa ser forte. Você cresceu com seu pai se afastando. –

- Meu pai nunca ficou tanto tempo longe, Carlisle, e sempre dava notícias. E eu também surtava muito quando era criança. –

- E mesmo assim casou com um militar. – apontou sorrindo.

- Minha mãe disse que eu ia me arrepender. –

- Se arrepende? –

- Ainda não. – confessei e ele sorriu mais ainda me puxando para o seu peito e me abraçando forte. Carlisle não se parecia nem um pouco com o filho, até porque não era filho dele, Carlisle o adotou quando ele tinha seis anos.

 - Venha, vamos ver como o pirralho está. – brincou falando do neto e caminhamos para dentro da sala de como. - Como foi que isso aconteceu em, Anthony? – perguntou ao neto enquanto ligava a lanterninha em seus olhos.

- Eu caí. – disse simplesmente piscando os olhinhos verdes quando a luz deixou seus olhos.

- Ele estava correndo, pelado e molhado pela casa. – contei e vi que Adam tentava pegar o estetoscópio do avô, que está pendurado em seu pescoço.

 - Pelado e molhado? – Carlisle perguntou o encarando. – Já não falamos para não fazer isso porque é perigoso? –

- Eu sei vovô. – disse abaixando a cabeça. – Não faço de novo, prometo. –

- Ótimo. Você parece estar bem, foi apenas um pequeno corte, e vai formar um galo, apenas isso. Se ele sentir dor de cabeça ou tontura, me liga. E daqui a uma semana volta aqui para tirar os pontos. –

- Pode deixar. –

Carlisle apanhou algumas coisas e limpou o corte na testa de Anthony e após aplicar uma anestesia local, suturou a testa do neto e fez um curativo, que envolvia a cabeça dele com uma faixa branca e me ajudou a levar os meninos para o carro, já que não tinha como eu carregar os dois e ainda apertar o botão do elevador e nem abrir a porta do quarto, ainda mais com um Anthony manhoso devido ao machucado. Ao chegar no estacionamento colocar Anthony na cadeirinha para mim, o Pager de Carlisle apitou, e prometendo-me ligar para o amigo para tentar conseguir mais noticias sobre o filho, se despediu dos netos e correu para a emergência do hospital.

Isso não era justo, qual é a graça de você ser amigo do superior de seu filho e ele não falar nada para você? Joseph não tinha filhos, nem esposa, portanto não tinha como ele saber como nós nos sentíamos sem notícias do filho. Ajeitei Anthony e Adam nas cadeirinhas e entrei no banco do motorista, respirando fundo antes de ligar o carro.

Enquanto eu dirigia pelas ruas calmas de Washington, eu via todos os prédios, casas, lojas e diversos outros tipos de comércios com a bandeira americana, pessoas, principalmente crianças, andavam com camisetas azuis e da seleção americana, de diversos esportes, bandeiras e cartazes agradecendo aos soldados e eu não pude deixar de sorrir ao me lembrar do dia dos veteranos de dez anos atrás.

—— Flashback – 11/11/2007 ——

- Hey Thommy. – disse entrando na cafeteria onde o meu amigo do colegial trabalhava depois das aulas, junto com a mãe.

- Oi Bee! – bufei ao ouvir esse apelido ridículo que Thomas havia me dado. – Vai querer o que? –

- Chocolate quente. – ele me encarou. – Que? –

- Está um calor infernal e você pede um chocolate quente? –

- Estou nem ai se está calor, eu quero um chocolate quente! – resmunguei e ele riu indo apanhar o meu chocolate quente.

- Aqui Bee. – me entregou o copo para a viagem.

- Obrigada Thommy. – disse esticando a nota de cinco dólares que pagaria o café.

- Não precisa Bee, por conta da casa. –

- Certeza? –

- Claro. Hey eu te vejo na hora do desfile? –

- Claro. Vou estar com meus pais perto da ala do exército. – respondi me afastando do balcão na direção da porta.

- Okay. Quando eu sair daqui eu te encontro lá. –

- Beleza! – respondi saindo da cafeteria, me virando para passar pela porta e esbarrando em alguém, a minha mão, que segurava o meu café bateu no corpo da pessoa, que esbarrou em mim e virou, derrubando todo o meu chocolate quente em minha blusa favorita do Bon Jovi. Minha blusa branca de mangas curtas, com o símbolo da banda na frente. Um coração com uma espada alada crava no coração com algumas rosas murchas e lilases em volta dele e com uma faixa onde tinha escrito Bon Jovi. – Ai cacete. – gritei sentindo o chocolate completamente quente batendo em meu peito, passando pela camisa. – Está quente... Está quente... Está quente... –


- Me perdoa, foi sem querer, eu estava distraído e não lhe vi. – era um homem que havia esbarrado em mim, pelo menos a voz era masculina, e senti um pano molhado tocando na pele descoberta do meu colo e pescoço. Levantei a cabeça e dei de cara com um jovem, talvez, no mínimo dois anos mais velho do que eu, completamente, cabelos arruivados, em um tom meio estranho, mais parecido com uma moeda de um centavo, grandes, brilhantes e penetrantes olhos verdes esmeraldas. Céus que homem lindo é esse? – Hey moça... Hey moça... – vi uma mão passar na frente de meu rosto e eu pisquei saindo de meus pensamentos.

- Hã? Que? – perguntei idiotamente e ele riu, legal eu virei motivo de piada.

- A senhorita está bem? –

- Ah sim. Obrigada. A queimação parou, sabe-se lá como. – ele levantou um pano que estava um pouco molhado e uma garrafa d’água quase vazia com uma enorme pedra de gelo dentro. – Ah. Faz sentindo. – ele riu de novo. – Obrigada de novo. – agradeci quando ele colocou o pano e foi quando eu percebi que o pano era a sua camisa e que ele estava apenas de calça jeans e tênis, que amostrava os seus músculos do braço e o seu peitoral liso e definido. – Ér... – eu acho que o meu cérebro fritou. – Eu acho melhor eu ir. – disse antes que começasse a babar e sai andando.

- Espera. – ele me puxou pelo pulso. Deus me deixe ir embora antes que eu comece a babar na frente dele e isso seria humilhação demais para mim. – Edward Cullen. – estendeu a mão.

- Bella Swan. – apertei sua mão. – Quer dizer... Isabella, mas odeio que me chame de Isabella. – expliquei e ele apertou firme a minha mão. Senhor que pegada é essa. – Com licença. –

- Espera. – disse de novo e me puxando. – Eu derrubei o seu chocolate quente, deixe-me comprar outro. –

- Não. Não é necessário. Até porque eu perdi a vontade de tomar chocolate quente depois de ele ter quase me matado. – apontei e ele jogou a cabeça para trás gargalhando.

- Eu insisto pelo menos algo fresco, já que está bem calor aqui. –

- Não precisa mesmo, é serio, até porque tenho que correr para casa para trocar de blusa. –

- Estraguei a sua camisa! – expos encarando minha camisa branca que agora estava meio marrom. – O que é uma pena. Adoro Bon Jovi. Qual é a sua musica favorita? –

- Bed of Roses. – contei.

- Olha a coincidência, a minha também. –

- Não é nada. – expus, até porque nenhum homem admitiria em voz alta que a sua música favorita é Bed of Roses.

- Não é mesmo! Nunca ouvi e só conheço a banda por nome. –

- Então por que mentiu? – ele mexeu no cabelo ficando com as bochechas levemente coradas.

- Você queria ir embora e eu queria... Sei lá... Conversar mais um pouco... Conhecer-te melhor. –

- Poderia me perguntar em qual parte da parada eu vou ficar. – sugeri sorrindo. – E a propósito, vou ficar perto do exército. –

- Parente no exército? –

- Meu pai é coronel e meu irmão acabou de passar na prova. –

- Seu pai é coronel do exército? – assenti e ele engoliu em seco.

- Algum problema? – questionei sorrindo. Muita gente se afastava ao saber que meu pai era coronel do exercito.

- Talvez. – ele sorriu torto e santo Cristo, que sorriso torto lindo é esse, Jesus?! - Ele se importaria se a filha dele saísse com um cara que acabou de entrar na marinha? –

- Está me chamando para sair? – perguntei muito confusa. – Sério? –

- É. Por quê? –

- Todo mundo se afasta ao saber que meu pai é coronel. – apontei.

- Assusta um pouco. – confessou. – Mas você não me respondeu. Ele se importaria se você saísse com um cara da marinha? –

- Não sei. – respondi sinceramente. – Ele nunca reclamou da marinha... Da aeronáutica já. –

- Ainda bem que eu não sou da aeronáutica então... – apontou sorrindo e eu sorri junto.

- De qualquer modo... Eu tenho que me trocar. Se eu aparecer assim no desfile é capaz do meu pai me matar. – apontei.

- Vai me deixar aqui sozinho? Muitas garotas dão em cima de marinheiros. –

- Eu nem lhe conheço. Por que me importaria? –

- Ai! Essa doeu! Mas mesmo assim, se fosse ao contrario, eu não deixaria a senhorita sozinha. Algo de ruim poderia acontecer e... –

- E meu pai me colocou na aula de artes marciais quando eu era pequena, ou seja, eu sei me defender. –

- Você pode parar de arrumar desculpas? Eu quero conhecer você. – apontou sem jeito e eu comecei a rir.

- Se você já tivesse me deixado ir a casa me trocar, eu, TALVEZ, já teria voltado e TALVEZ, estaria conversando com você. TALVEZ! – frisei bem o talvez.

- Só deixo você sair quando prometer que vai voltar. –

- E ai eu ligo para o meu pai! –

- Tudo bem, pode ir. Mas saiba que eu ficarei esperando aqui dentro, com duas cocas e talvez dois pedaços de torta de maçã... –

- Odeio torta de maçã. –

- Quem disse torta de maçã?! Eu disse dois pedaços de bolo de chocolate. – ergui a sobrancelha. – Nem vem, todo mundo gosta de chocolate. – balancei a cabeça sorrindo. – Voltando. Estarei esperando com duas cocas bem geladas e dois pedaços de bolo de chocolate... Com muito chocolate. –

- Com licença marinheiro. –

- À vontade Karate Kid. – disse e eu comecei a rir ao sair da cafeteria.

Deus que homem é esse? Além de bonito é engraçado. Eu morava a algumas ruas atrás de onde iria acontecer o desfile, portanto tratei de correr para lá. Eu queria voltar, como quem não quer nada, eu sei que meu pai me ensinou a nunca falar com estranhos, mas se eu não falar com estranhos como que eu vou fazer amigos? E, aliás, o cara é bonito e não recuou igual a muitos, ao saber que meu pai era militar.

Entrei em casa e subi correndo para o meu quarto tirando imediatamente a blusa suja de café e a minha calça e correndo para o meu armário pegando um vestido azul marinho simples, que ganhara de minha mãe e nem tinha tirado a etiqueta ainda e quando fui me vesti, percebi que eu cheirava café. Literalmente.

- Não é tão ruim assim, e eu gosto do cheiro de café. – falei comigo mesmo levantando o braço. – Não, se eu não tomar banho ele vai notar achar que eu sou porca e ai fodeu. – resmunguei largando o vestido na cama e correndo para o banheiro. 

Tirei minha calcinha e meu sutiã e prendi meu cabelo em um coque alto e tomei um banho rápido, eu não queria demorar, não queria lhe dar muita bola, pelo menos eu não queria que ele soubesse que eu estava lhe dando muita bola. Terminei meu banho e após me secar, coloquei um lingerie limpa, já que meu sutiã também tinha cheiro de café e vesti o meu vestido azul marinho, que batia na altura das minhas coxas, sem decote com uma gola e alguns botões, apenas de enfeite e calcei tênis branco. Eu não queria que ele pensasse que havia me produzido toda apenas para vê-lo, mas também eu não queria ir desarrumada. Passei um gloss nos lábios, um lápis e rímel preto nos olhos e apertei de leve as minhas bochechas para deixa-las rosadas e penteei o meu cabelo pegando minhas coisas e corri para a cafeteria e entrei normalmente.



- Hey Karate Kid! – mal entrei na cafeteria e ouvi a voz de Edward.

- Edward? – o encarei fingindo surpresa por ele ainda estar ali, mas no fundo eu desejava que ele ainda estivesse ali. – O que está fazendo aqui? –

- Eu avisei que ficaria aqui lhe esperando. Pelo visto você veio. –

- Não por sua causa. – menti e vi que tia Beth saia da cozinha da cafeteria.

- Então? –

- Tia Beth. – atrai a sua atenção e caminhei até o balcão, apoiando meus braços no balcão e ficando na ponta dos pés e me debruçando no balcão.

- Oi menina. – ela apertou minha bochecha e eu ri, vendo pelo vidro atrás do balcão, que Edward encarava a minha bunda.

- Cadê o Thommy? – perguntei alto e vi que Edward parou de olhar para a minha bunda e passou a prestar atenção na minha conversa.

- Saiu mais cedo. Disse que iria para casa para se trocar, já que ia se encontrar com você para ver o desfile.  Disse que depois iria lhe encontrar no parque. –

- Okay, então eu acho que vou matar um pouquinho o tempo antes de começar o desfile. – me afastei um pouco da bancada. – Te vejo mais tarde, tia Beth. –

- Até mais tarde fofinha. – ela deu outro aperto em minha bochecha e foi atender outro cliente e eu caminhei devagar para perto de Edward, já que ele estava perto da saída e foi quando eu percebi que ele havia colocado uma blusa, não aquela branca, mas uma de botões, com as mangas erguidas até os cotovelos, azul marinho, que combinava assustadoramente com o meu vestido. E ele também percebeu isso, já que ao ver a minha roupa sorriu de lado balançando a cabeça de leve.

- Thommy? – perguntou parando de rir. – Seu namorado? –

- Só porque eu não quero. – expliquei. E era a pura verdade, meio mundo sabia que Thomas era a fim de mim, porém eu apenas o via como amigo e ele tinha medo do meu pai e de meu irmão. – Mas eu marquei com ele de assistir a parada. –

- Achei que fosse assistir comigo. – fez bico.

- Mas eu nem lhe conheço. – lembrei-o.

- Não seja por isso. – ele empurrou um prato com uma fatia enorme de bolo de chocolate com um copo enorme de coca-cola com muitas pedrinhas de gelo flutuando naquele mar negro.

- Eu nunca recuso comida. – disse me sentando e puxando o prato com o bolo para mais perto de mim. – Se quiser me comprar, comida sempre funciona. – comentei e peguei um pedaço do bolo com a colher e colocando na boca, sentindo o chocolate derreter. – Céus... Eu amo o bolo da tia Beth. – enfiei outro pedaço na boca e vi que ele me encarava. – Para de me olhar. Odeio que me encarem enquanto eu como. – reclamei depois de engolir.

- Desculpa. – pediu desviando os olhos para a sua fatia de boto  e colocando um pedaço na boca.

- Então. – prossegui após engolir outro pedaço de bolo e com um gole da coca-cola. – Você queria me conhecer. E ai? –

- É daqui? – neguei.

- Nasci em Forks. Washington. – expliquei. – Mas podemos dizer que sou um “rato do exército”. –

- Se mudou muito. – concluiu e eu assenti.

- É. E finalmente há três anos nós sossegamos aqui e eu pude fazer amigos. Amigo! – corrigi. – O Thommy. – expliquei. – E quanto a você? –

- Austin. –

- Texas? – assentiu. – Se mudou quando? –

- Aos seis anos, quando fui adotado. – respondeu simplesmente sovando um gole do refrigerante gelado.

- Como é? –

- Eu nasci e vivi em Austin por seis anos, até que meus pais me adotaram e me trouxeram para cá. – explicou normalmente.

- Não responda se não quiser... Mas e quanto aos seus pais biológicos? –

- Não conheci, eu não sei quem são; eu não sei o motivo de terem me deixado lá e sinceramente eu não quero saber quem são. –

- Vai dizer que no fundo, bem no fundo, você não tem essa curiosidade? –

- Não mais. Confesso que há alguns anos, sim, eu tinha a curiosidade. Agora não. Estou feliz com os meus pais adotivos, não poderia ter pais melhores. –

- Cadê eles? –

- No hospital. – desviei os olhos do bolo e o encarei com os olhos arregalados. – Calma. Eles trabalham lá. – explicou rindo da minha cara e eu relaxei.

- Já ia perguntar se você era louco por estar aqui com os seus pais no hospital. – comentei passando as mãos pelo rosto e ele continuou rindo.

- Papai é clinico geral e minha mãe é enfermeira. – explicou. – A faculdade fez com que os dois se conhecessem, o hospital fez com que eles se aproximassem e eu fiz os dois se casarem. – respondeu. – E quanto a sua mãe? –

- Veterinária. Pretendo fazer medicina veterinária para trabalhar na clinica dela. –

- Gosta de animais. – apontou.

- Eu gosto do meu irmão então... – dei de ombros e Edward começou a gargalhar. – Ele é um asno... Sem ofensa aos asnos. – brinquei e ele riu mais ainda atraindo a atenção de alguns poucos clientes que saiam da loja e foi quando eu percebi que estava na hora de tia Beth fechar. – Então... – comecei após ele parar de rir e de eu ter terminado de beber o resto da coca. – Acho melhor eu ir. –

- Ainda não está na hora do desfile. – apontou.

- Eu sei, mas é que a tia Beth vai fechar então... –

- Já que é assim. – ele se levantou.

- Quanto deu? –

- Eu paguei. – abri a boca. – Eu convidei então eu pago. –

Despedi-me de tia Beth e saímos da cafeteria, eu com o meu celular em mãos e ele com as mãos nos bolsos da frente da calça. Nós caminhamos pelo parque Lady Bird Johnson, as margens do rio Potomac, enquanto eu esperava a hora da parada . O desfile sairia da frente do Tumulo do Soldado Desconhecido no cemitério de Arlington e terminaria em frente ao Capitólio. Ainda faltava cerca de uma hora para o inicio da parada, quando nós seguimos para a entrada do cemitério de Arlington, onde ficava o tumulo do Soldado Desconhecido e nos sentamos em um banco, perto da Arlington House, que tinha o mastro na frente da casa, com uma bandeia americana hasteada até a metade do mastro, sob a sombra de uma árvore e ele ia me contando sobre a sua família e eu ia falando um pouco sobre a minha.


Edward me contou que seu pai fora médico da marinha, assim que saiu da faculdade, por três anos e quando ele resolveu se “aposentar” da marinha, ele continuou, melhor, começou a trabalhar no hospital, foi quando ele reencontrou a mãe de Edward e passaram a morar juntos e se casaram alguns meses depois de adotar Edward. Já que devido a um acidente quando, ele ainda estava na marinha, acabou ficando estéril. 

Nós estávamos sentados no banco, um de frente para o outro, ele tinha as pernas uma de cada lado do banco branco de pedra e eu tinha as duas pernas dobradas em cima do banco, com a minha pequena bolsa no meio das minhas pernas, para que ele não acabasse vendo o que não deveria. Mesmo Edward sendo um completo desconhecido, depois de algum tempo conversando parecia que éramos amigos de infância, era divertido e fácil conversar com ele, ao contrario de muitos homens, pelos menos dos poucos com os quais eu conversara, ele ouvia e não parecia nem um pouco preocupado com o fato de querer ir embora e em nenhuma vez ele pegou o telefone para ver a hora.

Mas ele deveria ter visto a hora, ele deveria ter visto a hora. Quando demos por mim, era havia escurecido e a lua cheia brilhava no céu e só percebemos isso quando um vento frio passou por nós, fazendo com que os pelinhos de meus braços se arrepiassem e foi quando percebemos que o cemitério já estava vazio, com os postes ligados e que um guarda vinha em nossa direção, provavelmente fazendo sua ronda e vindo avisar que iria fechar. Nós dois havíamos perdido completamente o desfile e eu perdido cinquenta ligações de meu pai, eu nem notara que havia colocado o telefone para vibrar e eu não o havia sentido tocar nenhuma única vez.

- Eu não acredito que perdemos a hora desse jeito. – comentei passando as mãos pelo rosto e ele riu. – Deus, meu pai vai me matar. – comentei rindo e no mesmo segundo meu celular começou a vibrar em minha mão. – É ele. –

- Quer que eu fale com ele? –

- NÃO! – gritei e ele riu e eu atendi ao telefone. – Oi papai. –

- Está onde? – ele perguntou calmamente.

- Indo para casa. –

- Acho bom mesmo, mas não foi isso o que eu perguntei. Onde você está? – perguntou de novo.

- Eu estou saindo do cemitério de Arlignton. Perdi a hora e já estou indo. –

- Não demore, estamos lhe esperando para jantar. –

- Sim senhor. – respondi desligando o telefone. – Eu tenho que ir. –

- Quer que eu te leve? –

- Não precisa, é aqui perto, a algumas ruas atrás. –

- Eu não poderia permitir que vá sozinha essa hora, quanto mais sozinha. Alguma coisa poderia acontecer.

- Eu já disse que sei me defender. –

- Do mesmo jeito. Eu não me sentiria bem se deixasse você ir sozinha. – explicou. – Meu carro está aqui no estacionamento ao lado do cemitério. –

- Sabia que meu pai me ensinou a nunca entrar no quarto de um estranho? –

- Está realmente preocupada com isso agora? Depois de ter aceitado o bolo que eu te dei mais cedo e de ter ficado horas comigo sentado naquele banco de pedra. – apontou e eu comecei a rir.

- Tem razão.  –

Aceitei a carona de Edward e nós caminhamos com calma até o carro, no estacionamento no final da rua enquanto continuávamos a conversar. Eu não sabia de onde eu tirava tanto assunto, eu nunca conversara tanto com alguém assim na minha vida, nem com a minha família e nem com o Thommy e olha que eu conversara muito com o Thommy.

O carro de Edward, um volvo prata, era um dos poucos que ainda restavam no estacionamento. E como um cavaleiro, Edward abriu a porta para mim, fechando-a assim que eu me sentei no banco de couro macio. E assim que ele entrou no banco do motorista, ele entrou e eu expliquei como ele chegaria a minha casa e para lá ele seguiu, parando após alguns poucos minutos, já que eu realmente morava ali perto, e ele parou em frente a minha casa.

Edward parou em frente a casa branca de dois andares, com telhado azul escuro e uma cerca branca pequena na frente e um jardim com varias árvores e arbustos bem cuidados, uma enorme varanda com um sofá, onde eu passava uma boa parte das minhas horas e mais para o lado uma mesa com quatro cadeiras vermelhas em volta e a luz em cima da porta estava acessa e perto dela uma bandeira americana, pendurada, tremulava devido ao vento fresco.


- Obrigada pela carona e por ter me feito falar mais do que sabe-se-lá o que. –

- Disponha. Quando quiser ou precisar conversar é só me chamar. –

- Claro... Por sinal de fumaça. – ironizei brincando e ele riu pegando o meu celular de minha mão e digitando algo ali. – Hey abusado, o que está fazendo? –

- Salvando meu numero... Aproveita e salva o seu. – ele pegou no bolso o seu celular e ficou o segurando até que eu o peguei e digitei meu numero o salvando e vi um flash iluminar parcialmente o carro. Ele havia tirado uma foto de seu rosto para que eu soubesse que era ele e me entregou o telefone e eu entreguei o dele. – Bella? – o encarei e vi o flash que quase me cegou, e eu pisquei os olhos com força, sentindo meus olhos lacrimejando.  – Desculpe. – pediu sorrindo enquanto me via piscando os olhos até aquela bolinha escura sumir.

- Tudo bem. – olhei pela janela do carro e vi que meu pai encarava a rua por uma fresta da cortina. – Melhor eu entrar, daqui a pouco é capaz de o meu vir atrás de mim. –

- Nos vemos depois. – desviei os olhos da janela do carro e o encarei. – Por que eu vou ligar e mandar mensagem. –

- Claro que vai. – ironizei e senti um beijo sendo depositado em minha bochecha e senti onde ele beijou formigar e o meu rosto começar a esquentar. – Boa noite, Bella. –

- Boa noite, Edward. – desejei e sai do carro e basicamente corri melhor, melhor, andei o mais rápido que pudesse, até a varanda de minha casa e entrando na mesa e encostando a testa na porta, recém-fechada, e respirando fundo ao ouvir o ronco do motor ser ligado e se afastar da casa.

Minhas pernas tremiam, era um beijo na bochecha, apenas um beijo na bochecha, mas era o primeiro beijo que eu recebia de um homem, sem ser o meu pai e meu irmão. Eu sentia o meu coração batendo rápido, as minhas pernas tremiam mais do que duas varas verdes e meu estômago estava muito embrulhado, como se milhares de borboletas batessem as asas rapidamente dentro de mim. Mordi o lábio enquanto sorria e me virei, dando de cara com o meu pai, irmão e mãe que me encaravam. Meu pai e irmão com os braços cruzados no peito e tinham o rosto serio, e minha mãe tinha as mãos sobre os lábios, mas era perceptível de que ela sorria, já que o seu sorriso chegava aos olhos.

- Quem é ele Isabella? – meu pai perguntou e tudo sumiu. As borboletas no estômago, as pernas bambas, o coração acelerado e até as minhas bochechas rubras sumiram. – De novo, porque eu acho que ele arrancou a sua língua. Quem é ele? –

- Deixe-a Charlie. É apenas um namoradinho. – minha mãe disse sorrindo amplamente e dando uma tapa no braço do marido.

- NAMORADO? – meu pai e irmão gritaram ao mesmo tempo me encarando. Fodeu.

- Não é meu namorado. – respondi de imediato e acalmando os dois e fazendo o sorriso de minha mãe morrer. – Ele é um cara que eu conheci. –

- Onde? –

- No café da tia Beth. –

- Quando? –

- Hoje?! – respondi meio que perguntando e temendo pela resposta deles.

- HOJE? – meu pai perguntou gritando e minha mãe o beliscou e ele respirou fundo. – Sai Emmett. –

- O que? – o asno perguntou confuso. – Eu quero saber se ela vai morrer! – meus pais apenas o encararam e Emmett subiu as escadas e meu pai apontou para a mesa da cozinha e eu segui para lá.

Contornei a escada, que ficava de frente para a porta de entrada e puxei uma das dez cadeiras estofadas cinzas, a minha cadeira de costume e me sentei nela de frente para a mesa de madeira escura. Eu nunca entendia o motivo da mesa de jantar ser tão grande, já que meus pais davam pouquíssimos jantares com muita gente aqui e fiquei encarando o enfeitei de centro enquanto eles se sentavam cada um de meu lado.


- Quantas vezes eu já disse para não conversar e não aceitar caronas de estranhos? – meu pai perguntou calmo.

- Se eu não falar com estranhos eu nunca vou ter amigos. – apontei e ele abriu e fechou a boca sem argumentos.

- Nossa, ela te deixou sem palavras, em Charlie... – minha mãe brincou rindo e meu pai apenas revirou os olhos.

 - Olha só papai. – me virei de frente para ele. – Eu que o senhor diz para não conversar e não aceitar caronas de estranhos, mas acontece que é que ele é legal. O senhor gostaria dele. Ele acabou de entrar para a marinha. E o senhor mesmo disse que se eu fosse me envolver com algum das forças especiais, para nunca me envolver com alguém da aeronáutica, e bom, ele é da marinha. –

- Isso não muda o fato de ele ser um completo estranho. –

- Não é mais um estranho. Quando nós saímos do café da tia Beth, nós seguimos para o cemitério, para esperar o inicio da parada, nós nos sentamos em um banco enfrente a Arlington House e conversamos e quando demos por nós já havia escurecido. É como se nos conhecêssemos a nossa vida inteira. – expliquei e ele passou a mão pelo rosto.

- Mas ele pode ter mentido para você. Ele pode não ser da marinha... –

- Pai, os pais dele trabalham no hospital George Washington. O pai dele é clinico geral e a mãe é enfermeira, ele é adotado, nasceu em Austin e foi adotado por Carlisle e Esme aos seis anos e se mudou para cá. O pai dele serviu a marinha como medico e se aposentou após um acidente com o comboio que explodiu e acabou ficando estéril então ele e a esposa, adotaram Edward no Texas e desde então ele tem morado aqui. E que se ele não passasse na prova da marinha iria cursar direito ou medicina e já até estava procurando as faculdades e mandando as inscrições. Ele mandou até para Oxford. –

- Agora eu estou surpresa. – minha mãe comentou atrás de mim. – Eles conversaram mesmo. Charlie eu não vejo problema nenhum. Eles ficaram o dia basicamente todo sozinhos e ela está inteira, ela está bem e eles apenas conversaram. Por que eles não podem continuar a se ver e conversar? Só porque eles não se conhecem? Isso é ridículo. Nós também nos conhecemos numa cafeteria e nos casamos, para de querer proteger a menina até da própria sombra. –

- Tudo bem. Mas eu quero que me avise sempre que sair com ele e avise ao aprendiz de marinheiro que eu quero conhecê-lo e que se ele se atrever a passar um milímetro da linha eu o castro e depois o mato. –

- Sim senhor. –

- Pode ir. – disse e eu me levantei lhe dando um abraço apertado.

- Obrigada papai. –

- Deus, minha menina está crescendo. – ele deu um beijo no topo da minha cabeça.

- Boa noite papai. – dei um beijo em sua bochecha.

- Boa noite amor. –

- Boa noite mamãe. – segui para perto de mamãe e lhe dei um beijo estalado na bochecha.

- Boa noite princesa. – ela retribuiu o beijo e eu apanhei o meu celular em cima da mesa e subi as escadas para o meu quarto. Coloquei o meu celular para carregar enquanto eu pegava o meu pijama e seguia para o banheiro para tomar banho.

- Não acredito que esteja viva. – Emmett comentou depois que deixei o banheiro já de banho tomado.

- Pois como pode ver, grandão, eu estou e papai ainda deixou que eu o veja de novo. – comentei caminhando para o meu quarto.

- Não gostei dessa historia. Quero o nome, telefone e RG desse cara. –

- Vai dormir grandão. – comentei e entrei no meu quarto, me jogando na cama e pegando o telefone para coloca-lo para despertar para que eu não perdesse a hora da aula amanhã e vi que tinha uma mensagem de Edward e eu a abri.

‘De: Edward.
Viu como eu disse que iria falar com você de novo. Diga-me, seu pai te matou e eu devo começar a falar com você através de uma tabua de Ouija ou você está bem e posso continuar a mandar mensagem e a ligar?’

Li a mensagem e mordi os lábios antes de responder. Era impressão minha ou ele havia ficado preocupado com o fato de que meu pai poderia ter ficado chateado por eu ter passado o meu dia inteiro com um cara que eu não conhecia, e principalmente, que ele não conhecia? Abri uma nova mensagem e meus dedos dançaram pelas letras.

‘De: Bella.
É, estou vendo que você cumpre as promessas, bom menino. E não, você não precisa comprar uma tabua de Ouija para falar comigo. Eu estou viva. Papai ficou um pouco chateado por eu não tê-lo obedecido quando ele disse: Não fale com estranhos! Mas ele relevou o caso, talvez seja quando eu avisei que você havia acabado de entrar na marinha. Então está tudo bem.
E agora se o senhor me permitir... Senhor marinheiro, eu irei dormir, pois amanhã eu tenho que acordar cedo porque eu tenho aula.
Boa noite, marinheiro!’

Sem pensar muito e sem reler a mensagem, apertei em enviar e em poucos segundos recebi uma mensagem avisando que a mensagem havia sido entregue e enquanto eu esperava a mensagem eu armei o despertador e me ajeitei na cama, me cobrindo e me ajeitando no travesseiro e antes que pudesse apagar a tela do celular e apoia-lo na mesinha de cabeceira, mas uma mensagem chegou de Edward.

‘De: Edward.
Pois bem eu fico feliz por estar viva e bem, e fico mais calmo também. Então tudo bem, vá dormir e descansar, você tem que estudar mocinha.
Boa noite Little Kitten, durma bem.

Little Kitten? Ele me chamou de Little Kitten? Por que diabos ele me chamou de Little Kitten?

De: Bella.
Little Kitten? Por que me chamou de Little Kitten?’

E a resposta veio logo em seguida.

‘De: Edward.
Tire as suas próprias conclusões. Little Kitten.
Boa noite. ’

—— Flashback Off. – Dias Atuais. ——

- Mamãe… Mamãe… - pisquei os olhos ao ouvir meu filho gritando no banco de trás e um monte de buzinas ao redor. Eu estava parada no sinal vermelho, que já piscava na cor verde. – Mamãe. –

- Oi amor, está tudo bem. – voltei a ligar o carro e a dirigir para casa.

Eu havia ficado perdida em meus pensamentos de quando eu conheci o meu marido. Céus como eu sentia a falta desse homem. Estacionei o carro na frente do meu portão de garagem e desci do carro pegando as crianças. O efeito da anestesia que Anthony tomara já havia passado, portanto eu apenas o coloquei no chão e peguei Adam no colo. Enquanto caminhava até a porta de minha casa eu via que Jessica estava sentada em uma cadeira de balanço da varanda e me olhava com raiva. Ela ainda não havia esquecido o que eu havia dito a ela mais cedo e eu também não me esquecera do que ela havia dito se é que o seu marido ainda está vivo. Quem ela pensa que é para dizer isso sobre o meu marido? É claro que ele está vivo. Ele está vivo e bem e logo ele está voltando para casa. Ou assim eu esperava.

- Muito bem, meus amores. – disse os colocando sentados no sofá da sala e ligando a televisão. – O que vocês querem almoçar? –

- File de peixe. – Anthony gritou pulando no sofá.

- É claro que quer... E sem pular menino. – disse rindo e ele parou de pular. – Fique aqui vendo desenho e cuide de seu irmão enquanto a mamãe vai fazer o almoço. –

Liguei a TV no canal da Disney, deixando os dois assistindo padrinhos mágicos e segui para a cozinha pegando tudo o que eu precisaria para fazer o almoço e comecei a cortar os files de frango em cubos pequenos enquanto ouvia a musica tema dos padrinhos mágicos começando a tocar, as musicas rodava pelos meus ouvidos e a minha mão manejava a faca, minha mente rodava, completamente longe. Filé de peixe era o prato favorito de Anthony e Edward, Adam ainda era muito novo para ter uma comida favorita, mas se depender de meu marido e filho será a comida favorita dele também.

                                                 —— Flashback – 11/12/2007 ——

Um mês havia se passado desde o dia que conheci Edward, um mês certinho, nós não tivemos tempo de nos encontrarmos de novo, mas conversávamos sempre por mensagem, ligação e algumas vezes por chamadas de vídeo via Skype. Faltava uma semana e meia para as férias de natal e estava muito frio, eu estava no meio de uma aula de biologia e estava louca para ir para casa, mas ao deixar a aula do Sr. Molina eu teria aula de educação física com o treinador Clapp. Eu odiava educação física. Eu estava rabiscando o meu caderno enquanto o professor falava sobre alguma coisa sobre genética e eu estava cansada demais para ir para casa, quando o meu celular vibrou no meu colo.

De: Edward.
Hey Little Kitten, onde você está?

Um sorriso bobo brotou em meus lábios ao ver a mensagem e de quem era. Ele continua a me chamar de Little Kitten e nunca respondia o motivo por me chamar assim, ele apenas dizia que era para eu tirar as minhas próprias conclusões. Escondendo o telefone sob a mesa, já que o professor Molina odiava ver alguém mexendo com o telefone na aula dele e respondi a mensagem.

‘De: Bella.
Estou na aula. Cheia de frio, cansada e louca para ir para casa, não estou muito animada para ter aula sobre Biologia, e olha que eu adoro Biologia e para piorar ainda mais a situação eu ainda vou ter aula de Educação Física, quando eu sair daqui, e eu não estou nem um pouco a fim de fazer educação física, eu juro que se tiver que jogar badminton de novo eu vou jogar aquela raquete na cabeça de um. ‘

Enviei a mensagem e escondi o celular no meio das pernas e peguei novamente o lápis e fingi que estava copiando o exercício do quadro, que eu já havia copiado tudo, mas como o professor Molina passou ao lado de minha mesa, eu precisei esconder o telefone, ela adorava mandar os alunos que eram pegos com o telefone para a secretaria. E assim que ele passou, indo para o outro corredor quando o meu telefone vibrou no meio de minhas coxas.

De: Edward.
Eu queria falar com você. Frente a frente. É importante. Que horas você sai da escola?’

Aproveitei que ele fora ajudar um aluno com o dever e eu digitei rapidamente a resposta para o Edward.

‘De: Bella.
Por volta das 15h. ’

E a resposta não demorou em chegar.

De: Edward.
Seu pai está em casa? Eu posso passar ai para te buscar, se não for incomodo. ’

Respondi rapidamente enquanto o professor ia para o quadro começar a corrigir os exercícios e digitei a resposta para ele.

‘De: Bella.
Meu pai está de serviço, volta semana que vem, meu irmão está no treinamento e minha mãe na clinica veterinária. Não é incomodo, não para mim, para você eu já não sei. Eu vou sair por volta das três. Benjamin Banneker High School. O que houve? ’

Dessa vez a resposta demorou um pouco para vir e eu tentei prestar atenção na explicação enquanto ele corrigia os deveres. O que diabos ele queria conversar comigo, que é tão serio que ele tem que falar cara a cara comigo? A mensagem de Edward, só chegou depois de eu ter trocado de roupa para ir para a aula de educação física, dizendo apenas um simples Okay.

E mais uma vez fora a maldita alta de badminton, eu odiava isso. Mas uma vez eu fiz par com o Newton, céus eu odiava esse cara. Mal eu entrei na escola e ele começou a dar em cima de mim e depois que eu disse que não iria ter nada entre nós dois, ele começou a falar merda de mim e por fim, essa historia acabou como todo mundo na secretaria, meus pais e os pais dele também, e os três com uma semana de suspensão. Sim, três, meu irmão se meteu na historia e quebrou o nariz dele, e segundo o antigo diretor, eu causei tudo aquilo, e se mamãe não segurasse o papai, era bem capaz de meu pai quebrar cara do diretor. Graça a Deus, ele se aposentou no inicio do ano a nova diretora era legal, muito mais do que ele.

Eu não queria fazer dupla com ele, mas eu era obrigada a fazer com ele e isso me dava um ódio, pelo menos faltavam cerca de seis meses para eu me formar e se Deus quiser, nunca, mas eu terei que ver o loiro de farmácia na vida de novo. Quando a aula terminou, finalmente, eu esperei que as garotas terminassem de tomar banho e se vestirem e irem embora para que eu pudesse tomar banho e sair. Eu não costumava tomar banho na escola, principalmente se ao sair daqui eu iria de volta para casa, mas Edward iria aparecer aqui e depois de quase um mês que nos conhecemos que voltaríamos a me ver, se eu não me encontrei com ele na cafeteria com cheiro de café, eu não iria me encontrar com ele hoje cheirando a queijo podre.

Tomei um banho rápido e me vesti, coloquei minha calça jeans de lavagem escura e justa, com um rasgo na altura dos joelhos e uma blusa grossa branca, de mangas compridas e calcei as minhas botas marrons, com cadarços na frente e de saltos grossos e baixos, vesti meu casaco verde musgo, grosso e bem quentinho, ajeitei meu cabelo e apertei mais uma vez as minhas bochechas, deixando-as levemente coradas, pendurei minha mochila no ombro e sai do banheiro enrolando o meu cachecol, vermelho, quadriculado de preto e branco, em volta do meu pescoço e deixei a escola.


O estacionamento ainda estava cheio, mas isso pouco me importava, em frente à saída da escola, o carro de Edward estava estacionado e ele encostado nele e eu caminhei para lá e eu podia sentir que os olhos de muita gente da escola estavam sobre as minhas costas. Até por que quando é que eles imaginariam que a filha do coronel do exercito estaria se aproximando de um completo desconhecido. Desconhecido para eles.

- Oi. – disse cruzando os braços embaixo dos seios.

- Oi. Como foi a aula? –

- Estava tudo muito bem até o treinador me obrigar a fazer dupla com o imbecil do Newton. – respondi sinceramente.

- Quem? –

- O loiro de farmácia que provavelmente está me encarando e se exibindo em cima de um subaru antigo. – ele olhou por cima de meu ombro.

- Já vi. –

- Então, o que quer falar comigo que é tão importante? –

- Tem algo para fazer? – ele retrucou com outra pergunta e eu simplesmente neguei. – Então vamos tomar um café e dar uma volta? Eu sei que está frio, mas... –

- Claro. – o interrompi e ele abriu a porta para mim. E depois que eu entrei, ele fechou a porta e entrou no banco do motorista, ligando o carro.

Durante todo o percurso de vinte minutos da escola até o Casey’s Coffee, ele não falou o que ele queria realmente falar comigo, ele ficou apenas perguntando como foi o dia na escola e o motivo de Mike e eu não nos darmos bem. E durante todo o tempo em que ficamos sentados na cafeteria, tomando chocolate bem quente, ele não falava nada e sempre que eu tentava tocar no assunto ele mudava e voltava a puxar assunto sobre o meu dia na escola e ao deixarmos a cafeteria seguimos para fora, com outro copo de chocolate quente em mãos e acabamos parando sentados em um banco coberto perto do Memorial Lincoln, a quinze minutos da cafeteria.

- Então você vai parar de enrolar e falar o motivo de querer falar comigo cara a cara, ou pretende demorar mais um pouquinho? – perguntei sorrindo e o encarando.

- Vou. – respondeu de frente para mim. Mas uma vez nós estávamos sentados um de frente para outro, eu com as pernas dobradas em cima do banco e ele com uma de cada lado do banco e nossos copos de chocolate quente repousavam no banco a nossa frente.

- Estou ouvindo. –

- Não é nada demais. –

- Tem que ser. Pelo jeito que você mandou a mensagem...  – comentei e ele riu enquanto eu pegava o telefone, no bolso do meu casaco e abria a mensagem. - Eu queria falar com você. Frente a frente. É importante. Que horas você sai da escola? – repeti a mensagem rindo.

- Eu acho que fiz um pouco de drama desnecessário. – comentou sorrindo torto. – Eu só queria ver você. –

- Claro, até porque você não me viu ontem. – apontei.

- Vi, pelo Skype e queria ver cara a cara. –

- Por quê? –

- Você quer um motivo para tudo em garota. – comentou rindo e balancei a cabeça sorrindo e encarando os nossos copos de chocolate quente. – Eu vou embora. – disse por fim e eu levantei os olhos o encarando.

- Vai se mudar? – negou. – Então? –

- Meu treinamento começa amanhã. –

- Amanhã? Mas falta tão pouco para o natal. –

- Talvez eu chegue a tempo para o natal, não sei. Serão duas semanas dentro de um navio e pela carta que eu recebi talvez, eu chegue dia 24 ou 25. Vai depender do tempo. –

- Não é muito inteligente fazer um treinamento em um navio no meio do inverno. – dei de ombros. - Vai para onde? –

- Descer até a Flórida e depois voltar. Não dá para subir, está muito frio para cima. –

- Está muito frio aqui. – apontei pegando o meu copo e levantando do banco. Bebi o resto do chocolate e caminhei até o lixo, o jogando ali e quando me virei para voltar para o banco, Edward estava parado de frente para mim.

- É por isso que eu queria falar com você pessoalmente. –

- Podia ter me dito por mensagem, ligação, Skype. – dei de ombros me encostando-se à pilastra de mármore branco.

- Poder eu até podia, mas não quis. -

- Por quê? –

- Porque eu não poderia fazer isso... –

- Isso o que? – perguntei com os braços cruzados e o encarado.

Edward não respondeu, apenas levou as mãos geladas até a minha nuca, puxando-a para perto dele e seus lábios se chocaram contra os meus mornos e doces, devido ao chocolate quente que recém acabamos de tomar. Ele deu alguns passos para trás e me prendeu entre ele e a pilastra de mármore e sua mão desceu, encontrando-se com a sua outra e enlaçando a minha cintura, enquanto que, inconscientemente, as minhas mãos subiram para a sua nuca. Sua língua quente acariciou meus lábios lentamente pedindo passagem, que fora prontamente cedida e ao sentir a sua língua tocando a minha, era capaz de eu desabar no chão, devido as minhas pernas terem ficado imediatamente bambas, porém Edward tinha os braços bem estreitos em minha cintura, impedindo que eu saísse do lugar.

Meus pulmões começaram a implorar por ar e eu não queria interromper o beijo. Era o meu primeiro e era bom, eu não sabia que isso podia ser algo tão bom, entretanto os pulmões de Edward também imploravam por ar, já que ele interrompeu o beijo com um beijo leve e delicado depositado em meus lábios e encostou a testa contra a minha, roçando de leve o nariz contra o meu.

- Isso. – disse simplesmente dando um beijo na ponta do meu nariz. – Se eu falasse com você por telefone eu não poderia fazer isso, e eu estava louco para beijar você. – ele tirou as mãos da minha cintura e levou para o meu rosto, espalmando-as em minhas bochechas e fazendo carinho nelas com os polegares e eu levantei o meu rosto para encara-lo e vendo seus lábios avermelhados, eu só não sabia se era pelo frio ou pelo recente beijo. Edward deu outro beijo em meus lábios, mas dessa vez foi rápido, ele não aprofundou, não usou a língua maravilhosa, foi apenas um beijo delicado nos lábios. – Eu preciso de um favor seu. –

- Peça. – respondi com os olhos fechados e sentindo a caricia que ele fazia em minhas bochechas.

- Quando eu voltar eu gostaria de conhecer a sua família. – abri os olhos imediatamente o encarando.

- É o que? –

- Eu gostaria de conhecer a sua família. O seu pai. –

- Por quê? –

- Porque eu não quero namorar a filha sem a autorização do pai. –

- Você... Você quer namorar... A filha dele? – perguntei confusa.

- A menos que você tenha uma irmã, eu quero namorar você. –

- Não... Só um e é homem. –

- Então, como eu gosto de mulheres... Sim, eu quero namorar você. –

- Por quê? – perguntei confusa e ele sorriu.

- Está questionando o motivo de eu gostar de você? –

- Acho que estou. – ele encostou a testa na minha, deixando nossos rostos mais grudados, nos narizes estavam grudados e nossos lábios, rosavam um no outro.

- Eu me interessei em você no primeiro segundo que pus meus olhos em você. Aquele beijo na bochecha, que eu te dei no dia que te conheci, eu queria te beijar naquele momento do mesmo jeito que eu te beijei agora a pouco. E, se você quiser, eu quero beijar você assim pelo resto da minha vida. – disse e me beijou de novo. Deus, eu estou sonhando não é? Por favor, senhor, se isso for um sonho, não me acorde tão cedo. – Então, o que me diz? –

- Se meus pais não se importarem. – sorri e ele sorriu amplamente me dando outro beijo.

Nós ficamos ali no banco do monumento de Lincoln até as sete, quando ele me levou para casa, já que ele tinha que voltar para a sua para terminar de arrumar as coisas, porque ele tinha que sair amanhã de manhã cedo. Edward perguntou algumas coisas para chegar a minha casa “preparado” para conhecer o meu pai, e ele me deu outro beijo, demorado. Senhor eu poderia me viciar nisso. Ele prometeu me ligar assim que deixasse o navio daqui a duas semanas e após despedir-me dele e apanhar a minha mochila no banco de trás, eu deixei o seu carro e entrei em casa, e assim que a porta fora fechada, ouvi o seu carro se afastar e suspirei sorrindo.

- E depois fala que não são namorados. – minha mãe disse descendo as escadas e eu dei um pulo e soltei um gritinho. Eu e mamãe estávamos sozinhas em casa a três semanas, e ela cismava em aparecer de surpresa por ai e me assustando.

- Mãe, para de me assustar. – reclamei.

- Estava com ele de novo em... – disse sorrindo e se encostando ao corrimão da escada. – Venha me ajude a fazer o jantar e me conte tudo. – ela estendeu a mão para mim e eu a segurei enquanto íamos para a cozinha.

A cozinha ficava atrás ao a sala de jantar. Todo o chão do primeiro andar era de piso de madeira, que seguia para a cozinha, os armários eram todos de madeira escura e com aparelhos eletrônicos de inox, uma geladeira de porta dupla, com o freezer na parte de baixo, uma pia grande, um fogão de seis bocas com uma calefação em cima e dois fornos. No meio da cozinha uma bancada grande de café da manhã com o tampo de mármore e quatro cadeiras estofadas e seis lustres iluminavam a cozinha, com a ajuda de algumas lâmpadas embutidas no teto. Eu me sentei em uma das cadeiras estofadas enquanto minha mãe pegava as coisas para fazer o jantar e me entregava uma tabua com uma faca e alguns tomates para que eu cortasse.


- Ele me mandou uma mensagem hoje mais cedo, dizendo que precisava conversar comigo cara a cara. –

- E? – perguntou cortando as cebolas.

- E eu disse que sairia da escola as três e dei o endereço da escola. Ele foi me buscar e nós fomos tomar um chocolate quente na Casey’s Coffee e depois fomos dar uma volta no memorial de Lincoln. Ele me contou que queria falar comigo pessoalmente, porque ele queria me contar de que ele iria ficar duas semanas fora, dentro de um navio em treinamento e quando voltar, ele quer marcar um dia para vir aqui em casa conhecer a senhora e o papai. – disse simplesmente depois de terminar de cortar os tomates e ela parou imediatamente e me encarou.

- Ele quer conhecer o seu pai e a mim? – assenti. – Por que? –

- Porque ele disse que não quer namorar a filha sem a devida autorização do pai. – respondi sentindo as bochechas esquentarem e ela parou imediatamente de cortar a cebola e me encarou.

- Ele pediu você em namoro? – assenti e ela se aproximou de mim, limpando as mãos em um pano de prato. – E você? –

- Disse que se o papai não se importasse, sim! – ela gritou animada.

- Graças a Deus, minha filha. – ela gritou. – Graças a Deus você vai finalmente desencalhar. Eu estava ficando preocupada de que você fosse acabar virando a velha louca dos gatos. – revirei os olhos. – Amor, você já tem 18 anos, nunca namorou na vida, nunca beijou e nem transou. Garota, na sua idade eu estava surtando porque eu havia participado de uma suruba e suspeitava de que estava grávida. – parei e a encarei em choque. – Vê se engata nisso, porque o seu pai vai permitir, e vê se beija logo e transa. –

- Eu já beijei! –

- Hey. Você sempre me contou as coisas. Quando você perdeu o BV e não me disse? –

- A senhora fica falando besteira. Se ficasse quieta e não me traumatizasse, eu já teria contado. – resmunguei. Mamãe era ótima em traumatizar as pessoas. Quando eu e meu irmão perguntamos de onde viam os bebês, ela nos amostrou um vídeo de parto e quando eu perguntei como eram feitos os bebês ela me amostrou um vídeo de sexo. Aquilo foi nojento e eu tinha apenas 10 anos. – E que história é essa de que a senhora participou de uma suruba? E o papai? –

- Ele estava no meio também, não se preocupe. –

- Que nojo. – foi a única coisa que eu consegui falar.

- Não mude de assunto. Que historia é essa de que você já beijou? Quem? Quando? Onde? –

- Edward! Hoje! No memorial de Lincoln! –

- Conte tudo! – exigiu e eu suspirei.

- Quando ele me contou que ia embora, eu disse que ele podia ter me dito isso por telefone, mensagem e tal, e ele concordou, disse que podia sim ser por ligação, mas por ligação ele não podia fazer uma coisa, e quando eu questionei que coisa, ele me beijou. –

- E...? –

- Foi bom. Muito bom. – confessei. – Eu nunca me senti daquele jeito. Era muita coisa acontecendo ao mesmo tempo. Meu cérebro entrou em curto, minhas pernas ficaram bambas, minhas mãos estavam suadas, meu coração batia freneticamente e meu estômago estava todo revirado. –

- Awn meu amor. Está apaixonada! – não foi uma pergunta, foi uma afirmação. Eu não sabia de nada, nunca havia me apaixonado na vida, então se ela estava dizendo, quem era eu para negar? – Eu fico tão feliz por você, meu amor. – disse suspirando.

- Qual é o problema? – parecia que toda a felicidade dela havia se dissipado no ar.

- Eu fico feliz. De verdade. Mas ele é um militar, meu amor. Ele será igualzinho ao seu pai. Vai ficar mais fora do que dentro de casa. E ai? Como vai ser? Vai aguentar? Você terá que ter muita confiança e amor depositado no relacionamento de vocês. Quando um homem fica muito tempo longe da mulher... –

- A senhora suspeita de que o papai possa ter lhe traído? –

- Ele diz que não e eu acredito. Entretanto se ele acabar me traindo enquanto estiver de serviço. – ela frisou bem o de serviço. – Eu entenderia. –

- Mas mamãe. – disse depois de alguns segundos em silencio. – É um possível namoro. Não um casamento. E é bem capaz de o papai nem permitir. –

- Filha. O cara te conheceu há um mês. Viu você apenas uma vez e te pediu em namoro e está mais do que disposto em enfrentar o seu pai. Eu não dou muito tempo, a verdade é que eu não dou nem o tempo dele se formar na marinha para vocês estarem casados, ou no mínimo noivos. –

Mamãe disse voltando a preparar o jantar, eu lhe ajudei e nos jantamos, enquanto a minha mãe tentava arrancar de mim o que eu havia comprado para ela de natal e eu me recusava a responder. Quando terminamos de comer, ela foi descansar, já que teve um longo dia na clinica e eu lavei a louça e organizei a cozinha. Ao terminar de arrumar, lavar e guardar tudo, eu tranquei toda a casa, pegando a minha mochila sob o sofá e subindo para o meu quarto, para fazer o dever de bióloga.

————

Meu pai e meu irmão chegaram a casa no dia 24, minha mãe estava um pouco preocupada achando que passaríamos o natal apenas nós duas e quando eles chegou, ela ficou super feliz quando eles chegaram a casa para a ceia de natal. Como costume, os presentes de natal foram abertos apenas na manhã seguinte e mamãe, era a mais animada, parecia uma criança na manhã de natal. Ela ficou completamente extasiada ao abrir o meu presente, um pequeno envelope com dois bilhetes para um final de semana no SPA, que ela sempre quis ir a tempos e ainda podendo levar um acompanhante, que com certeza, seria o papai.

Minha mãe também não conteve a boca e contou ao papai sobre a minha conversa com Edward, de que ele queria conhecê-lo quando voltasse de viagem. Era uma coisa que eu queria contar ao meu pai e ela abriu a boca antes. E ainda reclamando que eu demorei muito para contar, e eu estava apenas esperando que ele descansasse do serviço e da viagem. E a única coisa que papai disse fora que, se ele quisesse algo comigo ele teria que conversar com ele primeiro.

Edward mandou mensagem na manhã de natal. Dizendo que estava difícil de voltar para casa antes e só conseguiram atracar dia 25 pela manhã e assim que eu marcasse um dia, ele viria aqui conhecer meus pais. E meu irmão, que não é nem um pouco invasivo, viu que eu trocava mensagem com Edward, e como um irmão mais novo, é a mais nova da família era eu, abriu o bico para o papai e ele exigiu que eu marcasse para o próximo sábado e me fez mandar a mensagem na frente dele e a resposta não demorou a chegar.

‘De: Edward.
Tudo bem Little Kitten, vejo você sábado às 20h. ’

Sábado chegou rapidamente e eu estava mais nervosa do que sabe-se-lá o que, eu ajudei minha mãe a fazer o jantar e depois a arrumar a mesa, Emmett, que não parava de comer salgadinhos pela casa, perguntou se eu queria uma régua para medir milimetricamente os espaços entre as taças e os pratos e eu simplesmente fiz o de sempre, dar uma tapa em sua virilha e ele sumia das minhas vistas por algumas horas. O jantar já estava encaminhado e a mesa arrumada, papai era o mais calmo da casa, sentado em sua poltrona com uma garrafa de cerveja em mãos e assistindo o jornal, que dava noticias sobre esportes.

Eram 19:30h e eu larguei tudo o que eu estava fazendo e eu subi as escadas correndo para tomar um banho, eu fedia pior que um porco. Tomei um banho quente, lavando tudo, incluindo os meus cabelos. Terminei meu banho e me sequei correndo até o meu armário. Coloquei um lingerie, uma meia calça preta e um vestido creme, todo plissado e marcado na cintura com um pequeno cinto e penteie o meu cabelo, passando um lápis e rímel preto nos olhos e um gloss nos lábios e beliscando minhas bochechas para deixa-las rosadas e coloquei um colar grande e com o pingente de uma bola. Calcei minhas botas marrons claras, de cano baixo e salto grosso e baixo e vesti um casaco de crochê cinza, dobrando as mangas até um pouco abaixo dos cotovelos e sai do carro. Ao chegar ao meio da escada, a campainha tocou, meu irmão estava sentado no sofá, jogando Call of Duty, já que o jornal já havia acabado e meu pai apenas assistia o filho sendo basicamente massacrado e mamãe ainda deveria estar na cozinha, mas assim que a campainha tocou, papai fez menção de se levantar.


 - Eu abro. – falei alto para os três me ouvirem e desci as escadas correndo e quase tropeçando no tapete em frente à porta e Emmett começou a rir e eu peguei, no vaso, ao lado da porta, um cascalho e joguei em Emmett e ele parou de rir e eu respirei fundo abrindo a porta.

Por incrível que pareça Edward estava mais bonito do que de costume. Uma camisa social branca com finas listras pretas e um paletó por cima, com apenas um dos botões grandes fechados e um casaco mais grosso e preto por cima, calça jeans grossa e tênis preto, um par de luvas pretas com algumas discretas listras cinza claro e cinza quase preto, um cachecol grande cinza e preto e uma touca. Tanto a sua touca quanto os ombros de seu casaco estavam cobertos por neve. Seu carro estava estacionado no meio feio e já com uma cobertura de neve por cima, e ele tinha em mãos cheias, com uma caixa mediana bem embrulhada, com um grande laço lilás em cima, e uma caixa branca da Bloom de Fleur, com várias rosas dentro, rosas cor de rosa, lilás, branca, branca com rosa e algumas ainda em botão e uma garrafa de vinho.


- Oi. –

- Oi Little Kitten. –

- Pare com isso. – ralhei com ele antes que meu pai ouvisse e ele sorriu. – O que é isso tudo? –

- Segundo minha mãe, etiqueta para conhecer os pais da namorada. – explicou.

- Entra... – dei espaço para ele entrar e fechei a porta e encontrei com meu pai parado a poucos passos a nossa frente com os braços cruzados. – Ai! – gritei me assustando. – Deus, pai, faz barulho quando anda... Céus, até enfartei aqui. – reclamei e meu pai e Edward sorriram.

- Já se recuperou? Ótimo! –

- Hã... Bella, isso é para você. – ele me entregou a caixa com o grande laço lilás. – Feliz Natal, atrasado. – merda, ele estava esperando um presente de natal e eu não havia providenciado nada.

- Obrigada e não precisava. –

- Senhor... Edward Cullen... É um prazer finalmente conhecê-lo. – Edward estendeu as mãos para o meu pai, que descruzou os braços e apertou a mão dele e eu pude ver o aperto firme e Edward não recuou.

- É um prazer Edward. Concordo, é um prazer finalmente te conhecer. Ainda mais que você tem segundas intenções com a minha filha. – disse firme e eu o encarei com os olhos arregalados.

- Pai! – ralhei baixo.

- Charlie, Charlie... Menos... – minha mãe apareceu no hall de entrada. – Menos coronel e mais pai liberal. –

- A liberal da família é você. – apontou.

- Ah é... Você quer que eu te lembre de quando eu tinha 18 anos e... –

- Mãe! – chamei a atenção dela e ela parou no mesmo instante e meu pai engoliu em seco. – Mãe... Esse é o Edward... Edward essa é a minha mãe, Renné. – apresentei os dois.

- É um prazer querido. Deus, minha filha tem bom gosto você é muito... Ai! – reclamou quando eu belisquei de leve o seu antebraço. – Bem vindo! –

- Obrigado senhora. É um prazer conhecê-la, Bella me contou muito sobre a senhora... Aliás, ela me contou que rosas eram as suas flores favoritas... Acertei? – perguntou sorrindo e entregando a caixa da Bloom de Fleur para a minha mãe.

- Acertou sim. Muito obrigada, são lindas. Fique a vontade, eu vou dar uma olhada no jantar e você... – ela olhou para o marido. – Comporte-se. –

- Sim querida. – disse ele e ela seguiu para a cozinha. – Prepare-se, as mulheres dessa família são mandonas. – meu pai apontou e Edward sorriu.

- E isso é para o senhor. – ele entregou a garrafa de vinho. – Eu não bebo, mas meu pai insistiu que trouxesse e disse que gostaria de conhecê-los. –

- Muito obrigado. Abriremos hoje. Da próxima vez traga-os. Insisto. – Papai disse próxima vez deve ser porque ele está aberto a aceitar uma próxima vez, isso era bom. – Tire o casaco e venha para a sala, venha conhecer o meu filho. –

- Claro senhor, eu já vou daqui a um minuto. – meu pai seguiu para a cozinha e me deixou sozinha com Edward. – Não vai abrir? –

- Eu... Eu não sabia que íamos trocar presentes e... –

- Não precisa me dar nada. Só abre. - disse me interrompendo e eu desfiz o laço e abri a caixa. Era algo preto, dobrado, com uma estampa de cristais swarovski vermelho, em formato de coração e com o contorno de uma faixa no meio e no meio dela, escrito Bon Jovi.


- O que é isso? – perguntei o encarando.

- Se eu me lembro, eu estraguei a sua camisa do Bon Jovi com chocolate quente. –

- A mancha saiu não se preocupe. – expliquei sorrindo. – De qualquer forma, ele é lindo. Obrigada. –

- Levanta. – o olhei confusa. – Levanta ele. – apoiei a caixa em cima do pequeno aparador ao lado da porta, onde todo mundo largava as chaves e levantei a blusa, porém era um casaco fino, com capuz. – Olha atrás. – virei o casaco e na parte de trás, em cristais brancos um par de asas que ocupava uma boa parte do casaco.

– É lindo. – respondi dobrando o casaco para coloca-lo de volta a caixa e foi quando eu vi um envelope branco retangular dentro da caixa. – O que é isso? –

- Abre. – disse simplesmente. E eu abri o envelope eram dois pedaços de papel branco, escrito no topo em letras grandes.

Verizon Center.
Bon Jovi
Live in Concert.
Verizon Center.
Quinta - Feira – 28 de Fevereiro de 2008
Abertura dos portões: 16:30.
Pista.
Entrada: Portão 10 e 11.

- São dois ingressos para o próximo show do Bon Jovi? – perguntei e ele assentiu. – Para nós dois? – assentiu de novo. – Você me disse que não conhece Bon Jovi, apenas por nome. – apontei.

- E é verdade. Uma vergonha se quiser saber. Entretanto depois daquela longa conversa que tivemos, quando eu cheguei a casa eu resolvi entender o motivo do seu fascínio pela banda e devo admitir que eles são muito bons. Eu gostei muito. –

- E o fato de ser a minha banda favorita não interferiu em nada, não é? –

- Claro que não. – comentou sorrindo.

- Tudo bem, então... Vou deixar tudo aqui para subir com eles depois. – comentei guardando tudo dentro da caixa. – Tira isso, estou ficando com calor só por ver você todo coberto. – comentei rindo e arranco a touca de sua cabeça.

- Já viu como está o tempo lá fora? – perguntou rindo e tirando as luvas.

- Já. – respondi rindo. Edward tirou o casaco e o cachecol e guardou as luvas e a touca no bolso do casaco e eu pendurei junto com o cachecol no cabideiro próximo a porta. – Como foram essas duas semanas a bordo? – perguntei quando ele abraçou a minha cintura.

- Teriam sido melhores se uma garota morena de olhos cor de chocolate saísse de minha cabeça. – comentou e eu balancei a cabeça rindo.

- Tem quantas garotas morenas de olhos cor de chocolate em sua vida, marujo? –

- Por enquanto... Uma. –

- Por enquanto? – questionei com a sobrancelha erguida.

- É... Talvez a outra apareça daqui a uns dez anos mais ou menos. – ele não estava falando de filhos estava? – Como foram essas duas semanas sem falar comigo, Little Kitten? –

- Melhor impossível. – brinquei e ele sorriu abaixando a cabeça para me dar um beijo, e antes mesmo que seus lábios tocassem os meus, um pigarro fora ouvido e Edward se afastou.

- Bella, sua mãe está te chamando. –

- Sim senhor. –

- Enquanto isso, vamos conversar ali na sala, Edward? –

- Claro. – eu o encarei.

- Pai... –

- Eu não vou fazer nada. Eu deveria, mas a sua mãe me proibiu. – resmungou caminhando para a sala.

—— Flashback Off. – Dias Atuais. ——

Sorri ao me lembrar da cara que meu pai fez ao dizer que minha mãe iria fazer greve de sexo, caso ele não se comportasse com Edward. E não deu outra, ele se comportou e foi um amor. Eu deixei os três, Edward, meu pai e Emmett sozinhos na sala enquanto ia ajudar a minha mãe e quando eu voltara, eles já eram quase que grandes amigos, já que compartilhavam o mesmo pensamento sobre política e tinham o mesmo time de beisebol e basquete. Eu me lembrava de como havia ficado nervosa com aquele jantar, achando que meu pai não iria aceitar Edward, mas acabou que ele aceitou muito bem e sempre que eu saia com o Edward, ele nem se preocupava tanto.

Eu terminei de fazer o almoço e após por a mesa, eu busquei as crianças e enquanto Anthony já comia sozinho, eu sentei Adam em meu colo e o ajudei a comer, ele já conseguia comer sozinho, mas se sujava todo, sujava sua cadeirinha e arremessava a comida longe. Ele estava se aproximando da terrível fase dos dois anos. Após nós três termos terminado de comer, levei-os para a sala para assistirem um pouco mais de desenhos enquanto eu limpava a cozinha. Quando eu terminei de arrumar tudo e segui para sala para ver as crianças, que estavam muito quietas para o meu gosto, e vi que eles estavam dormindo no sofá, um em cima do outro. Com cuidado, eu peguei primeiro Adam no colo e subi as escadas até o seu quarto e o deitei em seu berço e o cobri com um lençol fino e desci mais uma vez, pegando agora Anthony e subindo mais uma vez, deitando-o em sua cama e tirando seus sapatos e o cobrindo, dando um beijo em sua testa.

Deixando os dois dormindo, eu caminhei até o armário em baixo da escada e puxando uma caixa de onde nós guardávamos a bandeira e caminhei lá para fora, para pendura-la, antes que Jessica viesse atrás de mim mais uma vez, e eu não estava nem um pouco a fim de atura-la agora. Eu estava cansada, mais mental do que fisicamente, eu não conseguia parar de pensar no que diabo aconteceu com o meu marido, para que ele não desse noticias há um ano, ele não era assim. Nunca foi. Até quando ele se ausentava para os seus treinamentos, ele entrava em contato, seja por carta ou ligações rápidas, apenas para dizer que estava bem.

Com a bandeira hasteada, a casa limpa e as crianças dormindo, eu tinha tempo livro e isso não era bom, eu ficava pensando em mil e uma coisas horríveis que poderia ter acontecido a ele. E isso me fazia mal, pensar em coisas ruins me fazia mal. Decida a manter a minha mente ocupada, resolvi dar uma arrumada em meu guarda-roupa. Tranquei a porta de casa e subi para o segundo andar, conferindo se Adam e Anthony dormiam tranquilamente e se estavam bem cobertos, dei um beijo na testa dos dois e caminhei para o meu quarto e abrindo o meu guarda-roupa.

Tinha tantas roupas ali que eu não usava mais, que já estava na hora de eu doa-las, e comecei a tirar todas as roupas que estavam penduradas, e colocando-as em cima da cama e começando a tirar das gavetas também. Mal terminei de esvaziar uma das gavetas e encontrei a minha caixa de lembranças e a peguei, me sentando no chão, já que a cama estava cheia de roupas e a abri. Aquela caixa fora criada quando eu comecei a namorar Edward, ou seja, depois que saímos no primeiro encontro, oficialmente como namorados e tudo que mais importante eu guardava ali. Os ingressos do show do Bon Jovi de nove anos atrás ainda estavam ali, e varias fotos nossas e a primeira era da primeira viagem de fizemos juntos, no inicio da primavera, quando nós fomos visitar a vovó em Norfolk e aproveitamos um dia quente para dar uma volta na praia de Virginia e mamãe convidou Edward para ir conhecer a vovó.

Nós fomos dar um passeio no final da tarde na praia de Virginia, era inicio de inverno e graças a Deus não estava muito frio, eu usava apenas um macaquinho preto e um moletom cinza de Edward da Calvin Klein, que batia no mesmo comprimento do macaquinho e eu tinha o cabelo preso em um coque baixo e mal feito. Vovó adorou Edward, até porque ele era da marinha e o vovô também era da marinha, só isso fora um dos pontos positivos para a vovó gostar dele.


No meio das lembranças, tinha um galho com flores de cerejeiras secas, a verdade é que a única coisa que restava era o galho e eu me lembrava daquele dia como se fosse ontem. Fora um dos melhores dias da minha vida, se eu fechasse os olhos e levasse o galho seco da cerejeira eu ainda poderia sentir o perfume, que impregnava a cidade em abril, quando as cerejeiras floresciam. Papai e Emmett estavam de serviço e mamãe teve que viajar para cuidar da vovó, porque ela havia ficado um pouco doente e eu estava em casa sozinha. Quer dizer, eu só vinha para casa à noite e para dormir, já que de manhã eu saia cedo para ir para a escola e ficava a tarde toda ajudando a Carmen no consultório de mamãe, já que Edward se encontrava novamente dentro de um navio de treinamento.

—— Flashback – 11/04/2008 ——

Eu havia acabado de sair da escola e segui para a clínica veterinária de minha mãe e de tia Carmen e ajudava ela na recepção enquanto ela cuidava dos animais, já que a mamãe havia ido viajar justo durante as férias da recepcionista. Eu estava sentada na cadeira e com as mãos apoiadas na mesa, o consultório estava tranquilo, só tinha uma pessoa esperando e outra com a tia Carmen e com o Sam, um dos veterinários que também trabalhavam ali, quando o meu celular vibrou.

‘De: Edward.
Hey Little Kitten, está onde?

Sorri amplamente ao ler a mensagem de Edward, ele estava treinando há duas semanas e quase não nos falávamos dentro desses quinze dias. Larguei a caneta, que eu usava para fazer o dever de matemática, já que o consultório estava tranquilo, eu aproveitei para adiantar o meu dever, e peguei meu celular respondendo imediatamente a mensagem.

‘De: Bella.
Estou no consultório da mamãe e você marujo?’

Respondi e fiquei com o telefone em mãos esperando pela resposta de Edward, que não demorou muito para chegar.

‘De: Edward.
Desembarquei agora a pouco, em menos de uma hora estou chegando a Arlington. ’

Eu li e reli a mensagem várias vezes. Ele havia desembarcado e estava chegando a Arlignton. Eu sorri amplamente e me preparei para responder a mensagem de Edward, mas antes mesmo que eu conseguisse abrir uma pagina em branco para responder, mais uma mensagem dele chegou.

‘De: Edward.
Quer ir comigo dar uma volta pelo National Mall, para vermos as cerejeiras?’

Terminei de ler a sua mensagem e larguei o telefone em cima da mesa e corri para a sala de tia Carmen, mas antes mesmo que eu pudesse cruzar o corredor ela saiu de lá, com um cara super bombado segurando um douge alemão, enorme, que se bobear, em pé seria maior do que eu e um Dobermann, raivoso e eu quase me joguei em cima da mesa quando o Dobermann rosnou para mim.

- Fluffy. – o bombado disse puxando o Dobermann para longe de mim.

- Fluffy? – perguntei encarando o cara bombado. – Você batizou esse monstro de Fluffy? E esse ai é o que? Rosinha? –

- Não. – disse ofendido. – É Bruce. – disse acariciando o douge alemão e ele saiu puxando os dois cachorros.

- Ele deu o nome fofo para um cão brabo e um nome pesado para um cão calmo? – perguntei a tia Carmem.

- É... Nem pergunte... Senhora Williams. – minha tia chamou a senhora com um Chihuahua, que se levantou.

- Tia. – a chamei antes que ela seguisse para o consultório com a dona do Chihuahua. – A senhora vai ficar mais quanto tempo com o consultório aberto? –

- Não sei, por quê? –

- Edward me mandou uma mensagem, ele está chegando a Arlington e quer saber se eu posso ir com ele até o National Mall. –

- Tudo bem, pode ir. Quando ele chegar me avisa e vai. Eu e o Sam cuidamos de tudo aqui. –

- Obrigada tia Carmen. – dei um beijo em sua bochecha e ela seguiu com a senhora Williams para o consultório e eu para a minha cadeira, pegando o meu telefone e mais uma mensagem de Edward piscava na minha tela e eu a abri.

De: Edward.
E então, Little Kitten? ’

Sorri abrindo mais uma pagina em branco e respondendo a mensagem dele.

De: Bella.
Claro, adoraria. Estava perguntando a minha tia se ela podia me liberar, e sim ela me liberou. Estou te esperando. ’

Digitei rapidamente e enviei, apoiando o meu celular na mesa ao ouvir os passos de mais um cliente entrando. Um cliente novo, e eu tinha que fazer a ficha dele e tive que ignorar a mensagem de Edward que chegou. Daqui a pouco eu lia e respondia. Mas não ocorreu um daqui a pouco, em menos de cinco minutos o consultório estava completamente cheio e eu começava a suspeitar de que tia Carmem não deixaria me sair, com essa recepção lotada.

O tempo passou rápido entre fazer fichas, encontrar fichas e auxiliar tia Carmen ou Sam quando eles me chamavam e minha mão doía de tanto escrever, já que duas fichas eram feitas. Um cadastro ficava no computador e uma ficha era entregue aos donos dos cães com as vacinas dos animais e minha mão já doía de tanto fazer essas fichas, parecia que hoje todo mundo resolveu vir à primeira consulta. E era cada nome estranho de cães e gatos que apareciam aqui. Eu ainda não tivera tempo de responder a mensagem de Edward e nem sabia o que ele havia mandando, só sabia que depois da ultima, o meu celular vibrou mais duas vezes e pela cara da vovozinha com um gato Sphynx, eu nem me atrevi em olhar para ver de quem era à mensagem. Não sabia o que era pior, o gato pelado, eu adoro gato, mas sempre achei esse gato pelado feio, muito feio, super feio, ou a carranca da velhinha quando o meu celular vibrou e eu fiz menção de checar de quem havia me mandando mensagem.

- Oi Little Kitten. – desviei os olhos de mais uma ficha que estava fazendo e dei de cara com Edward com os braços estendidos na bancada da recepção. Não era a primeira vez que ele vinha me buscar ou trazer aqui.

- Oi marujo. –

- Não respondeu a minha mensagem. Fiquei chateado. –

- Eu ia. – confessei. – Mas aquela velhinha ali com aquele Sphynx me olhou feio e eu mudei de ideia.

- O que é um Sphynx? – perguntou enquanto eu me ajeitava na cadeira, já que eu estava sentada em cima de uma de minhas pernas e me apoiei com os dois joelhos na poltrona e apoiando os braços no balcão próximo aos braços dele.
           
- Aquele gato pelado e feio. –

- Alguém tem aquele gato? É tão feio. –

- E caro. Muito caro. –

- Tem gostos para tudo. –

- Como foi? –

- Tranquilo, como das outras vezes... Vamos? –

- Vou avisar a minha tia e ver se ela vai conseguir ficar basicamente sozinha com tanta gente aqui. –

- Vai lá. – com cuidado eu desci da cadeira e me aproximei do corredor. – Little Kitten. - me virei para ele. – Está linda. –

- Cala a boca Cullen. – reclamei e ele começou a rir enquanto eu segui pelo corredor até o consultório de tia Carmem e bati na porta.

- Entra. –

- Tia Carmem. – a chamei e ela desviou os olhos do pequinês e me encarou.

- Ele chegou? – assenti. – Pode ir. –

- Certeza? Está cheio lá fora. –

- Claro, pode ir. –

Despedi-me de tia Carmem e sai da sala dela e caminhei para o banheiro da sala de minha mãe. Fiz minha necessidade, já que estava sentada naquela cadeira desde quando eu cheguei da escola e não levantei para mais nada e usei o espelho grande que tinha ali para me ajeitar. Ajeitei o meu vestido preto e florido de alças, junto à blusa fina e quase transparente, puxei as mangas um pouco para cima e ajeitei o cachecol coral e voltei para a recepção. Edward ainda estava encostado na bancada e pelo visto não havia chegado mais ninguém.


- Pronta? –

- Só vou me calçar. – respondi me sentando na cadeira e tirando os meus chinelos e pegando as minhas botas, de canto baixo e salto grosso e baixo e as calcei, peguei meus chinelos e o guardei na mochila. – Agora estou pronta. – respondi pegando a mochila e ele a pegou de minha mão e a pendurou no ombro.

————

- Para com isso. – reclamei rindo enquanto ele fazia cócegas em mim.

Já tinha uns vinte minutos de que estávamos deitados no chão do National Mall as margens do Tidal Basin, tendo no horizonte o monumento de Thomas Jefferson do outro lado do Tidal Basin, que é uma enseada adjacente do rio Potomac, que separava Washington D.C de Arlington. As cerejeiras haviam florido e davam aos galhos, antes secos, pequenas flores rosadas e brancas e muitas delas cobriam o chão e os bancos que ladeavam o parque. Eu e Edward estávamos na parte mais afastada do parque, ou seja, tinha pouca gente. A maioria ficava mais perto do Memorial de Lincoln e eram poucas que vinham até o Memorial de Jefferson ou de Roosevelt, por isso essa parte do parque, West Potomac, ao lado do National Mall, ficava mais vazia.


 De tanto que rolávamos na grama verde, coberta pelas flores que caia da cerejeira, o meu cabelo estava cheio das flores e para tirar todas iria demorar. Ele não parava de fazer cócegas em minha barriga e se ele não parasse eu iria acabar fazendo xixi.

- Para... Para... Para com isso. – eu pedia rindo e sentindo meus olhos lacrimejarem de tanto rir. – Eu confesso... Eu confesso. – gritei rindo e ele parou de rir quando eu parei de me mexer, ficando de frente para ele e ele com metade do corpo em cima do meu e ele passou a ponta dos dedos pelo meu rosto e tirou algumas mechas de meu cabelo do meu rosto.

- Então confessa. – disse apoiando o seu peso em seus braços e roçando a ponta do seu nariz no meu.

- Eu amo você. – respondi olhando em seus olhos e os vendo brilhar.

- Eu também te amo. – repetiu e uniu seus lábios aos meus em um beijo lento.

Eu havia me apaixonado completamente pelo beijo de Edward, tinha um sabor indescritível e era mágico, parecia que todas as vezes que ele me beijava o meu cérebro pifava e o meu coração estava a um passo de um infarto. Edward tirou a mão de meu rosto e levou até a minha cintura apertando com força e a minha mexia em seus cabelos. Edward sabia dos meus limites, ele sabia até onde ele podia ir, Edward sabia que eu era virgem e que a primeira pessoa que eu beijara era ele e ele não se importava, segundo minha mãe, ele estava até feliz com o fato e só não admitia.

E ela continuava a dizer, que não dava nem até o fim do treinamento de Edward para que nós estivéssemos casados, mas mamãe era uma pessoa muito exagerada, nós estávamos juntos há cinco meses e não havia passado dos beijos e eu não sabia se já estava pronta para passar dos beijos e nem sabia como eu iria saber quando eu já estaria pronta. A única coisa que mamãe disse, quando eu conversei mais uma vez sobre isso com ela, foi que, saindo sem pensar muito, sem programar, seria melhor, e que eu saberia se estaria pronta ou não, se eu deixasse rolar sem me preocupar. Entretanto, mamãe a única pessoa, e quando eu digo única eu me refiro ao meu pai e irmão, que querem que eu transe com alguém, por papai eu fico virgem pelo resto da vida, então, ela falaria qualquer coisa para eu transar logo com o Edward.

Quando o ar se fez necessário, ele interrompeu o beijo, dando um beijo de leve na ponta do meu nariz e deixou o corpo tombar para o lado e eu me virei de lado, deitando a cabeça em seu ombro enquanto ele passava o braço por debaixo do meu pescoço.

- Eu tenho que te falar uma coisa? – disse depois de um tempo.

- O que? – perguntei levantando um pouco o corpo e me apoiando em meus cotovelos.

- Lembra que eu disse que havia feito a prova para os fuzileiros? – assenti. – Bom, eu passei. –

- Vai ficar quanto tempo fora? – perguntei deixando o meu sorriso morrer. Agora, com a entrada dele para o corpo de fuzileiros, ele não iria ficar apenas duas semanas fora. Eram meses. –

- 18 meses. –

- Um ano e meio? – questionei me levantando e me sentando.

- É. Com alguns dias de folga entre uma fase e outra. – ele também se sentou. – São cinco fases e entre uma e outra tem dez dias de folga. –

- Quando você vai? –

- Em um mês. -

- E para onde você vai? –

- Carolina do Sul. – explicou e eu suspirei. – Vem cá. – ele me puxou pela cintura e me fez sentar sem seu colo. – Você vai ver que vai passar rápido, eu sempre vou entrar em contato com você. Não se preocupe. – ele me abraçou forte e deu um beijo em minha testa. – E sempre que eu tiver a folga eu vou passar esses dez dias inteiros com você. Só você. –

- Tudo bem. – olhei para o horizonte e vi que entre alguns galhos da cerejeira, eu via o sol ficando um pouco rosado e com leves tons de amarelo e laranja. – Já vai anoitecer. –

- Melhor eu te levar para casa. – apontou e eu me levantei ajeitando o meu vestido e mexendo em meu cabelo tirando as flores da cerejeira de meu cabelo.

Edward se levantou e me ajudou a tirar as flores do meu cabelo e esticou o braço puxando um galho da cerejeira e me entregando um ramo, que eu peguei, cheirando e inalando o cheiro de cerejeira. Havia se tornado o meu cheiro favorito. Edward apanhou a minha mochila, pendurando-a em seu ombro e segurando a minha mão. Nós caminhamos para o estacionamento e entramos em seu carro, ele jogou a minha mochila no banco de trás e dirigiu para a minha casa parando em pouco tempo em frente a minha casa.

- Então... - disse depois que ele parou o carro em frente a minha casa e o sol já havia se posto. – Quer entrar? –

- Você está sozinha, Bella. –

- I daí? –

- Prometi ao seu pai que iria me comportar com a princesinha dele. – explicou apertando de leve o meu queixo.

- Mas irá se comportar. Irá apenas entrar comigo, comer alguma coisa, talvez uma pizza e depois você pode ir. – ele me encarou com a sobrancelha arqueada. – Caso queira, eu posso ligar para a mamãe e avisar que você está sozinho comigo lá dentro, se isso fizer você se sentir como se não estivesse descumprindo a promessa que fez para o meu pai. –

- Então liga para ela. –

- Tudo bem. – peguei o telefone e disquei o telefone da vovó, deixando o telefone a viva a voz.

- Alo? – minha mãe atendeu ao telefone da vovó.

- Oi mamãe. Sou eu. –

- Oi gatinha. O que foi? –

- Nada de mais. A senhora está na viva a voz. – contei. – E o Edward está aqui. Então, resumindo a história... Eu chamei Edward para entrar em casa, mas ele não quer, pois acha que está descumprindo a promessa que fez ao papai de se comportar comigo e que ficaria tranquilo se eu te avisasse. Então... –

- Ele está ouvindo? – perguntou me interrompendo.

- Sim. –

- Para de palhaçada e entra logo Edward. – ela gritou rindo. – O que eu mais quero e que você não se comporte perto da Bella e tire logo... – desliguei o telefone na cara de minha mãe e senti minhas bochechas ficando mais vermelhas que um camarão. Deus que ele não tenha ouvido.

- Então, ouviu a minha mãe. Ela mandou você parar de palhaçada e entrar. – disse simplesmente pegando a minha mochila no banco traseiro e saindo do carro.

- Não foi só isso o que ela disse. – ele comentou rindo e saindo junto.

- Não, mas foi apenas isso o que importa. – respondi pegando a chave de casa no bolso da frente da mochila e subindo os degraus ao mesmo tempo em que o meu telefone vibrou em minha mão. Mensagem. Da mamãe. Santo Deus.

‘De: Mamãe.
Eu perdoo você por ter desligado na minha cara se me contar com todos os detalhes o que aconteceu ai. Se quiser preservativo ou um consolo tem na terceira gaveta da mesinha de cabeceira ao lado da cama. ’

Entrei em casa olhando completamente chocada para a mensagem de minha mãe. Que historia é essa de se eu precisar de um console? Minha mãe tinha sérios problemas mentais.

- Algum problema? – Edward perguntou enquanto me via encarando a mensagem.

- Não! Fica a vontade, mas isso você já sabe. – falei colocando a mochila aos pés da escada, para subir com ela depois. – Então, vamos de pizza de que? – perguntei quando nos sentamos no sofá e eu apoiei as minhas pernas em cima das dele.

- Escolhe. –

- Meio a meio? – perguntei encarando a mensagem de minha mãe.

- Vou pedir. – ele respondeu pegando o telefone e ligando para a pizzaria e eu respondi a mensagem de mamãe.

‘De: Bella.
Eu ia até perguntar o motivo da senhora ter o consolo no seu quarto, mas acho melhor ficar quieta na minha. E, aliás, eu não vou lhe contar absolutamente nada, porque vamos apenas comer pizza e só.

Enviei a mensagem e deixei o telefone apoiado no aparador atrás do sofá e tirei minhas bocas enquanto esperava que Edward desligasse o telefone.

- A pizza chega daqui à meia hora. –

- Então vamos fazer o que durante essa meia hora? –

- Tenho uma ideia. – ele se virou um pouco de lado e segurou a minha nuca com uma das mãos e me deu um beijo, aprofundando o beijo, senti a de Edward acariciando a minha coxa por baixo do vestido e eu sentia um pequeno calor crescendo no meio de minhas pernas, mas antes que ele pudesse descer com as mãos para a parte de dentro do meio das minhas coxas, ele parou repousando a mão em meu joelho.

Nós ficamos ali trocando uns beijos e caricias de vez em quando durante o tempo que ficamos esperando a pizza. Em meia hora, o motoboy tocou a campainha de casa e Edward se prontificou a atender e resolveu que iria pagar a pizza e foi quando eu notei que mamãe havia mandando mais uma mensagem e eu peguei lendo.

‘De: Mamãe.
Ás vezes eu quero transar quando o seu pai não está em casa e bom, consolo não é traição. E às vezes, também é bom sexo com dois pênis dentro de você. Se quiser experimentar é só pegar, e depois limpe direitinho e guarde onde achou. Se divirta, gatinha. ’

Desliguei o telefone bem longe, depois daquela, só de pensar que minha mãe usava um consolo quando papai não estava em casa e usava também quando eles estavam juntos que coisa mais nojenta. Engoli a ânsia de vomito enquanto Edward chegava à sala com a pizza e uma garrafa grande de coca cola e eu levantei do sofá, descalça e pegando dois copos com gelo e duas fatias de limão, do jeito que nós dois sempre tomamos coca cola. Com muito gelo e limão.

Nós comemos a pizza enquanto assistíamos a um jogo de basquete do Washington Wizards, time do papai, Emmett e Edward contra a Atlanta Hawks. Eu gostava de basquete, mas de basquete do que beisebol, outro esporte favorito de papai, mas se eu tivesse algo para fazer eu assistia. Desde que eu e Edward começamos a namorar em Dezembro, ele vinha para cá, quando tinha alguns jogos dos Wizards para assistir com meu pai e Emmett, e enquanto papai e Emmett estavam mais focados nos jogos e eu não estava ajudando a minha mãe a fazer o jantar ou algo do tipo, Edward dava mais atenção a mim do que ao jogo em si.

Igual a hoje, enquanto o comentarista narrava o jogo, estava um de frente para o outro no sofá, eu contava como havia sido essas duas semanas na escola e ele me contando sobre o seu treinamento. Desde que eu contei a historia com Mike, o motivo para nós não nos entendermos, ele sempre perguntava se Mike fizera algo, enquanto Edward estava aqui, ele iria me buscar e nos costumávamos ir dar uma volta pelo parque West Potomac, e paramos de ir para a cafeteria da Tia Beth, já que eu e Thomas brigamos. Pelo visto ele gostava realmente de mim e não aceitou o fato de eu vê-lo apenas como um amigo ou outro irmão. E ele havia ficado muito puto comigo porque eu havia me esquecido de que havia marcado de assistir o desfile com ele e fiquei conversando com Edward.

O jogo já havia acabado e nós já havíamos limpado a bagunça e lavado e guardado a louça que tínhamos sujado e agora nós estávamos deitados no sofá, ele entre as minhas pernas, meu vestido estava embolado na minha cintura, deixando a minha calcinha de renda amostra, e eu dava graças aos céus por não estar usando a calcinha com estampa de gatinhos que eu planejava colocar hoje. Edward tinha uma das mãos em minha cabeça e a outra na minha cintura, acariciando-a, da minha barriga até a minha bunda, onde apertava de vez em quando.

A sua virilha estava de encontro com a minha e eu podia sentir o seu membro enrijecido encostado a minha calcinha de renda. Uma de minhas pernas havia circundado a cintura de Edward. Quando o ar se fez necessário, ele soltou a minha boca, mas levou os lábios para o meu pescoço, o beijando, eu jogava a cabeça para trás, dando a ele liberdade para beijar o meu pescoço e de vez em quando eu o sentia roçando sua virilha contra a minha e começa a sentir a minha calcinha ficando úmida e eu acabei soltando um gemido. Edward prendeu a minha perna em volta a sua cintura e voltou a beijar-me nos lábios e a roçar a sua virilha na minha com mais vontade e causando uma fricção entre elas, que me fazia gemer alto e interromper o beijo e puxar os seus cabelos com um pouco de força enquanto ele beijava o meu pescoço.

Eu sentia alguns espasmos musculares na minha vagina e causando ondas fortes de prazer, que percorriam todo o meu corpo, do fio de cabelo até a planta de meu pé. Edward continuava a beijar o meu pescoço e eu apertava o ombro dele por cima da camisa, minha cabeça estava jogada para trás e o formigamento em meu ventre mais forte, ele precisou apenas roçar o seu quadril ao meu mais uma vez e eu gemi alto sentindo um liquido escorrendo de dentro de mim e molhando ainda mais a minha calcinha e eu respirava com um pouco de dificuldade e Edward também, já que ele parara de me beijar.

- Deus. – Edward disse parando de me beijar, mas mantendo o rosto em meu pescoço. – Por que não me parou? –

- Porque estava bom. – respondi com os olhos fechados e sorrindo. – Deus o que foi isso? – perguntei mais para mim enquanto passava as mãos pelo rosto.

- Um orgasmo! – disse simplesmente.

- É bom... Deus... É... É muito bom... – comentei sorrindo e ele me deu um beijo rápido.

- Fico feliz. – ele também sorria. – Agora é melhor eu ir embora. – perguntei quando ele saiu de cima de mim e ficou sentado no sofá.

- Por quê? – perguntei e vi que ele olhava fixamente para a minha calcinha molhada e se abaixou no meio de minhas pernas, ele respirou fundo, passando o nariz por perto de minha calcinha.

- Deus, tem um cheiro incrível. – ele levantou a cabeça imediatamente balançando a cabeça e fechando as minhas pernas. – Para. – disse para si próprio e balançando a cabeça de novo. – Eu vou embora. – disse se levantando e puxando as chaves da mesinha de centro e indo para a porta.

- Hey... – disse saindo do sofá e correndo atrás dele, pisando no chão frio com os meus pés descalços. – Vai embora por quê? – perguntei segurando o braço dele e impedindo que ele saísse de casa.

- Eu vou embora antes que eu faça uma loucura. –

- Que loucura? –

- Bella, viu o que acabou de acontecer na sala? –

- Vi e foi bom. Muito bom. –

- Para mim também foi bom. Mas se eu não for embora e nós formos para aquele sofá de novo, eu não vou conseguir parar. – ele tentou abriu a porta e eu encostei-me a ela para não deixa-lo sair.

- Mas eu não quero que pare. –

- Bella... Você nunca dormiu com alguém e... –

- E eu quero dormir com você. – o interrompi e ele me encarou.

- Não, não quer... Você está sendo levada pelos seus hormônios e amanhã você vai se arrepender. –

- Não vou. – garanti. – Eu amo você. – disse segurando-o pela gola da blusa social e ficando na ponta dos pés. – Eu quero você. –

- Nunca quis. –

- Eu sempre quis, eu só não sabia que queria e nem quando eu saberia que iria querer. – disse falando sem saber se isso fazendo muito sentindo. – Só que eu não sabia que isso era tão bom até o que aconteceu naquela sala. Eu quero continuar com aquilo, não na sala, mas no quarto. –

- A primeira vez nunca é tão boa como você está pensando. –

- Eu tenho certeza de que com você será bom. – expliquei levando as mãos até o seu pescoço e enlaçando-as atrás de sua nuca e continuando apoiada nas pontas de meus pés. – Eu prometo que não vou me arrepender... Só faça ser tão bom quanto foi na sala. – ele me olhou nos olhos por algum tempo.

- Tem certeza? –

- Absoluta. – respondi puxando a sua cabeça para baixo e o beijando delicadamente nos lábios.

- Para onde? – perguntou com a testa contra a minha e eu dei outro beijo em seus lábios e segurei sua mão.

- Vem. – puxei Edward para a escada e o puxei para o andar de cima e abri a porta do quarto.

Ele era o último do corredor e eu abri a porta branca e o guiei para o lado de dentro. Meu quarto era mediano e simples. A cama, um pouco maior do que uma de solteira ficava encostada na parede, com um dossel pendurado no teto e o pano que caia era rosa bebê e tinha uma guirlanda artificial pendurada junto com algumas luzes na cabeceira de ferro da cama e pendurada na parede, ao lado da cama, três porta retratos com fotos de minhas e Edward e ao lado da cama uma pequena penteadeira, e ao lado da porta, de frente da penteadeira uma escrivaninha com um notebook e alguns livros e porta retratos e o armário na parede oposta a da cama.


Eu estava um pouco nervosa, mas não havia desistido, eu queria ele, mas do que tudo, mas de repente um nervosismo bateu. Edward me virou de frente para ele e levou as mãos até o meu rosto e olhou-me em meus olhos e sorriu dando um beijo em minha testa.

- Mudou de ideia? –

- Não. – disse segura e ele soltou o meu rosto e tirou o meu casaco fino, deixando-me apenas com o vestido preto e me puxou pela cintura e me deu um beijo calmo. A sua língua pediu passagem e eu prontamente cedi e ele levou as mãos até a barra do meu vestido e o puxou para cima, me deixando apenas de calcinha e sutiã sem alça de renda branca.

- Você é tão linda. – disse me olhando de cima a baixo.

Enquanto Edward passava as mãos pelo meu corpo eu abria os botões de sua camisa e a empurrei para o chão, deixando-o apenas com a calça jeans e tênis. Ele era tão lindo, tinha o corpo bem definido, barriga trincada, Edward terminou de tirar a camisa e passou os braços embaixo da minha bunda e me pegando no colo, Edward caminhou, só de calça até a minha cama e me deitou nela, delicadamente e ficou por cima de mim.


Edward me deu um beijo rápido e desceu com a boca para o meu pescoço. Ele ia descendo com a boca, lentamente pelo meu corpo e parando na altura dos meus seios, beijando o vão deles e tirando o rosto dali e o levantando, me encarando e eu sorri para ele e Edward abaixou um dos lados do meu sutiã e abocanhou o meu seio recém-descoberto e eu não pude deixar de gemer alto. Ele sugava o bico rosado de meu seio com vontade e puxava o bico dele entre os lábios e o soltando e começou a passar a língua pelo bico rígido, o chupando mais algumas vezes e eu já sentia a minha calcinha molhando novamente e se dirigiu para o outro seio, abaixando o sutiã ali também e o abocanhando também.

Edward sugava e lambia o bico dos meus seios e dando a devida atenção aos dois. Eu me mexia embaixo dele e tentava friccionar uma perna na outra, mas com ele no meio delas, não dava muito certo. Ele levou as mãos para a parte de trás de minhas costas e abriu o meu sutiã o tirando e desceu com a boca, dando beijo na minha barriga e descendo, beijando o meu umbigo e fazendo com que eu soltasse uma pequena risada enquanto ele seguia para o meio de minhas pernas e ele encostou o nariz em minha calcinha molhada e respirou fundo.


Ele segurou a lateral da minha calcinha e a tirou. Graças a Deus eu me depilei toda ontem à noite, Edward segurou minhas coxas e abriu as minhas pernas, me deixando toda aberta para ele, se bobear ele conseguia ver o meu útero. Ele se ajeitou no meio de minhas pernas e antes que eu pudesse pensar em algo eu senti a sua língua passando por toda a extensão de minha buceta e eu disse o seu nome alto. Com vontade, ele atacou os lábios de minha buceta, sugando, chupando e lambendo com vontade, céus, isso era melhor do que senti-lo roçando sua virilha na minha. Minhas mãos foram para o seu cabelo, puxando-os de leve enquanto eu o sentia puxar entre os lábios, os lábios menores de minha buceta.


- Edward! – gritei seu nome ao ter a mesma sensação de mais cedo e sentindo o mesmo liquido escorrendo de dentro de mim. Edward sugou até a última gota e engoliu tudo e saiu do meio das minhas pernas e pairando em cima de mim, apoiando o seu peso em seus braços e passando a língua pelos lábios. – Isso é tão bom. – comentei baixo e me sentindo nas nuvens e ele abaixou a cabeça.

- Você tem um gosto maravilhoso, eu posso acabar me viciando nisso. – comentou baixo e me beijou rápido, mas como eu ainda estava sem fôlego devido ao recente orgasmo, o beijo acabou rápido. – Eu vou ser muito sincero com você. Vai doer, passa rápido, mas eu vou fazer o possível para não doer tanto. Se quiser parar, fale agora. –

- Eu não quero que você pare. – disse confiante e ele me deu um beijo rápido e se ajoelhou na cama tirando a calça, por debaixo da calça jeans, ele usava uma cueca boxer preta, que revelava bem a sua ereção, mesmo sem que ele tirasse a cueca eu podia ver que era grande e antes de tirar a calça de vez, pegou a carteira, pegando uma camisinha lá de dentro e jogando a carteira no chão, junto com a calça e as minhas roupas e arrancou a cueca.

Quando ele tirou a cueca e aquele membro enorme saltou para fora completamente ereto, a única coisa que eu consegui pensar foi: aonde eu fui amarrar o meu burro? Ele era grande e grosso e estava bem ereto, faltava apenas piscar para mim. Edward abriu a embalagem de camisinha e a vestiu. Puxou-me pelas coxas e se ajeitou no meio de minhas pernas e eu pude sentir a cabecinha de seu pênis na entrada de minha buceta e ele se debruçou sobre mim.

- Última vez... Tem certeza? – engoli em seco e assenti. Ele me segurou pela cintura e deslizou devagar para dentro de mim e enquanto eu sentia o seu pau ir entrando devagar eu sentir dor, uma dor se alastrar rapidamente. – Calma. – ele me segurou pelo rosto e encostou a testa na minha. – Se quiser me pede para parar. – ele repetia baixo enquanto distribuía beijos singelos pelos meus lábios.


- Eu não quero que você pare. – disse contra os seus lábios e ele continuou entrando em mim e eu apertava seus braços, até que ele parou de se mexer e eu podia senti-lo, se não todo, quase todo dentro de mim. Ai dor ainda estava presente e ele continua a depositar beijos em meus lábios, como se quisesse fazer com que a dor passasse.

Mas mamãe já havia me adiantado essa parte, essa seria a única vez que eu iria admitir que o fato dela ter me detalhado perfeitamente como acontecia à primeira vez, mesmo ela estando um pouco bêbada demais para ela se recordar de quando perdeu a virgindade. Mas ela havia me adiantado, a dor não sumia você apenas se acostumava com ela e tinha que esquecê-la, empurra-la para a parte de trás de seu cérebro e se concentrar no que estava acontecendo e no homem que estava dentro de você. Engoli a dor, sem que ele percebesse e me mexi debaixo dele.

Mantenho uma mão em minha cintura, ele subiu com a outra, apoiando em meu pescoço e mantendo a testa encostada a minha, ele saiu de dentro de mim e voltou todo de uma vez, a dor deu um pequeno alerta, mas eu tratei de ignora-la e me concentrar no homem a minha frente. Edward puxou uma de minhas pernas para enlaçar a sua cintura e começou a se movimentar dentro de mim, com a minha perna erguida ele conseguia deslizar com mais facilmente e indo mais fundo.


Minhas mãos foram para a sua nuca, puxando os cabelos daqui e enquanto nossos rostos continuavam rente um ao outro e bem próximos. Edward olhava no fundo de meus olhos, que parecia que ele podia ver a minha alma enquanto eu me perdia no mar verde dos seus olhos. Ele beijou-me nos lábios rapidamente e quando se tornou difícil segurar os gemidos que escapavam de meus lábios, virei o rosto, soltando a sua boca e ele migrou a dele para os meus seios. Joguei a cabeça para trás erguendo o meu peito e Edward não perdeu tempo e tratou de abocanhar um deles, me fazendo soltar um gemido alto junto com o seu nome.

As únicas coisas que saiam de minha boca eram gemidos, palavras desconexas e o nome de Edward. Ele nos virou na cama, deitando de costas na cama e me deixando sentada em cima de seu colo, suas mãos seguiram para a minha bunda, onde ele espalmou as duas em cada banda e segurando firme, me fazia subir e descer em seu pênis. De inicio ele foi ditando os movimentos, mas depois de algumas subidas e descidas, ele estava apenas com as mãos apoiadas em minha bunda e eu subia e descia devagar em seu pau enquanto tinha as minhas mãos apoiadas em seu peito.



O formigamento começou forte em meu ventre e ele percebeu que estava perto de chegar ao meu ápice, eu podia sentir a minha buceta apertando o seu pau, tornando os movimentos um pouco mais difíceis e ele sentou-se na cama e eu apoiei as mãos em seus ombros e ele voltou a me ajudar a subir e a descer em seu pau. Mas dessa vez o gozo não veio com força igual às duas outras vezes, ela veio devagar e escorria lentamente pelo pênis de Edward e conforme a sensação de êxtase ia passando o meu corpo ia ficando molenga sobre o de Edward.

- Eu te amo. – disse no meu ouvido enquanto eu sentia a camisinha encher, provavelmente pelo seu gozo e eu sorri sentindo o meu corpo completamente mole.

- Eu também de amo. – disse mexendo de leve nos cabelos de sua nunca com a ponta de meus dedos.

- Quer tomar um banho antes de dormir, Little Kitten, ou quer apenas deitar? – perguntou beijando o meu rosto quando viu pelos meus olhos que eu estava cansada. –

- Vai deitar comigo? –

- Sempre. – disse em meu ouvido. – Venha, vamos tomar um banho rápido. – ele levantou da cama, comigo em seu colo, fazendo com que o seu pênis saísse de dentro de mim e saiu do quarto. – Onde fica o banheiro? –

- Segunda porta a direita. – expliquei deitando a cabeça em seu ombro.

- Dorme não, Little Kitten. – comentou sorrindo ao entrar no banheiro e me colocar dentro do box e eu me encostei na parede de azulejos frios e o vi tirar a camisinha no pênis agora mole, amarrando-a e a jogando no lixo e vir para dentro do box e me puxar para o seu peito e ligando o chuveiro.

Nós tomamos um banho rápido e morno, regado a beijos e a caricias. Terminamos o meu banho e seguimos para o meu quarto. Coloquei uma calcinha larga e uma camisa também larga e Edward uma cueca e uma bermuda nova que ele tinha na mochila que levou para as duas semanas no navio. Eu me sentei na ponta da cama e comecei a secar o meu cabelo com a toalha, e ele prontamente pegou a toalha de minha mão e sentou atrás de mim e começou a secar o meu cabelo com a toalha e a massagear o meu cabelo e não demorou muito para que eu acabasse dormindo, e a única coisa que eu me lembrava, era de sentir o peito de Edward encostando-se a minhas costas e me abraçando.

—— Flashback Off. – Dias Atuais. ——

 Eu estava encostada na porta de meu armário, o galho seco de cerejeira em mãos e sentia a minha calcinha úmida por me lembrar da minha primeira vez com Edward. E depois de quase dois anos sem sexo eu estava quase subindo pelas paredes, mas eu me recusava a usar o consolo que havia ganhado de minha mãe, eu queria o meu marido e um pênis de verdade dentro de mim. Faltava saber quando é que eu o teria dentro de mim de novo.

Levantei do chão, deixando o ramo na caixa de lembranças e segui para o banheiro com outra muda de roupa, eu precisava de um banho frio, antes que eu acabasse pegando o consolo dentro da caixa e o usasse, no meio da tarde e correndo o risco dos meus meninos entrarem no quarto. Tomei o banho mais frio que consegui, e eu podia sentir os meus dentes batendo e eu pouco me importava, o fogo que tinha no meio de minhas pernas sumira, mas ao fechar os olhos eu podia sentir as mãos de Edward passeando pelo meu corpo.

Nossa relação era muito especial. Ele era o meu primeiro em tudo. Meu primeiro beijo, meu primeiro beijo de língua, o cara que tirou a minha virgindade, o homem por quem eu me apaixonei pela primeira vez, a pessoa para quem eu entreguei não apenas o meu corpo, mas o meu coração também. Eu abriria a mão de tudo para ficar com ele e eu confiava cegamente nele, era por isso que a nossa relação já durava cinco anos. Eu confiava que enquanto ele estivesse treinando ou de serviço, ele não me trairia e ele confiava que enquanto ele estivesse treinando ou de serviço eu não o trairia. E era quase que uma blasfêmia pensar em outro homem na cama comigo.

Terminei o meu banho e sai do banheiro e após me secar, vesti um short curto jeans escuro e uma camiseta azul clara com uma blusa larga cinza de mangas compridas e calcei meus tênis da mesma cor da camiseta e penteie o meu cabelo e voltei à arrumação do meu armário. Eu vim arruma-lo por um motivo, desviar a minha mente do meu marido e prestar atenção no meu dia, que estava muito mais longo do que o de costume. Olhei para o relógio despertador ao lado da cama e ainda eram 13:30h e a parada era apenas as 17h, muito tempo livre.


 Separei as roupas que não serviam mais e guardei as que eu manteria, dobrei as roupas que seriam doadas e caminhei até o sótão pegando uma caixa grande e voltando para o quarto, colocando-as lá dentro e escrevendo com um piloto preto doação. Eu tinha que separar as roupas para doação de Anthony e Adam também, e os brinquedos que eles não usavam mais, e como eu tinha que manter a minha mente ocupada, era hoje que eu faria isso. Até porque eu estava protelando isso há meses.

Após ajeitar as roupas no cabide e nas gavetas, resolvi que era a hora de ajeitar os casacos que ficavam na prateleira acima do cabideiro, puxei uma pequena escada, que ficava dobrada dentro do armário, de apenas três degraus e puxei os casacos, jogando-os no chão e junto a um deles, uma grande caixa branca caiu também.

- Merda. – eu tinha que tirar aquela caixa dali antes que eu acabasse estragando o meu vestido de noiva que estava ali dentro.

Desci os degraus com cuidado e peguei a caixa. Sim, eu guardava o meu vestido de noiva dentro de uma caixa no meu armário, até por não haver um lugar melhor. Eu precisava achar um lugar melhor para guarda-lo. Sentei-me no chão na posição de lótus e tirei a tampa da caixa e o papel que cobria o vestido e não pude deixar de sorrir ao ver o meu vestido. Ele era perfeito e eu não conseguia me esquecer do dia que o comprei. Eu o encontrei na primeira loja de entrara e o primeiro que vestia eu tinha certeza de que era o vestido ideal e me recusei a vestir outro, já que eu estava completamente apaixonada por ele. Papai que insistia em ir junto fez questão de pagar o vestido que eu quisesse, mas ele não precisou abrir tanto a carteira assim, já que o vestido perfeito era simples, bem simples. E quando eu sai do provador com o vestido eu pude ver os olhos de papai brilhando, e eu jurava que havia visto seus olhos marejando e uma lágrima escorrendo do olho direito, cuja lágrima ele tratou de limpar rapidamente e negar veementemente que ela existiu. E eu podia me lembrar, perfeitamente bem, do dia do meu casamento, como se tivesse acontecido a poucas.

—— Flashback – 24/12/2012 ——

- Você está bem? – perguntei pela milésima vez.

Edward voltara de serviço há uma semana, ele havia crescido rápido dentro dos fuzileiros navais e já havia assumido, rapidamente, a patente de tenente comandante, uma patente abaixo da que ele pretendia e hoje estávamos todos aqui em minha casa, e quando eu me referia a todos, eu me referia a todos literalmente, meus pais e os pais de Edward e a namorada mimada de meu irmão. Eu não ia com a cara dela. Mamãe e Esme estavam na cozinha terminando de preparar a ceia e papai e Carlisle estavam na sala assistindo ao jornal esportivo, enquanto meu e irmão e a namorada mimada estavam transando no quarto ao lado do meu e eu e Edward estávamos deitados em minha cama, vestidos, e com o radio ligado baixo, de onde saiam musicas do Bon Jovi, mas para evitar os sons dos gemidos do quarto ao lado do que outra coisa.

Eu estava meio sentada e meio deitada na cama, com Edward no meio de minhas pernas e com a cabeça apoiada em minha barriga e eu fazia cafuné em seus cabelos. Eu estava ajudando a mamãe e a Esme a preparar a ceia, mas ambas pediram para que eu ficasse um pouco as sós com Edward para ver se ele se abria um pouco sobre o que tinha acontecido, e como estava muito frio lá fora, resolvemos vir para o meu quarto, eu só não esperava que nós dois teríamos que conversar enquanto ouvíamos o meu irmão e Rosalie, sua namorada, transando.

- Você já perguntou isso mil vezes e eu já disse que está. – disse calmamente enquanto eu mexia em seus cabelos. Ele havia voltado do Afeganistão há uma semana, a primeira vez que ele ia realmente para a guerra, e voltou muito quieto, pensativo e não mais aquele Edward brincalhão e alegre que eu conheci e por quem eu me apaixonei. Eu sabia que a guerra mudava um homem, só não sabia que era a esse ponto.

- Certeza? Você está tão quieto e amuado. – comentei e ele suspirou.

- Eu estou bem, é só que eu fecho os meus olhos e me lembro das coisas que eu vi. –

- Se arrepende por ter largado a marinha pelos fuzileiros? –

- Até agora não. Está tudo bem. – garantiu. – Um pouco antes de subirmos eu conversei com o seu pai e ele disse que isso é normal para a primeira vez, mas que depois, infelizmente, você acaba se acostumando. Eu não quero que se preocupe com isso. Eu estou bem. – ele deitou de barriga para cima e levantou a cabeça jogando um pouco para trás. – Não se preocupe. –

- Me preocupo sim porque eu te amo. – disse abaixando a cabeça e dando um beijo em sua testa. – E, aliás, você chegou e nem me deu um beijo direito. Não matou a saudades ou você andou transando com alguma enfermeira e ai não está com vontade de transar comigo? – ele virou-se na cama, se ajoelhando e me puxando pelas coxas, fazendo com que eu me deitasse na cama e ele ficou por cima de mim.

- Eu não transei com ninguém. E estou louco para transar com você, mas ao contrário do seu irmão e da namorada dele, eu respeito o seu pai e não vou transar com a princesinha dele com ele em casa. Talvez quando ele estiver dormindo. – brincou e eu ri. – Eu senti tanto a sua falta. – ele deitou o corpo por cima do meu, me abraçando forte. – Eu só não surtei durante esses meses todos longe porque eu sempre pensava que eu tinha que voltar para você. –

- E você voltou! – comentei e ele me olhou profundamente nos olhos.

- E sempre vou voltar. – garantiu e uniu seus lábios aos meus.

- Espero que ao contrário do seu irmão, vocês dois estejam se comportando. – o beijo foi interrompido pela voz de meu pai do outro lado da porta. – Porque eu estou entrando. – Edward apenas se virou novamente e nós voltamos a nossa posição inicial. – Ótimo. – papai disse ao entrar e ver que estávamos apenas deitados na cama, e o mais importante, vestidos. – Achei que fosse ver a bunda branca de mais alguém. –

- Viu a de quem? – perguntei rindo.

- A de Emmett. Sua mãe mandou descer para jantar e se me dão licença, vou bater a cabeça na parede até esquecer a imagem grotesca de ver o seu irmão comendo a namorada por trás. – comentou e saiu do quarto enquanto eu e Edward riamos. – A propósito, caso vocês dois transem comigo em casa, tranquem a porta. – Edward abriu a boca, mas fora interrompido por papai. – Não minta. Eu sei que desonrou a minha menina. Renné já me contou. E não. Não vou matar você porque a Bella realmente te ama e pelo visto você realmente a ama também. –

- Mas que tudo no mundo, senhor. – garantiu apertando a minha cintura.

- Ótimo. Agora, vamos descer. – papai saiu e Edward levantou da cama, esticando a mão para mim e eu prontamente a aceitei, e me ergui da cama, ajeitando o meu vestido e seguimos para o andar de baixo.

————

- Amor. – Edward me chamou depois de um tempo.

Já havíamos comido e trocado os presentes e estávamos no meu quarto, deitados e nus. Como durante a ceia uma tempestade havia começado a cair, Carlisle e Esme, meio que foram obrigados a permanecerem aqui em casa e estavam dormindo no quarto de hospedes, meus pais também já estavam dormindo e Emmett e Rosalie também já dormiam ou estavam transando em silencio. Edward tinha as costas apoiadas na cabeceira da cama e eu estava no meio de suas pernas, com a cabeça apoiada em seu peito enquanto o sentia subir e descer com as pontas dos dedos pelo meu braço despido.

- Oi. –

- Você já pensou? –

- No que? – perguntei confusa.

- Nos nomes. –

- De quem? – perguntei jogando a minha cabeça para trás e a levantando para que pudesse olha-lo.

- Dos nossos filhos. –

- Mas quais filhos? – perguntei sorrindo.

- Dos nossos... Sabe eu estive pensando em uma coisa que fez com que eu mantivesse a minha sanidade no Afeganistão, é que quando eu voltasse nós tínhamos que nos casar e termos nossos filhos. – me afastei dele e me sentei na cama, o encarando. – Já estamos juntos há cinco anos, você já está terminando a faculdade e já trabalha na clinica veterinária de sua mãe e eu já estou bem encaminhando em minha carreira militar, então eu pensei: Por que não? O que me diz? –

- Que você bebeu vinho demais com os nossos pais. Vamos dormir e amanhã você já vai ter se esquecido disso. – respondi puxando-o para a cama e me deitando.

- Eu nunca vou me esquecer disso. – disse deitado e me encarando. – O que eu mais quero é chamar você de minha esposa pelo resto de minha vida e ter uma mini Little Kitten me chamando de papai. – eu o sentia sorrir contra a minha nuca. – Mas tudo bem. Vamos dormir e amanhã continuamos com essa conversa. –

Ele não havia se esquecido da conversa e até havia iniciado ela na manha de natal na frente de todo mundo e minha mãe e a sua mãe apoiaram e meu pai ficou apenas encarando Edward e emendou se eu estava grávida e não. Eu não estava grávida.

Um mês se passou desde o natal quando Edward tocou no assunto de filhos se casamento pela primeira vez. Eu estava no ultimo ano da faculdade e Edward me ligou enquanto eu caminhava de uma aula para a outra, dizendo que queria falar comigo na hora do almoço antes que eu seguisse para a clínica de mamãe e eu passei a hora que ele iria sair e caminhei para a minha sala.

A faculdade havia terminado agora e eu caminhei para o banheiro para me ajeitar. O banheiro estava vazio o que era bom, apoiei a minha bolsa e o meu casaco branco em cima da pia seca e fui ao banheiro rapidamente e voltei me ajeitando no espelho. A calça jeans escura e justa, uma camisa social branca com um suéter preto com listras brancas, formando quadrados. Ajeitei o meu cabelo e vesti o meu casaco branco e peguei a minha bolsa e sai do banheiro, caminhando para o lado de fora da faculdade e torcendo para que nesse meio tempo, não houvesse nevado de novo, para que eu não corresse o risco de enfiar os saltos de minha bota na neve e acabar caindo e me machucando.


- Oi meu amor. – Edward estava encostado em seu carro, no estacionamento da faculdade, e não, graças a Deus, não havia voltado a nevar.

- Oi Little Kitten. – ele enlaçou a minha cintura com os seus braços firmes e me deu um beijo. Mesmo depois de cinco anos beijando o Edward eu ainda sentia a mesma coisa quando nossos lábios se encontravam, mesmo depois de cinco anos os seus beijos ainda tinham mágica. – Vamos dar uma volta? Eu te deixo na veterinária a tempo. –

- Claro. – ele abriu a porta para mim e eu entrei colocando a minha bolsa no banco traseiro do carro e ele entrou no banco do motorista, e começou a dirigir.

Eu achei que Edward fosse dirigir para o nosso restaurante favorito, mas não. Ele dirigiu para o parque West Potomac, ele parou no estacionamento do parque e saímos do carro e caminhamos pela margem do Tidal Basin com as mãos dadas. A enseada estava completamente congelada e algumas pessoas patinavam na enseada e eu só não esperava que ele tivesse me trazido aqui para patinar, até porque eu havia esquecido os meus patins em casa.

- Eu tenho uma coisa para você. – disse parando a minha frente na parte mais afastada do West Potomac, perto do memorial de Martin Luther King Jr.

- O que? – ele não respondeu e apenas puxou uma caixinha do bolso do casaco. – Não! – disse ao reconhecer a caixinha da Tiffany. – Você estava falando serio quando disse que queria se casar comigo? –

- Mas serio é impossível. Eu realmente quero me casar com você e ter filhos com você. Então você... - eu nem esperei que ele terminasse de falar e me joguei em seus braços, fazendo-o cair para trás na neve e cobrindo os seus lábios com os meus. – Eu posso considerar isso como um sim? –

- Você deve considerar isso como sim. – respondi sorrindo e ele nos virou na neve, ficando por cima de mim e cobrindo seus lábios com os meus novamente.

—— Flashback Off. – Dias Atuais. ——

Eu encarava fixamente a minha mão esquerda e vendo meu anel de noivado e minha aliança em meu dedo anelar. O anel era simples, e eu não podia pedir nada diferente, uma simples argola prateada com um pequeno diamante em cima. Levei minha mão até a minha boca, dando um beijo no anel e em minha aliança dourada, que constava o nome de meu marido e a data de nosso casamento.


Tirei a mão de minha boca e estiquei-as para a caixa com o meu vestido, passando a mão pelo busto do vestido e o puxando, trazendo-o para perto de meu corpo. Era nessas horas da vida, que eu me arrependia por não ter pedido para ele largar os fuzileiros quando ele sugeriu isso após o nosso casamento. Mas não, eu não tive coragem para pedir para ele largar. Ele queria aquilo desde pequeno, porque eu pediria isso para ele?

—— Flashback – 13/07/2013 ——

Era isso a faculdade havia acabado a menos de uma semana e eu já estava me casando. Aliás, faltavam menos de uma hora para eu me casar e eu estava nervosa e muito enjoada. Enquanto mamãe brincava que o enjoo era devido a uma gravidez não planejada, todo mundo a ignorava e falava que era apenas nervosismo. Independentemente do fato de ser uma gravidez fora de hora ou nervosismo, eu sentia que iria vomitar a qualquer momento e isso não era bom, não quando eu tinha apenas alguns minutos para descer e entrar no carro e seguir para a igreja.

Eu estava em meu quarto com minha mãe, Esme e vovó e até Rosalie, que fingia que gostava de mim quando pediu na cara de pau, para ser a minha madrinha e para que eu jogasse o buque na direção dela para ver se assim Emmett parava de enrola-la. Ela já queria casar e eles estão juntos não tem nem um ano e a melhor parte é que essa súbita vontade de se casar surgiu quando ela soube que eu e Edward já tínhamos uma data marcada. Eu estava parada em frente a um espelho enorme, já pronta. Eu não queria algo grandioso, queria algo simples e intimo, onde o tipo de vestido, decoração e comida servida, ou o tamanho do bolo que seria servido e sim o amor entre Edward e eu.

O vestido era lindo, simples, delicado e perfeitamente lindo. Ele era de alças, o que era bom, até porque o verão estava bem quente, alças finas e um decote de coração e o busto era todo revestido por uma renda florida e saia esvoaçante levemente armada e com algumas camadas. Meu cabelo estava solto e levemente ondulado com uma tiara bem fina que prendia o véu.


Papai chegou ao meu quarto com o seu uniforme e mais uma vez fingiu que não estava emocionado e com os olhos marejados. Ele avisou que estava na hora e Esme colocou o meu véu para frente e nós descemos, seguindo para a igreja. A igreja era pequena e estava linda, decorada apenas com algumas flores brancas e Edward estava perfeito no seu uniforme azul, que era preto.

O mesmo padre que celebrou o meu batismo, sim ele ainda estava vivo e bem conservado, casou-me com Edward e depois seguimos para a festa, pequena, no jardim dos fundos de minha casa. Estava quase escurecendo quando nós estávamos dançando no meio da pista de dança, melhor, abraçados e balançando de um lado para o outro enquanto os outros dançavam no ritmo da musica que tocava. Edward pediu para que eu pedisse a ele para que largasse os fuzileiros e eu não pude fazer isso, ele sempre quis aquilo e eu me recusava a pedi-lo para largar os fuzileiros.

—— Flashback Off. – Dias Atuais. ——

Deus, eu queria voltar para aquele dia e pedir para ele ficar, mas eu sabia que não iria conseguir, do mesmo modo que eu não consegui pedir para que ele ficasse quando eu estava grávida de Adam. E foi o momento em que eu mais precisava dele aqui, já que eu passava por uma gravidez de risco devido eu estar um pouco abaixo do peso devido a uma anemia forte e mesmo assim eu fiz com que ele fosse e me arrependi imediatamente, já que ele não deu mais noticias e quando Adam nasceu um mês antes do previsto foi quando eu me arrependi de tê-lo insistido que fosse.

Enxugando as lágrimas, ao me lembrar do parto complicado de Adam, eu dobrei o meu vestido e guardei-o dentro da caixa novamente, fechando-a e guardando na prateleira superior do armário e separei os casacos, terminando de arrumar as minhas roupas e de separar as que iriam para a doação. Terminei de arrumar o meu quarto e caminhei para o quarto de Anthony, ele ainda ressonava tranquilamente, caminhei para perto dele, apenas para checar o ferimento em sua cabeça o curativo estava limpo e em silencio, segui para o seu armário e comecei a separar as roupas que não serviam mais nele ou que ele não usava mais.

- Mamãe. – olhei para a cama e vi que Anthony estava acordado, sentado nela e coçando os olhos, um tempo depois de eu ter terminado de arrumar o seu armário e de separar as roupas para a doação.

- O que foi meu amor? –

- Minha cabeça está doendo. – empurrei a caixa para um canto e me aproximei de sua cama e levei a mão até a sua testa e ele não estava com febre.

- Mamãe vai pegar o remédio para você, tá meu amor? Não sai da cama. – ele assentiu. Deixei o quarto e desci para o primeiro andar, pegando a caixinha de remédio e um copo cheio d’água e voltei para o quarto de Anthony e me sentando na cama. Apoiei o copo na mesinha ao lado da cama e abri o remédio, destacando um comprimido pequeno que eu coloquei em sua boca e lhe entreguei o copo com água e ele engoliu o comprido com toda a água do copo. – Agora deita ai meu amor, que a mamãe vai te fazer companhia até o remédio fazer efeito. – disse colocando a caixinha de remédio e o copo vazio na mesinha ao lado da cama e ele deitou na cama, de costas para mim e eu deitei, o abraçando e fazendo carinho em seus cabelos ruivos, eu tinha que leva-lo para cortar um pouco o cabelo.

Dois meses depois do nosso casamento, eu já trabalhava na clinica de mamãe e estava tudo indo muito bem. Eu e Edward já tínhamos uma casa própria, no bairro ao lado de meus pais. A verdade é que nossa casa ficava no meio do caminho entre a casa de meus sogros e de meus pais. Edward ainda não fora chamado novamente para um trabalho de campo e isso era bom. Após o casamento nós passamos duas semanas em uma cabana, apenas para nós dois, em Alberta, Canadá.

Hoje era o meu aniversário e Edward não havia me deixado ir dormir tão cedo, ainda estávamos em ritmo de lua de mel e isso era bom, muito bom para ser bem sincera. Nós só fomos dormir por volta das três da manhã e eu acordei às sete da manhã enjoada, muito enjoada e correndo para o banheiro para vomitar, tontura e dores do estômago. Edward, protetor como sempre, me arrastou para o hospital, só porque eu vomitei três vezes seguidas em menos de dez minutos e sem ter colocado nada no estômago.

E para a nossa surpresa, seguindo a médica, eu estava grávida. Eu estava chocada, estava feliz, porém chocada. Sim, nós planejávamos ter filhos, principalmente Edward, mas eu não esperava que viesse tão rápido. Edward teve sorte de não ser chamado nenhuma vez durante todo o meu período gestacional e pode acompanhar tudo de perto, como ele desejava. Pré-natal, compras do enxoval e arrumação do quarto e durante o longo, difícil e doloroso parto normal de Anthony, ele não saiu do meu lado, em nenhum minuto das 36 longas horas de parto.

Eu me lembrava, muito bem, da primeira impressão que tive de Anthony quando ele nasceu. Ele era tão lindo e perfeito. A cópia fiel do pai. Cabelo ralo e claro, que depois com o tempo foi ficando escuro, e grandes olhos verdes, era igualzinho a uma foto de bebê de Edward, que Esme tinha guardado uma das poucas coisas que estavam junto com Edward quando foi deixado no orfanato. Anthony se mexeu na cama, ele já voltara a ressonar tranquilo e havia se virado e escondido o rosto em meus seios e eu continuei a fazer cafuné em seus cabelos ruivos. Ele iria arrasar os corações das garotas quando crescesse igual ao pai.

Quando Adam nasceu e minha mãe viu que ele era outra cópia de Edward, ela começou a brincar que no lugar de um útero eu tinha uma copiadora, que esse era o único motivo para os dois serem iguais a Edward. Dei um beijo na testa de Anthony e levantei da cama com cuidado e saindo do quarto e indo para o de Adam. Adam já estava acordado e brincava com um bichinho de pelúcia e ficou no berço, quietinho enquanto eu arrumava as coisas dele, ainda havia roupas de quando ele tinha três meses de vida ali em seu armário.

Quando eu terminei de arrumar tudo já eram 15:00h e eu tinha que acordar os meninos para que eles pudessem tomar um banho, fazer um lanche para irmos embora. Resolvi começar por Adam, que já estava acordado, peguei-o no colo e o levei para o banheiro e coloquei a banheira para encher e o deitei em seu trocador, tirando a sua roupa e encontrando uma fralda cheia e suja, eu não sabia como ele estava tão sujo e não fez escândalo como de costume. Joguei a fralda suja no lixo e o limpei com um pano umedecido o máximo que eu podia, e o coloquei na banheira rasa, com alguns de seus brinquedos de banho, patinhos, lulas, submarinos e peixes de borracha.  

Enquanto eu dava banho nele, ele brincava com os bichinhos de borracha, e acabava esguichando água e me molhando, mas eu já estava acostumada com isso, se eu desse banho nos meninos e não saísse molhada, eu não havia dado banho neles. Terminei de dar banho em Adam e o tirei da banheira, ganhando reclamações dele, ele adorava água, piscina e banheira, incrível, ele era um peixinho. Deitei-o no trocador e o sequei, distraindo seus olhos da banheira e enquanto eu passava a pomada para assaduras e colocava uma fralda limpa, eu brincava fazendo sons em sua barriguinha e fazendo-o rir.

Peguei a roupa que eu havia separado para ele e o vesti. Coloquei uma calça jeans nele, dobrando as barras e colocando uma blusa branca e calçando seus sapatinhos, como dentro de casa estava quente, só lá fora que estava meio nublado.  Peguei o meu menino no colo e desci as escadas para a cozinha e o sentei na cadeirinha. Eu fiz um bolo de laranja rápido e o coloquei no forno e limpei a bagunça. Enquanto o bolo assava, peguei Adam no colo e subi para o quarto de Anthony e me sentei na ponta à cama, com Adam em meu colo.

- Amor... – o chamei. – Bebê está na hora de acordar. – ele se remexeu na cama, despertando e coçando os olhos. – Oi preguiça. – brinquei sorrindo. – Vamos levantar tomar um belo banho e comer algo para irmos para a parada? –

- Vamos. – disse se espreguiçando.

- Vem que a mamãe vai te dar um banho. –

- Não precisa. –

- Precisa sim... Eu deixei você tomar banho sozinho e viu no que deu. – resmunguei apontando para o seu ferimento na cabeça. Deitei Adam na cama de Anthony e peguei Tony no colo o levando para o banheiro.

Ajudei-o a tirar a roupa e o levei para dentro do box, dando um banho nele e tomando cuidado para não molhar o curativo e após enrola-lo na toalha o ajudei a se vestir, melhor, fui entregando as roupas e ele se vestindo. Anthony vestiu uma calça jeans clara e uma camisa branca e uma jaqueta jeans clara e calçou seus tênis e nós descemos as escadas, ajudei os dois no sofá ao mesmo tempo em que o bolo ficou pronto. Enquanto o bolo esfriava um pouco, deixei as crianças assistindo TV e corri para cima para tomar um banho. Quem disse que eu precisava ir para a academia mantendo a forma? Era preciso apenas subir e descer as escadas, uma coisa que eu fazia a cada três minutos.


Tomei um banho rápido, quando as crianças estavam acordadas eu não me dava ao luxo de demorar muito, eles poderiam acabar se machucando, e isso não era bom. Ao me secar, vesti uma calça jeans clara e uma blusa grosso azul esverdeado escura de crochê, calcei um par de botas pretas e penteie o meu cabelo e peguei um casaco ao sair do quarto, e antes que voltasse para a sala, passei nos quartos dos meninos e peguei dois casacos para eles. Segundo a meteorologia, hoje faria um pouco de frio e possivelmente choveria.


Ao terminarmos de lanchar e de prontos, coloquei os dois para dentro do carro e segui para o cemitério de Arlington e chegamos à frente do Tumulo do Soldado Desconhecido faltando poucos minutos para o inicio da cerimônia. Eu encontrei Alice com a sua mãe, Maria, ali perto, um pouco afastada de nós, se encontrava Jessica Stanley, eu esperava que ela não viesse me torrar o saco, não estava muito a fim de atura-la.

A cerimônia começou às 17h horas pontualmente, as crianças, Anthony no colo de Alice e Adam no meu, não entendiam o que se passava, não entendia o motivo de estarmos aqui e nem o que aconteceria, mas no fundo, talvez Anthony, entendia que para ele viver em um lugar um pouco mais seguro é devido às pessoas que estão lá fora. O que no caso envolve o pai deles. A cerimônia começou a banda marcial da marinha, cada ano era de uma das forças armadas diferentes, e com o presidente dos USA levando uma guirlanda até o tumulo e dentro de meia hora a parada seguiu a banda marcial para fora do cemitério.


Eu disse a Alice que iria depois, tinha que passar em um lugar antes, e ela assentiu colocando Anthony no chão e seguindo a multidão e eu fui à direção contraria. Para a Arlington House e deixei as crianças brincando um pouquinho na grama enquanto eu me sentava no banco, as vigiando. Suspirei Deus, como eu desejava voltar por alguns minutos, a aquele dia dos veteranos de dez anos atrás. Ouvi uma risada baixa vinda de trás de mim e eu ignorei, deveria ser alguém passeando por ali e continuei a vigiar os meus meninos.

- Eu sabia que iria lhe encontrar aqui, Little Kitten. – ouvi alguém falando atrás de mim e eu me virei para trás e eu não conseguia acreditar no que estava vendo. Levantei do banco e me aproximei do homem a minha frente, com um uniforme camuflado verde.

- Ed... Edward? – ele sorriu amplamente por baixo da barba rala.

- Oi Little Kitten. – disse com os olhos brilhantes e eu levei a minha mão até o seu rosto, acariciando a sua bochecha e ele virou um pouco o rosto, apoiando-o em minha mão e eu sorri. Era ele, ele estava realmente ali, ele estava vivo! Ele estava bem. Sorri sentindo meus olhos lacrimejando. Finalmente, ele havia voltado para casa. Sem pensar muito eu estapeei o seu rosto. – Ai. – para um homem dos fuzileiros ter sentido dor ao simples tapa, talvez seja porque eu exagerei um pouco na força. – Por que fez isso? – perguntou esfregando a mão pela bochecha.

- Por quê? – rosnei. – Eu deveria era matar você. Como você pode fazer isso comigo? – eu gritava com ele. – Um ano, Edward. Você passou a porra de um ano longe e não mandou uma carta. – reclamei sentindo os meus olhos lacrimejando enquanto eu batia em seu peito. Sem falar nada, ele simplesmente me envolveu em seus braços e me abraçou com força, e eu me debulhei em lágrimas.

O meu corpo se sacudia devido ao pranto forte, era muita coisa acumulada dentro de meu peito, que eu nunca colocara para fora durante esses longos doze meses. Eu me agarrei a Edward, como se quisesse impedir que ele se afastasse um único milímetro.

- Me perdoe, me perdoe meu amor. – ele levou as mãos para o meu rosto e me olhou. – Me perdoe meu amor. – disse secando as minhas lagrimas que escorriam livremente pelo meu rosto e eu podia ver seus olhos verdes marejados. Puxei-o pela gola de seu uniforme e uni meus lábios aos dele.

Ele desceu com os braços para minha cintura e me apertou contra o seu peito. Depois de um ano eu finalmente pude ter o beijo do meu homem de novo. Depois um ano bem longo eu tive novamente o meu beijo cheio de mágica e amor de novo. Eu senti a falta dele do mesmo modo como ele sentiu a minha e isso fica explicito no abraço apertado e no beijo que ele me dava, por mim eu ficaria aqui o beijando pelo resto dos meus dias, pouco ligando para os protestos de meus pulmões.

- Papai... Papai... – mas eu não podia ignorar Anthony, ele também sentira saudade do pai. Edward interrompeu o beijo e viu por cima de meu ombro o filho. – Papai. – Anthony o chamou de novo rindo e ele me soltou indo para perto dele, se abaixando no chão e o pegando abraçando forte.

- Oi meu filho. – ele afastou Anthony um pouco dele para que ele pudesse olhar bem para ele e eu caminhei para perto de Adam, que estava sentado na grama e o peguei no colo. – Deixa o papai ver você... Nossa como você cresceu e... – ele viu o machucado na cabeça. – O que foi isso? –

- Eu cai e bati um vaso quebrou na minha cabeça. – explicou rindo.

- Como? –

- Eu estava correndo molhado e pelado pela casa. – contou rindo como se não tivesse feito nada demais.

- Nós já não falamos para não fazer isso? –

- Desculpa papai. – ele abraçou o pai forte.

- Querido. – o chamei e ele levantou a cabeça. – Esse é o Adam. – apresentei e ele se levantou com o Tony no colo e se aproximou de mim.

- Finalmente eu pude conhecer o meu filho... – ele pegou Adam e eu Tony. Edward analisava Adam com os olhos brilhantes e Adam olhava para o pai com curiosidade, um não conhecia o outro, porém Edward sabia que Adam era seu filho, mas Adam nem desconfiava que Edward era o seu pai. – Ele é saudável? –

- É. Nasceu prematuro, mas é. – Edward passou uma das mãos pela minha cintura e me puxou para perto de seu peito e me deu um beijo.

- Finalmente eu estou em casa. – disse se sentando com Adam, que parecia muito mais relaxado no colo do pai.

- Por que demorou tanto? Por que não mandou uma carta ou ligou? – perguntei quando me sentei ao lado dele. – Carlisle me disse mais cedo que havia falado com Joseph e ele disse que você estava em uma missão Black Op. –

- E estava. Não podia falar com ninguém. Falava com Joseph apenas uma vez ao mês e ele me falava que vocês estavam bem. –

- Pode me falar? – ele não me contava quase nada sobre as suas missões, dizendo que era secreto e para me manter segura.

- Muito pouco. – explicou enquanto Adam mexia nos dedos do pai. – Mal cheguei à Síria e Joseph disse que tinha uma missão e que quem quisesse ir poderia se candidatar. Era uma missão de infiltração dentro de um grupo jihadista. E eu me candidatei. –

- Não pensou em nenhum momento em mim e nos seus filhos? Não pensou na sua família antes de fazer a imbecilidade de se candidatar? Edward você correu riscos completamente desnecessários. –

- Eu sei que essa foi uma missão muito perigosa, várias pessoas na base a batizaram de missão suicida, muitos que tentaram se infiltrar em algum grupo jihadista acabava sendo descoberto e morto, porém eu fiz um acordo com Joseph. –

- Quando vai ter que voltar? –

- Nunca. Nunca mais. –

- Como? –

- Quando eu aceitei essa missão eu aceitei avisando a Joseph que seria a ultima e que assim que ela acabasse eu passaria para a reserva, ou seja, eu não voltar para base nenhuma. – o encarei confusa.

- Não entendi. – confessei.

- Eu estou na reserva Bella. Não vou mais me afastar para nada. –

- Você saiu...? –

- É. Sai da ativa. Eu pensei muito, aliás, tive muito tempo para pensar durante esses meses nisso. Eu não quero me afastar mais da minha família. Eu não pude estar aqui quando você mais precisou você estava passando por uma gravidez de risco com o Adam e eu fui embora. Fiquei um longe fora, não vi meu filho nascer, não o vi completar o primeiro aniversario e agora ele não me conhece e temo que se tivesse demorado mais um tempo para voltar, nem Anthony me conheceria mais. – ele olhou para os filhos. – E que tipo de pai eu seria se deixasse isso acontecer? –

- Mas você não chegou a patente que queria? –

- Não, não cheguei. Mas sabe o que realmente importa? –

- O que? –

- Que eu cheguei à posição da vida que eu sempre queria. Casado com você e com dos filhos. O que mais eu posso pedir? Ah sim, uma menina, que tal? –

- Já que você vai ficar em casa agora, talvez ela venha. – Anthony e Adam olhavam de mim para Edward sem entender nada. – E o que você vai fazer agora? – perguntei.

- Eu ainda não pensei nisso, mas o que importa é que eu não vou mais me afastar de vocês. Nunca mais. –

- Nunca mais? – perguntei quando ele me puxou para perto dele e cheirando o meu cabelo.

- Nunca... Eu nunca mais vou me afastar de vocês. – ele segurou o meu queixo. – Eu prometo. – disse firme e abriu o sorriso torto mais lindo e perfeito do mundo. – Eu te amo tanto. –

- Eu também te amo. – disse unindo meus lábios aos dele, eu sentira tanta falta desse homem que eu não iria parar de beija-lo tão cedo.

- Papa... – o beijo foi interrompido ao ouvirmos Adam falando papai pela primeira vez. – Papa... Papa... Papa... – ele cantarolava baixo tentando pegar o cordão com a identificação de Edward e tentando colocar a pequena placa prateada na boca. – Papa... - Adam repetiu e Edward sorriu amplamente com os olhos lacrimejando.

- Finalmente em casa. – disse puxando-me para mais perto dele e dando um beijo na minha têmpora. – Finalmente. –

Sim... Finalmente ele estava em casa. Pensei apoiando a cabeça do ombro de Edward e vendo Adam brincando com a identificação do pai e Anthony ficava olhando o pai. Finalmente, depois de mais de um ano, eu tinha a minha família completa. Finalmente.

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Isto é uma homenagem a todos os nossos soldados, que estão de serviço ou que, infelizmente, já faleceram, em busca de um mundo melhor para todos nós. (independentemente do país a qual servem).

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This is a tribute to all our soldiers, who are on duty or who, unfortunately, have already died, in search of a better world for all of us. (regardless of the country they served).

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Em honra a todos os homens e mulheres que serviram e que continuam a servir este país. Feliz Dia dos Veteranos! Obrigada (o) pelo seu serviço e pelo seu sacrifício. Deus te abençoe e que Deus abençoe o mundo.

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In Honor of all the men and women who served and continue to serve this country, Happy Veterans Day! Thank you for your service and your sacrifice. God bless you and God bless the World.

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Dia dos Veteranos - Honrando e lembrando de todos que serviram!

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Veterans Day – Honoring and remembering all who served!

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The End.
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